Tamanho do texto

Sociedade Brasileira de Pediatria divulga nota sobre caso e um faz alerta sobre a assistência médica oferecida a crianças e adolescentes no Brasil

Quando conseguiu a transferência de hospital, o quadro da criança com bronquiolite piorou e Emily não resistiu
Reprodução/Arquivo pessoal
Quando conseguiu a transferência de hospital, o quadro da criança com bronquiolite piorou e Emily não resistiu

Na última terça-feira (24), uma bebê de apenas três meses morreu no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Emily Vitória foi internada com bronquiolite e ficou em um quarto com mofo nas paredes por 15 dias, aguardando transferência, conforme afirmaram os pais da criança.

Leia também: Não confunda com gripe ou resfriado: aprenda a identificar a bronquiolite

O caso chamou a atenção da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) que divulgou nesta sexta-feira (27) uma nota à imprensa afirmando que a instalação precária pode ter piorado o quadro de saúde da bebê com bronquiolite .

Segundo a entidade, houve uma demora na transferência da criança, que só foi obtida com autorização judicial, o que pode ter contribuído para a morte da bebê. Na terça-feira, a bebê chegou a ser levada para o Hospital Jesus, em Vila Isabel, mas não resistiu.

O texto mostra preocupação em relação à assistência oferecida a crianças e a adolescentes no país. Na nota, a SBP pede providências de todos os gestores públicos do Sistema Único de Saúde (SUS) para acabar com o que ela chamou de “sucateamento da rede pública”. Para a Sociedade, esse sucateamento tem dificultado o acesso ao atendimento e impedido o exercício pleno da medicina pelos profissionais.

“O Brasil precisa urgentemente de mais investimentos e de melhor gestão nos serviços do SUS para que tragédias evitáveis, como essa, não voltem a se repetir. Vidas estão sendo perdidas em consequência de medidas equivocadas dos diferentes níveis de Governo, que têm pecado pela omissão”, diz a nota.

Quarto onde a bebê estava internada estava com as paredes mofadas, o que teria agravado o quadro de bronquiolite
Reprodução/Arquivo pessoal
Quarto onde a bebê estava internada estava com as paredes mofadas, o que teria agravado o quadro de bronquiolite

A direção do Hospital Salgado Filho informou que, por meio de um comunicado, que no período em que esteve na unidade, Emily Vitória recebeu os cuidados indicados para o seu quadro, com a medicação prescrita pelos médicos e suporte respiratório. Já a Subsecretaria de Atenção Hospitalar Urgência e Emergência afirmou que abrirá sindicância para avaliar as condições do atendimento.

Leia também: Cremerj denuncia falta de funcionários em hospitais do Rio de Janeiro

O que é bronquiolite?

A bronquiolite começa como um resfriado comum. Progride para tosse, chiado e, às vezes, dificuldade em respirar
shutterstock
A bronquiolite começa como um resfriado comum. Progride para tosse, chiado e, às vezes, dificuldade em respirar

Conhecida como uma das “ doenças do outono e inverno ”, a bronquiolite é comum nesta época do ano, quando os ambientes ficam fechados e a circulação do vírus é maior. A condição afeta, na maioria dos casos, bebês de até 2 anos, quando o sistema imunológico da criança ainda é mais vulnerável.

“São nos primeiros anos de vida, quando o sistema imunológico ainda não está 100% maduro, que pode surgir a condição. Ela é decorrente da inflamação da parte final dos brônquios, os chamados bronquíolos, e os sintomas iniciais são bem parecidos com os de um resfriado”, destaca o Secretário de Estado de Saúde, Sérgio Gama, que também é pediatra.

A doença acontece devido a um processo inflamatório nos bronquíolos. Apesar de se resolver em poucos dias, é preciso estar atento às formas de contaminação, que são semelhantes às de contágio de outras doenças tipicamente dessa época do ano, como a gripe e o resfriado.

O secretário chama a atenção para a proliferação do vírus , que acontece principalmente em locais fechados, por meio de secreções respiratórias e por contato. “Crianças que convivem em ambientes com grande aglomeração de pessoas, compartilham brinquedos com outras crianças, entre outras formas de contato, estão mais suscetíveis à doença”, explica.

O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é considerado o principal causador da doença, que geralmente ocorre de forma branda e gera tosse, coriza, chiado no peito ou mesmo falta de ar – em casos mais graves – e com ou sem a presença de febre. Esses sintomas podem ser confundidos com uma crise de asma, no entanto, no caso da doença os sinais e sintomas não se apresentam com quadros recorrentes.

Leia também: Depois de "morrer" por três minutos, bebê é salvo por técnica de ressuscitação

A condição da doença não costuma ser grave, entretanto, existem casos que exigem hospitalização, especialmente no primeiro semestre de vida. A falta de ar e os ruídos provocados por problemas respiratórios são sinais frequentes de maior gravidade. A qualquer sintoma de bronquiolite , o responsável da criança deve procurar o serviço médico.

*Com informações da Agência Brasil

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.