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No Dia Internacional da tireoide, especialistas explicam como o mau funcionamento da glândula afeta a saúde e como são feitos os tratamentos

A tireoide é a glândula que fica localizada abaixo da laringe e anteriormente à traqueia
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A tireoide é a glândula que fica localizada abaixo da laringe e anteriormente à traqueia

Cerca de 10% das mulheres acima de 40 anos e 20% das acima de 60 anos apresentam alguma complicação na tireoide. Apesar de ser mais comum nelas, a glândula em formato de borboleta, que fica na parte da frente do pescoço, também pode apresentar problemas nos homens, geralmente, a partir dos 65 anos.

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Responsável por produzir hormônios que regulam o organismo e por controlar o processo metabólico, o mau funcionamento da tireoide acaba atingindo o desenvolvimento, o crescimento, o metabolismo e a função de diversos órgãos, como coração, cérebro, fígado e rins.

Os hormônios produzidos pela glândula são a tri-iodotironina (T3) e a tiroxina (T4). Ambos são muito importantes em todas as fases da vida, desde a formação dos órgãos fetais - principalmente o cérebro -, o crescimento, o desenvolvimento, a fertilidade e a reprodução.

Além disso, eles exercem ainda importante atuação nos batimentos cardíacos, e podem influenciar o sono, raciocínio, memória, temperatura do corpo, funcionamento intestinal e metabolismo.

No Dia Internacional da Tireoide, celebrado nesta sexta-feira (25), especialistas explicam sobre como complicações na glândulas afetam a qualidade de vida e destacam quais são as condições que podem afetar a tireoide.

Hipertireoidismo, hipotireoidismo e câncer de tireoide

As doenças da tireoide podem surgir em duas situações: quando há disfunção da glândula (hipotireoidismo e hipertireoidismo) ou quando há risco de câncer por nódulos.

“Alguns sinais das disfunções tireoidianas são inespecíficos e muitas vezes podem ser confundidos com fadiga, estresse, depressão e deficiência de vitaminas. Por isso, é importante a realização de exames laboratoriais anuais para o diagnóstico precoce quando sofre algum dos sintomas, a fim de evitar problemas mais graves gerados por essa disfunção hormonal”, alerta a endocrinologista e metabologista da Clínica Soulleve em São Paulo, Cassandra Lopes.

Problemas na tireoide podem causar hipertireoidismo, hipotireoidismo e câncer de tireoide
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Problemas na tireoide podem causar hipertireoidismo, hipotireoidismo e câncer de tireoide

A endocrinologista do Hospital Santa Paula, Claudia Liboni, explica que o hipertireoidismo se desenvolve quando há uma produção excessiva dos hormônios da tireoide - T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina).

A causa mais comum é a chamada Doença de Graves, que faz com que o sistema imunológico produza anticorpos que estimulam a glândula. O excesso de iodo presente em alguns medicamentos também pode acarretar no hipertireoidismo.

Segundo Liboni, nesse caso, os principais sintomas, no caso da Doença de Graves, são aumento dos batimentos cardíacos, suor excessivo, tremor de extremidades, perda de peso (mesmo, às vezes, com aumento de apetite), intestino solto, alterações menstruais, fraqueza, queda de cabelo, insônia e ansiedade.

Estes podem ser sinais do excesso de hormônios da tireoide. Além disso, a doença pode afetar também globo ocular, levando ao aparecimento de olhos saltados, que doem quando movimentados, ficam vermelhos, lacrimejando e com desconforto quando expostos à luz.

O tratamento pode ser feito com medicamentos como o metimazol ou o propiltiouracil (PTU), para abaixar os níveis dos hormônios tiroidianos, iodo radioativo ingerido em líquido ou em cápsulas e captado pelas células tiroidianas, que serão destruídas, ou cirurgia para remover a glândula que produz excessivamente os hormônios.

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Já o hipotireoidismo se desenvolve quando há uma queda na produção dos hormônios da tireoide T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina). Muitas vezes, o hipotireoidismo é causado por uma inflamação conhecida como “Tireoidite de Hashimoto”, relacionada à falta ou ao excesso de iodo na dieta. A doença também ocorre após cirurgia de retirada da tireoide, após tratamento com iodo radioativo ou com radioterapia na região do pescoço.

De acordo com o Instituto da Tireoide, uma em cada 10 mulheres com mais de 65 anos apresenta sinais de hipotireoidismo. São eles: depressão, cansaço, diminuição dos batimentos cardíacos, intestino preso, menstruação irregular, falhas de memória, dores musculares, pele seca, queda de cabelo, ganho de peso (por retenção de líquidos) e aumento de colesterol no sangue.

“O hipotireoidismo é tratado com reposição hormonal, feita por meio de medicação oral diária”, esclarece a endocrinologista do Hospital Santa Paula.

Ao notar algum dos sintomas, é importante a realização de exames laboratoriais anuais para o diagnóstico precoce
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Ao notar algum dos sintomas, é importante a realização de exames laboratoriais anuais para o diagnóstico precoce

O histórico de radiação na região do pescoço e de casos deste tipo de câncer na família são fatores de risco para que se desenvolva o câncer de tireoide .

A grande maioria dos nódulos de tireoide é benigna, mas quando são muito grandes ou estão associados ao aumento dos gânglios linfáticos e/ou à rouquidão, aumenta-se a suspeita de um tumor maligno na tireoide.

O tratamento deste tipo de câncer é cirúrgico, pela retirada total da glândula e, em alguns casos, com complementação terapêutica com o iodo radioativo.

“Para diagnosticar as alterações hormonais da tireoide, exames de sangue devem ser feitos a partir dos sintomas clínicos ou de rotina em pacientes de risco. Já nos casos de aumento do volume do pescoço ou aparecimento de nódulos, o exame mais indicado é um ultrassom de tireoide. Surgindo alguma alteração, um especialista deve ser procurado”, afirma Liboni

Como detectar?

Existem dois tipos de exames de sangue que dosam os hormônios associados à tireoide. Os testes avaliam o TSH, que é produzido no cérebro para estimular o funcionamento da glândula, e o T4 é secretado por ela mesma. 

Os exames devem ser feitos anulamente por mulheres a partir dos 35 anos, ou quando sintomas das doenças são reportados. Há também como fazer o autoexame. Basta beber um copo de água e observar, com ajuda de um espelho, a região do pescoço onde está localizada a tireoide (logo abaixo do pomo-de-adão, mais conhecido como "gogó").  Ao engolir, a tireóide sobe e desce. Observe se existe algum aumento de saliência na glândula e se isso acontecer, procure um médico.

Estima-se que a prevalência de nódulos na região da tireoide afetem 40% da população, dependendo da faixa etária e do sexo, mas felizmente a maioria dos nódulos são benignos e não apresentam riscos para os pacientes.

Recentemente, a Associação Americana de Tireoide fez uma atualização sobre algumas diretrizes para diagnósticos, inclusive sobre a 'epidemia' que se tem do assunto, e aconselha que nódulos com menos de 1 centímetro não sejam avaliados por uma punção. Isso vale até para aqueles que aparentam ser do mal: basta monitorar seu crescimento de tempos em tempos. Essa conduta, por enquanto, ainda não é a realidade nos centros médicos brasileiros.

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