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Escândalo envolvendo farmacêutica chinesa que produziu imunizantes fora do padrão gera críticas e preocupação por parte da população; entenda

Mais de 250 mil vacinas defeituosas foram produzidas pela empresa chinesa, de acordo com o The New York Times
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Mais de 250 mil vacinas defeituosas foram produzidas pela empresa chinesa, de acordo com o The New York Times

Um escândalo na indústria farmacêutica chinesa foi responsável pelo fornecimento de vacinas defeituosas a milhares de crianças em todo o país. De acordo com informações do jornal The New York Times , uma investigação da Administração de Alimentos e Medicamentos da China (CFDA, na sigla em inglês) apontou que a Changchun Changshen Biotechnology, empresa de um grande produtor de remédios no nordeste da China que leva seu nome, teria violado os padrões ao produzir os imunizantes.

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Até o momento, sabe-se que pelo menos 250 mil doses de vacinas defeituosas foram produzidas contra raiva e outras doenças e muitas delas já estavam sendo distribuídas a crianças chinesas como parte do programa nacional obrigatório de vacinação.

Apesar de por enquanto não haver notificações de mortes ou doenças relacionadas às aplicações, pais e responsáveis pelas crianças ficaram indignados e exigem medidas do governo.

Nas redes sociais, milhares de comentários dos usuárioslevam a hashtag “ #Changsheng bio-tech vaccine incident ” para denunciar o caso no Weibo, uma plataforma popular, semelhante ao Twitter.

"Meu país de origem, como posso confiar em você? Você só me decepciona o tempo todo", escreveu um usuário. "Nossa confiança foi desbancada de novo, isso é tão irresponsável para a vida de todos", disse outro.

A investigação pede a revogação da licença da empresa para vacinas contra a raiva humana e inicia a retirada do mercado de todas as vacinas não utilizadas produzidas pela companhia.

Cinco altos executivos da empresa, incluindo a presidente, foram detidos para interrogatório pela polícia de Changchun, que anunciou que iniciaram uma investigação criminal oficial da empresa.

O incidente abalou os esforços do presidente Xi Jinping para retomar a confiança na medicina chinesa, incitando a fúria generalizada e levando o presidente a descrever o incidente como "vil e chocante".

Esta é a terceira vez que escândalos envolvem vacinas no país desde 2010. Segundo um comunicado feito no domingo (22) pelo premiê Li Keqiang, as ações dos produtores de vacinas "cruzaram uma linha moral". Ele prometeu "resolutamente reprimir todos os atos ilegais e criminosos que ponham em risco a segurança das vidas das pessoas".

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Vacinas defeituosas

Pelo menos duas vacinas diferentes - contra raiva e contra difteria e tétano (DPT) - fabricadas pela Changchun Changsheng Biotechnology são conhecidas por virem com defeito.

A agência estatal de notícias Xinhua relata que pelo menos 113.000 doses da vacina anti-rábica da empresa foram afetadas.

Em um comunicado, a Administração Provincial de Alimentos e Medicamentos de Jilin disse que um total de 253.338 doses da vacina DPT da Changsheng estavam alteradas. Este lote foi vendido ao Centro Provincial de Prevenção e Controle de Doenças de Shandong.

Em um incidente anterior, em novembro de 2017, pelo menos outras 400 mil doses da mesma vacina, produzidas por uma segunda empresa diferente, o Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan, foram consideradas abaixo do padrão.

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Segundo a CNN, oito províncias e cidades imediatamente anunciaram que estariam interrompendo ou suspendendo o uso das vacinas defeituosas contra a raiva humana de Changsheng, enquanto outros quatro alegaram que nunca a usaram. Não se sabe se outras agências regionais de controle de doenças foram afetadas.


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