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Em testes feitos em células humanas, cientistas viram que vírus pode combater células tumorais cerebrais sem afetar neurônios maduros; entenda

Pesquisa feita por cientistas da USP apontou novidades sobre uso do vírus da zika para combater o câncer
Pixabay/Creative Commons
Pesquisa feita por cientistas da USP apontou novidades sobre uso do vírus da zika para combater o câncer

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram que o vírus da zika pode ser útil no combate ao câncer cerebral. O resultado de uma pesquisa apontou que o vírus da doença é capaz de infectar e matar as células de tumores cerebrais sem danificar as células saudáveis.

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O estudo ainda mostrou que, futuramente, outros tipos de tumores agressivos que atingem o sistema nervoso central poderiam ser tratados a partir de técnicas usando o vírus da zika , característico por atacar células do cérebro em formação.

A pesquisa foi publicada na revista científica Cancer Research nesta quinta-feira (26). O artigo foi feito pelos cientistas do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da USP.

Como funciona?

Já se sabia, por meio de estudos anteriores, que o vírus em questão tinha afinidade por células do sistema nervoso central, especialmente as células-tronco neurais, que formam os neurônios. Por isso, quando um feto é infectado pela zika, seu sistema nervoso é atacado e a quantidade de células-tronco neurais são reduzidas, dando origem a problemas como a microcefalia.

Porém, a análise descobriu que as células dos tumores do sistema nervoso - resistentes aos tratamentos convencionais como quimioterapia e radioterapia - são semelhantes às que dão origem aos neurônios. Então, os cientistas resolveram testar para ver se o vírus da zika conseguia destruí-las, assim como faz com as células-tronco neurais.

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Como foi feito o estudo?

Células humanas de dois tipos de tumores cerebrais comuns em crianças de até cinco anos, meduloblastoma e tumor teratóide rabdóico atípico, foram infectadas com o vírus. O mesmo foi feito com células de câncer de mama, de próstata e de intestino.

Depois, os cientistas injetaram o vírus em camundongos com tumores cerebrais “humanos”, e os tumores regrediram em 20 dos 29 animais tratados com o vírus, sendo que em sete deles, a remissão foi completa e o tumor sumiu. Além disso, o vírus bloqueou e reverteu metástases.

No caso dos tumores de mama, próstata e intestino, o uso do vírus para combater os cânceres não obteve êxito.

Foi possível confirmar, através dos testes, que o vírus da zika não afeta os neurônios maduros, o que garante a segurança do procedimento.

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