Sarampo já foi uma das principais causas de mortalidade infantil no Brasil
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Sarampo já foi uma das principais causas de mortalidade infantil no Brasil

Nos últimos meses, o  aumento de casos de sarampo confirmados assustou as populações de diversos estados brasileiros, principalmente no Amazonas e Roraima. O país entrou em alerta com a volta da doença, que desde 2014 não era registrada no Brasil e foi considerada erradicada nas Américas em 2016 pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Desde o início do ano até 17 de julho, 677 casos de sarampo foram confirmados em território nacional. No Amazonas, foram 444 confirmações e mais de 2.500 casos em investigação, enquanto Roraima registrou 216 casos e 160 suspeitas. Os dois estados também noticiaram três mortes: duas em Roraima e uma no Amazonas.

Além disso, outras notificações também foram identificados em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Rondônia, de acordo com o último balanço feito pelo Ministério da Saúde.

Por que o sarampo voltou?

Cobertura vacinal contra sarampo não atingiu a meta de 95% do público-alvo imunizado, prevista pelo Ministério da Saúde
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Cobertura vacinal contra sarampo não atingiu a meta de 95% do público-alvo imunizado, prevista pelo Ministério da Saúde

De acordo com o documento elaborado pela pasta, os surtos da doença estão relacionados à importação. “Isso ficou comprovado pelo genótipo do vírus (D8) que foi identificado, que é o mesmo que circula na Venezuela”, diz a nota do Ministério da Saúde.

Devido à situação política e econômica na Venezuela, o governo deixou de vacinar sua população e, ao receber imigrantes do país vizinho, o Brasil também passou a ficar exposto ao vírus.

A condição, que já foi uma das principais causas de mortalidade infantil por aqui e pode deixar sequelas neurológicas graves, é altamente contagiosa, já que a transmissão ocorre diretamente, de pessoa para pessoa, por meio de tosse, espirros, fala ou respiração.

Contudo, não é justo atribuir toda a culpa do retorno da doença à imigração, conforme pontua o segundo secretário da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) Juarez Cunha. O surto poderia ter sido controlado com a vacina, disponível gratuitamente na rede pública.

“Além da situação na Venezuela, o sarampo já tinha surtos registrados na Europa desde 2016 . Com as quedas das coberturas vacinais e com doenças já eliminadas se aproximando do Brasil, o risco de surtos fica muito maior”, disse.

Segundo o ministério, a meta de vacinação contra o sarampo, que é de 95% do público-alvo, não foi atingida. Dados preliminares referentes ao ano passado indicam que a cobertura no Brasil foi de 85,21% na primeira dose (tríplice viral) e de 69,95% na segunda dose (tetra viral).

Parte do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, duas vacinas compõem a proteção contra a infecção. A mais comum é a Tríplice Viral , que protege ainda contra rubéola e caxumba. Mas o Sistema Único de Saúde também disponibiliza a Tetra Viral, que fornece proteção adicional contra a varicela.

Para Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), apesar de não haver nenhum estudo com precisão que defina o que ocasionou a volta dos casos da condição neste ano, a  falsa sensação de tranquilidade que paira sobre a população desde a eliminação da circulação do vírus teve forte colaboração para a queda de adesão à proteção.

“O desaparecimento das doenças desestimula a procura por vacinas, que é regida pela quantidade de casos notificados da condição. Sabemos que o ser humano procura a prevenção apenas quando se sente sob risco. Quando isso acontece, as vacinas fazem sucesso, a doença é eliminada e a percepção de risco acaba, tanto para população em geral, quanto para os profissionais da saúde”, analisa Kfouri.

Outros fatores que também podem ter colaborado com a baixa procura pela imunização é a dificuldade do acesso às doses. Além da falta de abastecimento em muitos postos de saúde, os horários das unidades não são flexíveis. “Não atendem às mães que trabalham, por exemplo. O acesso fica dificultado, ainda mais porque os postos não abrem de sábado”, apontou o especialista da SBP.

Cunha acrescenta outro ponto de vista ao problema: a disseminação de notícias falsas, principalmente nas redes sociais. “Qualquer divulgação de notícia falsa ou caso isolado de reações adversas à vacina, por exemplo, coloca em risco a credibilidade do imunizante. As pessoas não conseguem diferenciar os riscos da doença natural e o risco da vacina. Assim todo o lado positivo da imunização fica ameaçado”, considera.

