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Porém, técnica gera polêmica, e será julgada para que os testes com humanos sejam aprovados na Europa; entenda como deve funcionar o procedimento

Talassemia é uma doença genética rara que afeta a produção de hemoglobina, podendo causar a morte quando não tratada
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Talassemia é uma doença genética rara que afeta a produção de hemoglobina, podendo causar a morte quando não tratada

A empresa suíça de terapia genética Crispr Therapeutics desenvolveu uma nova técnica que pode se tornar a cura para uma doença rara de distúrbio sanguíneo conhecida como talassemia. 

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No entanto, o novo procedimento está gerando polêmica entre a comunidade médica e científica, por se tratar de um assunto que envolve ética. Sendo assim, a possível cura para talassemia deverá ser julgada para poder prosseguir com os testes.

A anemia do Mediterrâneo, como também é chamada, é causada por uma falha genética que faz com que a quantidade de proteínas que carregam oxigênio no sangue, as hemoglobinas , seja menor do que o normal.

A falta de hemoglobina pode levar à anemia , falência de órgãos, ossos enfraquecidos e até à morte, se não tratada. Apesar de haver tratamento, ainda não há uma cura para a condição.

No entanto, cientistas da Crispr Therapeutics acreditam que a cura pode ser obtida com uma técnica avançada e idealizada por eles. Para isso, os médicos terão que alterar permanentemente o gene defeituoso que causa a condição, o que, para muitos profissionais, pode colocar em cheque questões éticas em relação à área da saúde.

Caso o julgamento, previsto para este ano, permita que o desenvolvimento da técnica continue a ser desenvolvido, essa será  a primeira vez que a técnica foi testada na Europa.

Especialistas britânicos o elogiaram o projeto e classificaram-o como "muito promissor", insistindo que a técnica será segura e altamente eficaz. Mas os críticos temem que esse tipo de intervenção pavimente um caminho para bebês projetados.

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Como será o procedimento

Os cientistas inicialmente removerão algumas das células-tronco dos pacientes, as células básicas encontradas na medula óssea, bem como em algumas outras áreas do corpo.

Então, estas células serão injetadas com uma proteína que terá como objetivo cortar o gene defeituoso no DNA do paciente.

As células-tronco serão inseridas de volta no corpo do indivíduo, na esperança de que elas se multipliquem e permitam que o corpo produza hemoglobina suficiente.

O professor Robin Lovell-Badge, líder do grupo no Francis Crick Institute, no centro de Londres, Inglaterra, fala com empolgação sobre a técnica. "Vamos olhar para trás e pensar que este será o verdadeiro começo da terapia genética".

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