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Para proteger-se contra o vírus influenza, entenda como funciona a vacina oferecida pelo SUS e veja se você tem direito ao imunizante gratuitamente

Até o dia 7 de abril, o Brasil registrou quase 300 casos de gripe neste ano, segundo o Ministério da Saúde
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Até o dia 7 de abril, o Brasil registrou quase 300 casos de gripe neste ano, segundo o Ministério da Saúde

O inverno ainda não chegou, mas já é tempo de se preocupar com a proteção contra a gripe. A doença atinge, anualmente, 10% da população global conforme afirma a Organização Mundial da Saúde (OMS) . A entidade ainda estima que, desse total, 1,2 bilhão de pessoas têm chances de ter complicações relacionadas à condição.

Só neste ano, o Brasil contabilizou 286 casos de gripe até o dia 7 de abril, sendo 117 casos e 16 óbitos provocados pelo vírus H1N1, e 71 casos e 12 mortes por conta do H3N2. As informações são do Ministério da Saúde.

Para evitar que mais pessoas adoeçam nos próximos meses, quando a circulação do vírus é maior, nesta segunda-feira (23) foi lançada a Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza . A mobilização disponibiliza em postos do Sistema Único de Saúde (SUS) vacinas gratuitas para a população.

Porém, nem todos têm acesso. A vacina  contra influenza é oferecida para um grupo prioritário no SUS. Quem não faz parte do público-alvo e quer a proteção deve tomar o imunizante na rede privada.

É aí que começam as dúvidas: “Quem pode tomar?”, “quais são os efeitos colaterais?”, “a vacina protege mesmo?” são alguns dos questionamentos. Para responder essas e outras perguntas, veja os tópicos abaixos, divulgados pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e retirados da entrevista feita pela Agência Brasil com o vice-presidente da SBIm, Renato Kfouri.

Tira-dúvidas

Febre, calafrios, dores musculares, tosse, congestão, coriza, dores de cabeça e fadiga são alguns dos sintomas da gripe
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Febre, calafrios, dores musculares, tosse, congestão, coriza, dores de cabeça e fadiga são alguns dos sintomas da gripe


  • Quais vírus do tipo influenza circulam no país neste momento?

Existem dois grandes tipos de vírus influenza que acometem humanos: A e B que, por sua vez, possuem diversos subtipos.

Segundo Kfouri, os vírus sofrem pequenas variações todos os anos e é essa capacidade de fazer mutações leves que os faz chegar, no ano seguinte, causando uma epidemia. “É como se a população não reconhecesse aquilo como uma doença que já teve e acabe adoecendo novamente”, afirma.

“O Brasil é um país continental e, por essa razão, temos variações em relação aos subtipos de influenza que circulam neste momento. Goiânia, por exemplo, abriu a temporada com predomínio de circulação de H1N1. Já em São Paulo, temos casos confirmados e, inclusive, óbitos relacionados ao H3N2. Há, portanto, dentro de um país tão grande quanto o nosso, variações de regiões onde a epidemia anual pode se dar com mais intensidade por um tipo de vírus ou por outro”, explicou o especialista.

  • Quais as diferenças entre os dois tipos de vírus e qual pode ser considerado mais grave?

De acordo com o vice-presidente da SBIm, não há diferença clínica ou uma série histórica de infecções mais graves por um tipo de vírus ou por outro. “Isso depende dessa variação que comentamos. Um vírus que muda muito tende a ser muito diferente e a trazer infecções mais sérias porque não encontra uma memória de proteção na população por exposições anteriores.”

Kfouri ressalta que depende muito do tipo de vírus que vai circular. “Se houver predomínio de um H3N2 ou um H1N1 muito diferente do que vem circulando até então, as chances de encontrar uma população ainda não exposta e fazer doenças mais graves é maior. Isso teremos que acompanhar durante a estação”.

  • Como funcionam as vacinas contra a influenza usadas no Brasil?

As vacinas influenza disponíveis no Brasil são todas inativadas, ou seja, feitas com vírus morto, portanto, sem a capacidade de causar doenças. Até 2014, estavam disponíveis no país apenas as vacinas trivalentes - oferecidas pelo SUS -, contendo uma cepa A/H1N1, uma cepa A/H3N2 e uma cepa B (linhagem Yamagata ou Victoria).

As novas vacinas quadrivalentes - que podem ser encontradas na rede privada - são licenciadas desde 2015 e contemplam, além dessas três cepas, uma segunda B, contendo em sua composição, as duas linhagens de Influenza B: Victoria e Yamagata. Em 2018, as vacinas trivalente e quadrivalente terão uma nova cepa A/H3N2 (Singapore), que substituirá a cepa A/H3N2 (Hong Kong) presente no ano anterior.

  • Qual vacina será utilizada na campanha deste ano feita pelo Ministério da Saúde?