A orientação do Ministério da Saúde, da SBP e da SBIm para combater a doença é para que a população se vacine. Para tirar as dúvidas sobre qual vacina tomar e quem deve receber a proteção, veja a lista abaixo.

Tira-dúvidas

Em 2016, especialistas anunciaram que o sarampo havia sido eliminado nas Américas
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Em 2016, especialistas anunciaram que o sarampo havia sido eliminado nas Américas


  • O sarampo voltou?

Sim. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o Brasil vive um surto da doença, concentrado em Roraima e Amazonas, mas há dois casos confirmados no Rio de Janeiro, sete no Rio Grande do Sul, dois no Mato Grosso e um em São Paulo.

  • Como posso me proteger?

A maneira mais eficaz de manter a população imune é a vacinação. Por isso, a meta do Ministério da Saúde é imunizar 95% da população de 12 meses a 49 anos.
Outras medidas que podem ser tomadas para evitar a contaminação são: higienizar as mãos sempre antes de tocar olhos, boca e nariz, antes das refeições, e evitar espirrar e tossir nas mãos.

A circulação do vírus costuma ser maior em ambientes fechados e aglomerados, que devem ser evitados por quem não recebeu a proteção.

  • Há mais de uma vacina que protege contra a doença? As duas estão disponíveis na rede pública?

Sim. Se seguir a rotina do Programa Nacional de Imunizações, crianças de 12 meses a menores de 5 anos de idade recebem uma dose da tríplice viral aos 12 meses e depois outra aos 15 meses de idade da tetra viral. Ambas estão disponíveis gratuitamente nos postos de saúde.

Já as crianças de 5 anos a 9 anos de idade que perderam a oportunidade de serem vacinadas anteriormente acabam recebendo duas doses da vacina tríplice viral, com um intervalo de um a dois meses.

Para quem foi vacinado, o segundo secretário da SBIm faz um alerta: “Até o ano 2000 se fazia a vacina em crianças de 9 meses. Mas o ideal é que a criança seja imunizada após os 12 meses, ou seja, quem foi protegido antes de 1 ano de idade deve buscar a vacina na rede pública, pois não é considerado adequadamente imune”.

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  • Adultos que não se lembram ou não têm certeza se tiveram sarampo precisam se vacinar?

Apesar de ser voltada para o público infantil, adultos e adolescentes que não receberam a vacina podem buscar a proteção nos postos de saúde gratuitamente. “Se a pessoa perdeu o comprovante da vacina e não tem certeza se tomou, o ideal é buscar a imunização. Não tem problema fazer doses a mais, caso a administração já tenha sido feita antes”, garante Juarez.

Para os adolescentes e adultos de até 49 anos há duas recomendações, segundo o Ministério da Saúde: pessoas de 10 a 29 anos devem receber duas doses da tríplice viral, enquanto pessoas de 30 a 49 anos só recebem uma dose da tríplice viral.

  • Quem tem mais de 50 anos pode tomar a vacina?

Segundo o Ministério da Saúde, mesmo se a pessoa com mais de 50 anos não tenha certeza se tomou ou não a imunização, não há necessidade de recorrer à proteção.

“Entende-se que na infância dessas pessoas, como não tinha vacina, a chance delas terem tido a doença é grande, por isso não é preciso receber a dose. Porém, a SBIm recomenda a imunização, já que não dá para ter certeza se o indivíduo teve ou não a condição”, avalia Cunha.

  • Quem já se vacinou precisa tomar reforço?

Não. Segundo o Ministério da Saúde, quem comprovar a vacinação contra o sarampo conforme preconizado para sua faixa etária, não precisa receber a vacina novamente.

  • E quem já teve sarampo?

Também não. Indivíduos com história pregressa de sarampo, caxumba e rubéola são considerados imunizados contra as doenças, mas é preciso certeza do diagnóstico. Na dúvida, é melhor buscar a vacinação.

“Só não vai tomar a vacina quem tiver certeza que já foi vacinado ou teve a doença. E essa certeza é comprovada pelo comprovante na carteira vacinal ou exames que atestam sarampo. Se a pessoa não tiver, melhor ser imunizado. Só a história de que teve a doença ou recebeu a vacina não vale”, pontuou o especialista da SBIm.

