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Brasil fica em segundo lugar no ranking de países em que os problemas causados pela doença mais atrapalham os pacientes; entenda a condição

A remissão completa das lesões de pele, um dos sintomas da psoríase, é a principal expectativa para 73% dos pacientes entrevistados
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A remissão completa das lesões de pele, um dos sintomas da psoríase, é a principal expectativa para 73% dos pacientes entrevistados

Aos 9 anos os primeiros sintomas da psoríase começaram a aparecer em algumas partes do corpo de Shirlei Nidia Pereira, de 43 anos. Aos 14, as lesões já estavam por toda parte. O impacto da doença era tanto na qualidade de vida da professora, que ela conta que chegou sofrer preconceito e ter o psicológico afetado a ponto de se privar de atividades.

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“Aos 14 anos, eu não sabia lidar com os sintomas da psoríase . Então, só chorava e ficava triste. Nessa época não havia tantos medicamentos, nem médicos que conhecessem bem a doença. Com o tempo, aprendi tanto com o tratamento físico quanto com o psicológico, porque é preciso saber se controlar”, disse Shirlei, que hoje tem a doença 99% controlada.

No entanto, o caso da professora não é o único. Uma pesquisa internacional sobre a psoríase, feita com 2.361 pessoas, mostrou que a condição provoca grande impacto negativo na qualidade de vida de 71% dos pacientes brasileiros.

Dessa forma, o Brasil fica em segundo lugar no ranking das nações cujos pacientes relatam maior impacto da doença, atrás apenas da Arábia Saudita. O levantamento, que recebeu o nome de Close Together, foi realizado pela Hall and Partners e ouviu homens e mulheres de 18 a 75 anos em 26 países.

Em relação aos resultados do tratamento, a remissão completa das lesões de pele é a principal expectativa para 73% dos pacientes entrevistados. Mais da metade (58%) dos brasileiros afirmaram que a doença interfere negativamente em suas atividades profissionais.

Segundo a pesquisa, 72% dos brasileiros disseram que sua expectativa com relação ao tratamento foi atingida apenas parcialmente; 62% relataram alto impacto da doença na vida social; e 67% desejavam voltar a ter uma vida normal.

“A psoríase é uma inflamação da pele que acomete os braços, o tronco e o couro cabeludo. Normalmente, aparece em adultos jovens, de 20 a 40 anos. Pode também começar na infância, ou com mais idade também, mas isso não é o mais comum”, explicou Ricardo Romiti, coordenador do Ambulatório de Psoríase do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC USP).

A causa é multifatorial e passa pela predisposição genética. “Normalmente, há casos na família, não de pai para filho, mas pode ter tio, avô”, disse o médico.

A doença pode surgir em qualquer fase da vida, influenciada pelo ambiente do indivíduo, pelo uso de medicamentos ou estresse, fatores que interferem no sistema imunológico, fazendo com que as células da epiderme comecem a se dividir aceleradamente. Por isso, a pele fica com aspecto engrossado e formam-se escamas, que depois se soltam.

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Sintomas da psoríase não são contagiosos

Psoríase é uma doença inflamatória da pele crônica e não contagiosa, com incidência genética em cerca de 30% dos casos
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Psoríase é uma doença inflamatória da pele crônica e não contagiosa, com incidência genética em cerca de 30% dos casos

“Entretanto, a doença não é contagiosa, nem leva ao risco de infecção para quem convive [com ela]. Este é o outro lado da doença, que é aparente e estigmatizante. Não tem como esconder, e isso repercute na qualidade de vida , porque gera vergonha da aparência e faz com que o portador evite o convívio social.” Romiti disse que isso pode levar a um quadro de depressão. ou a alterações psicológicas bem sérias, não só no ambiente familiar e social, mas também de trabalho, e afetar toda a vida do indivíduo.

Apesar de a psoríase não ter cura, as expectativas quanto aos novos tratamentos da psoríase que levam a doença a desaparecer quase, ou totalmente, são animadoras. “Uma droga recém-aprovada no Brasil, a ixequizumabe, pode devolver a qualidade de vida ao paciente. É um remédio de alto custo, uma injeção aplicada mensalmente pela própria pessoa na barriga ou na perna, indicada para as formas mais graves e pacientes que já falharam ao tratamento convencional”, informou Romiti.

Ele explicou que o remédio age bloqueando no sistema imunológico o mediador da inflamação, que está aumentado e causando a doença. “São anticorpos, por isso, tem que ser injetável para entrar direito na circulação. A inflamação vai diminuir gradativamente. Como, além da pele, a psoríase pode atingir as articulações em forma de artrite, o medicamento acaba tratando também esse quadro.”

O médico alertou ainda para o preconceito com relação à doença. “As pessoas que não sabem ficam com medo de chegar perto da pessoa e de usar objetos iguais. Não tem risco de contágio, pelo contrário, é preciso ajudar as pessoas a terem vida saudável. Uma das coisas que ajudam a psoríase a melhorar é o sol. Podendo frequentar praia e piscina, ajuda a controlar as lesões.”

Shirlei conta que trocou várias vezes de medicação e lembrou o surgimento de novos produtos e o aumento das pesquisas de alguns anos para cá. Atualmente, ela usa os chamados remédios biológicos e está satisfeita com o resultado.

“Fui a primeira no Hospital das Clínicas a usar esse tipo de remédio, e minha vida mudou completamente. Muita coisa que eu não fazia antes, agora faço. Consigo ir à praia, uso outras roupas. Antes eu só usava roupas compridas e blusas com gola e manga comprida. Não usava saia ou shorts e meu corpo sempre estava bem coberto”.

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Shirlei ressaltou que sua qualidade de vida mudou drasticamente com a diminuição dos sintomas da psoríase e que não teve efeitos colaterais ao tomar o novo medicamento. “Mesmo que tivesse, seria o mínimo em vista do benefício que traz. E Deveria ser acessível para todos”, afirmou.

*Com informações da Agência Brasil

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