Em 2018, a vacina utilizada na Campanha de Vacinação contra a Gripe do Ministério da Saúde será a trivalente, contendo uma cepa A/H1N1, uma cepa A/H3N2 e uma cepa B linhagem Victoria.

  • Este ano, teremos então vacinas tri e quadrivalentes disponíveis no país?

Sim, por alguns anos, deveremos conviver com as duas vacinas. Como ocorreu no passado em que, de acordo com a epidemiologia, vacinas monovalentes foram substituídas por bivalentes que, por sua vez, foram substituídas por trivalentes. A tendência para os próximos anos é a produção apenas de vacinas quadrivalentes.

  • Quem pode tomar a vacina no SUS?

Poderão receber as doses gratuitas idosos a partir de 60 anos, crianças de 6 meses a menores de 5 anos, trabalhadores da saúde, professores das redes pública e privada, povos indígenas, gestantes, puérperas - que estejam no período de até 45 dias após o parto -, pessoas privadas de liberdade e funcionários do sistema prisional.

Pessoas com doenças crônicas e outras condições clínicas especiais também devem receber a dose. Para isso, o indivíduo deve apresentar prescrição médica na hora de receber a proteção. Pacientes cadastrados em programas de controle das doenças crônicas do SUS não precisam da prescrição e podem procurar os postos de saúde em que estão registrados para receber a vacina.

  • As vacinas influenza podem ser utilizadas na gestação?

Sim, gestantes constituem grupo prioritário para a vacinação, pelo maior risco de desenvolverem complicações e pela transferência de anticorpos ao bebê, protegendo contra a doença nos primeiros meses de vida.

  • Pacientes alérgicos ao ovo de galinha podem receber a vacina?

Sim, esses pacientes podem receber a vacina influenza. Alergias a ovo, mesmo graves como a anafilaxia, não são mais contraindicação nem precaução.

Leia também: 7 razões para se vacinar contra a gripe

  • Tomar a vacina dói? Quais as reações adversas esperadas após a aplicação da vacina?

Os eventos adversos mais frequentes ocorrem no local da aplicação: dor, vermelhidão e endurecimento em 15% a 20% dos vacinados. Essas reações costumam ser leves e desaparecem em até 48 horas.

Manifestações sistêmicas são mais raras, benignas e breves. Febre, mal-estar e dor muscular acometem 1% a 2% dos vacinados de 6 a 12 horas após a vacinação e persistem por um a dois dias, sendo mais comuns na primeira vez em que tomam a vacina.

Reações anafiláticas são extremamente raras. Em caso de sintomas não esperados (febre muito alta, reação exagerada, irritabilidade extrema, sinais de dor abdominal, recusa alimentar e sangue nas fezes, entre outros), é recomendado procurar imediatamente o médico ou serviço de emergência para atendimento e para que sejam descartadas outras causas.

Vacina contra gripe trivalente está sendo disponibilizada pelo SUS a partir desta semana em todo território nacional
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Vacina contra gripe trivalente está sendo disponibilizada pelo SUS a partir desta semana em todo território nacional


  • Crianças que receberam duas doses da vacina em anos anteriores deverão receber duas doses da quadrivalente este ano?

Não é necessário. A regra geral, tanto para as vacinas quadrivalentes quanto para as trivalentes, é que crianças que receberam duas doses na primeira vacinação recebam, nos anos seguintes, somente uma dose.

  • As vacinas influenza podem ser aplicadas simultaneamente com outras vacinas?

As vacinas trivalente e quadrivalente contra a influenza podem ser aplicadas simultaneamente com as demais vacinas do calendário da criança, do adolescente, do adulto ou do idoso.

  • Pessoas imunodeprimidas podem tomar as vacinas contra influenza?

Tratam-se de vacinas inativadas, portanto, sem restrições de uso em populações imunocomprometidas, que têm indicação de vacinação especialmente reforçada.

  • A entidade tem alguma recomendação com relação às vacinas?

A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda o uso preferencial, sempre que disponível, da vacina quadrivalente, pelo seu maior espectro de proteção. Porém, a entidade reforça que, na indisponibilidade do produto, a vacina trivalente deve ser utilizada de maneira rotineira, especialmente em grupos de maior risco para o desenvolvimento de formas graves da doença.

  • Há outros cuidados a serem tomados na prevenção de casos de gripe?

Além da vacinação, há outras maneiras de prevenção da gripe . “A lavagem frequente de mãos; se estiver doente, evitar ambientes aglomerados e o contágio para outras pessoas; usar sempre lenços descartáveis e desprezar esses lenços; cobrir a boca quando tossir com o antebraço, evitando, com isso, a disseminação do vírus; na impossibilidade da utilização de água e sabão, usar o álcool em gel, que tem uma boa ação para limpeza das mãos; crianças devem ser amamentadas e, se possível, frequentar creches mais tardiamente; não se expor ao cigarro, seja de forma ativa ou como fumante passivo, já que a fumaça é um irritante das vias aéreas e facilita a entrada dos vírus”, orienta Renato Kfouri.

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