  • Bebês estão sob risco da doença?

Bebês de mães que foram vacinadas já nascem com os anticorpos necessários para proteção contra o sarampo, por isso a vacina não é necessária. No entanto, em casos excepcionais de surtos, há indicação de imunizar bebês de 6 meses. No momento, essa medida não é necessária.

  • Gestantes podem se vacinar?

Não. A recomendação do Ministério da Saúde é que as grávidas devem esperar para serem vacinadas após o parto.

Para quem está se planejando engravidar, é ideal ter certeza de que está protegida. Nesses casos, um exame de sangue pode dizer se a pessoa já está imune à doença. Se não estiver, a vacina pode ser tomada um mês antes da gravidez.

  • Há alguma contraindicação da vacina?

“Por se tratar de uma vacina atenuada, com vírus vivos enfraquecidos, imunodeprimidos não devem receber as doses”, aconselha Cunha.

Entende-se como imunodeprimidos aqueles que estejam com a imunidade comprometida seja por alguma doença ou medicação, como pessoas com câncer que estejam recebendo quimioterapia ou que vivem com o vírus HIV.

  • Quais cuidados devo ter após a vacinação?

De acordo com a SBIm,  qualquer sintoma grave ou inesperado após a imunização deve ser notificado ao serviço que realizou a administração da dose. Em caso de febre, a proteção deve ser adiada até que ocorra a melhora do indivíduo. 

"Compressas frias aliviam a reação no local da aplicação. Sintomas de eventos adversos graves ou persistentes, que se prolongam por mais de 24 a 72 horas (dependendo do sintoma), devem ser investigados para verificação de outras causas", complementa.

Tudo sobre sarampo

Sintomas do sarampo incluem febre alta, coriza, conjuntivite e erupções na pele
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Sintomas do sarampo incluem febre alta, coriza, conjuntivite e erupções na pele

O sarampo é uma doença infecciosa aguda , de natureza viral, grave, transmissível e extremamente contagiosa. Complicações infecciosas contribuem para a gravidade do quadro, particularmente em crianças desnutridas e menores de um 1 ano de idade.

Os sintomas incluem febre alta acima de 38,5°C; erupções na pele; tosse; coriza; conjuntivite; e manchas brancas que aparecem na mucosa bucal, conhecidas como sinais de Koplik e que antecedem de um a dois dias antes do aparecimento da erupção cutânea.

A transmissão do vírus acontece de quatro a seis dias antes e até quatro dias após o aparecimento do exantema (erupção cutânea). O período de maior transmissibilidade ocorre dois dias antes e dois dias após o início da erupção cutânea.

Não há um tratamento específico para quem contrai a infecção. A orientação é que a pessoa receba a administração da vitamina A, a fim de reduzir a ocorrência de casos graves e fatais. O tratamento profilático com antibiótico é contraindicado, segundo o Ministério da Saúde.

Para os casos sem complicação, o indicado é manter a hidratação, o suporte nutricional e diminuir a hipertermia. Muitas crianças necessitam de quatro a oito semanas para recuperar o estado nutricional que apresentavam antes do sarampo. Complicações como diarreia, pneumonia e otite média devem ser tratadas de acordo com normas e procedimentos estabelecidos pela pasta.

Situação no mundo

Até 20 de julho, a região das Américas contabilizou 2.472 casos confirmados de sarampo, segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O número é mais de seis vezes superior ao registrado até 6 de abril, quando haviam 385 casos confirmados, o que, de acordo com a entidade, demonstra a velocidade de propagação da doença.

O último boletim epidemiológico da organização aponta que pelo menos 11 países das Américas já notificaram casos confirmados de sarampo até o momento: Antígua e Barbuda (1), Argentina (5), Brasil (677), Canadá (19), Colômbia (40), Equador (17), Estados Unidos (91), Guatemala (1), México (5), Peru (3) e Venezuela (1.613).

Campanha de vacinação

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e o Sarampo acontece de 6 a 31 de agosto, com o chamado Dia D de Mobilização Nacional agendado para 18 de agosto. Todas as crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos devem ser levadas aos postos de saúde – mesmo que já tenham sido imunizadas anteriormente.

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