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Medida será adotada para evitar doenças relacionadas ao consumo de produtos que não fazem bem à saúde; entenda como deverá funcionar

Salgadinhos, alimentos, mercado
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Salgadinhos, alimentos, mercado

Para alertar e conter o avanço de doenças ligadas ao consumo exagerado de alimentos com altos teores de gordura, sal e açúcar, o governo brasileiro vai negociar com as empresas para que essa informação seja indicada na parte da frente das embalagens dos produtos alimentícios processados.

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A nova política que sugere alteração nos rótulos de alimentos para conter doenças como diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares, obesidade e outros problemas relacionados à má alimentação foi anunciada nesta terça-feira (22) pelo ministro da Saúde, Gilberto Occhi. A declaração foi feita na plenária da 71ª Assembleia Mundial da Saúde, promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra.

A ideia é que os rótulos dos produtos tenham a informação na frente, com símbolos e cores padronizados, para complementar a tabela nutricional, que geralmente aparece na parte posterior.

Modelo de aviso de teor de açúcar, sal e gordura para ser impresso em embalagens de alimentos
Divulgação/Anvisa
Modelo de aviso de teor de açúcar, sal e gordura para ser impresso em embalagens de alimentos

Além da proposta sobre a nova rotulagem de alimentos e também um acordo com a indústria para a redução de açúcar em alimentos ultraprocessados. As medidas, segundo a pasta, visam facilitar a compreensão do consumidor e trazer orientações claras para escolhas mais saudáveis.

“Estamos engajados na adoção de políticas concretas e efetivas para conter o avanço da obesidade. O Brasil adotará medidas para alertar sobre o excesso de açúcar no rótulo de alimentos processados e, assim, os consumidores poderão fazer escolhas mais saudáveis. Também estamos estruturando medidas para reduzir o açúcar nesses alimentos”, disse Occhi, durante discurso.

Anvisa

Na segunda-feira (21), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a primeira parte do documento, que ficará disponível para contribuição da comunidade científica por 45 dias.

Após isso, a agência fará o texto da norma, que poderá receber novas contribuições por 60 dias. Espera-se que até o fim de 2018 a regulamentação seja publicada.

No entanto, o ministro espera concluir até julho os novos rótulos e firmar uma alternativa para redução de açúcar nos produtos.

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Obesidade

Dados da pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) apontam que a excesso de peso atinge 54% da população nas capitais do país. Os números mostram ainda que, em 2017, 18,9% dos brasileiros estavam obesos.

No Brasil, a discussão sobre um novo modelo de rotulagem está sendo conduzida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A proposta da entidade é que o rótulo seja fixado na parte frontal do produto, com advertências em relação ao excesso de nutrientes que podem trazer malefícios a saúde, como sódio, gordura e açúcares.

Encontros paralelos

De acordo com a assessoria de imprensa do ministério, Occhi deve se reunir ainda hoje com os ministros da Saúde de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Estão previstos, ao longo da semana, encontros com os ministros da Saúde do Reino Unido e dos Estados Unidos, com o objetivo de explorar possibilidades de ampliação da cooperação internacional em saúde. O representante brasileiro deve participar ainda de evento paralelo sobre os 100 anos da epidemia de influenza.

Também faz parte da agenda encontro com os ministros da Saúde da iniciativa Política Externa e Saúde Global (FPGH, na sigla em inglês), foro de discussão formado por África do Sul, Brasil, França, Indonésia, Noruega, Senegal e Tailândia, com o objetivo de discutir temas de interseção entre a política externa e a saúde em foros multilaterais.

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*Com informações da Agência Brasil

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