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Quando comparado aos outros antirretrovirais do SUS, o dolutegravir foi considerado a droga mais eficaz; entenda como funciona o tratamento

Medicamento para HIV pode ajudar mais de 880 mil pessoas que vivem com o vírus no Brasil
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Medicamento para HIV pode ajudar mais de 880 mil pessoas que vivem com o vírus no Brasil

Novo medicamento para HIV do SUS (Sistema Único de Saúde) teve maior efetividade comprovada em comparação com outras drogas, de acordo com um estudo brasileiro realizado com mais de 100 mil pacientes em início de terapia.

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A pesquisa mostrou que os pacientes submetidos a coquetéis do antirretroviral, o medicamento para HIV  conhecido como dolutegravir, estavam significativamente mais propensos a atingir a chamada “supressão virológica” - quando a carga viral atinge níveis indetectáveis - do que os indivíduos submetidos a coquetéis que não usam o medicamento.

A análise apontou que o esquema de tratamento com o dolutegravir, associado ao tenofovir e à lamivudina, foi 42% mais eficaz na supressão da carga viral do HIV , em um período de seis meses, quando comparado à combinação dos antirretrovirais efavirenz, tenofovir e lamivudina, esquema de primeira linha recomendado anteriormente ao dolutegravir.

Na comparação com outros esquemas, o dolutegravir, associado ao tenofovir e à lamivudina, mostrou-se de 51% a 162% mais efetivo.

De acordo com o Ministério da Saúde, foram coletados dados de 103.240 pacientes com 15 anos ou mais que iniciaram o tratamento antirretroviral entre janeiro de 2014 e junho de 2017. Os dados foram fornecidos por dois sistemas de informação em saúde do SUS que controlam a dispensação dos medicamentos para HIV e os exames utilizados para monitorar a infecção (CD4 e carga viral).

A terapia antirretroviral diminui significativamente a quantidade de HIV no sangue, suprimindo a carga viral. Segundo o ministério, atingir e manter a carga viral indetectável, além de trazer benefícios para a saúde da pessoa que vive com HIV, reduz a quase zero o risco de transmissão do vírus por via sexual. “Por isso, os resultados do estudo são ainda mais animadores para a resposta brasileira ao HIV”, destacou a pasta.

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Como funciona o antirretroviral do SUS?

Dolutegravir, medicamento para HIV, foi apontado como mais eficiente entre os outros antirretrovirais oferecidos pelo SUS
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Dolutegravir, medicamento para HIV, foi apontado como mais eficiente entre os outros antirretrovirais oferecidos pelo SUS

O dolutegravir faz parte de uma nova classe de antirretrovirais do tipo dos inibidores de integrase, que atuam impedindo que o código genético do HIV se integre à célula humana, impossibilitando, assim, sua multiplicação.

Os antirretrovirais são medicamentos usados no tratamento do HIV que atuam no sistema imunológico, bloqueando as diferentes fases do ciclo de multiplicação do vírus no corpo.

Desde janeiro de 2017, o dolutegravir é usado no Brasil para pacientes iniciantes no tratamento do HIV. Mais recentemente, foi incluída, nos protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas do HIV, a recomendação de mudança para o dolutegravir nos esquemas de tratamento de terceira linha com raltegravir e naqueles em que o paciente apresente eventos adversos e toxicidades indesejáveis.

Pessoas coinfectadas com tuberculose e mulheres grávidas ou que pretendam engravidar, de acordo com o ministério, não devem utilizar o dolutegravir.

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Atualmente, mais de 122 mil brasileiros que vivem com HIV usam o dolutegravir. O número representa 19% do total de 572 mil brasileiros que recebem o tratamento medicamento para HIV . Ainda de acordo com o ministério, 87% das pessoas que iniciaram tratamento antirretroviral no país em 2018 começaram com o dolutegravir.

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