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Sem sintomas na maioria dos casos, a condição pode se manifestar apenas quando já há risco de morte; saiba os fatores de risco, os tratamentos e mais

Aneurisma de aorta abdominal: saiba como a doença afeta a saúde - principalmente dos homens -  e como preveni-la
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Aneurisma de aorta abdominal: saiba como a doença afeta a saúde - principalmente dos homens - e como preveni-la

Após sentir fortes dores abdominais, o aposentado Vitor Nitsche, hoje aos 73 anos, resolveu procurar ajuda médica. Na época, em 2014, passou por exames e foi diagnosticado com aneurisma de aorta abdominal (AAA). Ele também sofria com  diverticulite  – inflamação no intestino grosso –, mas, segundo conta ao iG , a dor que estava sentindo era diferente.

O aneurisma de aorta abdominal afeta especialmente homens com mais de 65 anos – como é o caso de Nitsche – e ocorre quando há uma dilatação de, pelo menos, 50% no diâmetro normal da aorta, artéria calibrosa que sai diretamente do coração e distribui o sangue para todo o corpo. Na maioria dos casos, o rompimento dela leva à morte.

As causas do aneurisma de aorta abdominal e os fatores de risco

O tabagismo está entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento do aneurisma de aorta abdominal
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O tabagismo está entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento do aneurisma de aorta abdominal

De acordo com Iugiro Roberto Kuroki, radiologista vascular da Alta Diagnósticos, a dilatação ocorre devido a uma fraqueza da parede do vaso. A hipótese mais aceita, segundo ele, é um processo inflamatório crônico na parede vascular, possivelmente relacionada à aterosclerose. A condição deixa os vasos sanguíneos endurecidos e espessos, o que dificulta a passagem de sangue. 

Além disso, outros motivos podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Os mais comuns são fatores hereditários, idade avançada, hipertensão arterial e tabagismo . Na época em que descobriu o aneurisma, Vitor Nitsche chegava a fumar quase três maços por dia, o que corresponde, em média, a 60 cigarros. 

Causas mais raras também podem estar associadas como, por exemplo, infecções, doenças reumatológicas, traumas, doença cerebrovascular e histórico de outro aneurisma vascular. Todos podem contribuir para a degeneração da parede da artéria e a ruptura do aneurisma , quando não diagnosticado a tempo e tratado corretamente. 

Marcelo Calil Burihan, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) Regional São Paulo, explica que a incidência de AAA gira em torno de 5% sem outra doença associada e pode chegar a 12% em portadores de  hipertensão arterial e tabagismo .

“Quando o aneurisma já foi diagnosticado em membros da família próximos (pais e irmãos), o risco pode aumentar e chegar a 25%”, relata o especialista. 

Os sintomas e a importância de realizar exames de rotina 

Realizar exames de rotina ajuda não só a diagnosticar o aneurisma de aorta abdominal como também outras doenças
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Realizar exames de rotina ajuda não só a diagnosticar o aneurisma de aorta abdominal como também outras doenças

Na maior parte dos casos, o aneurisma de aorta abdominal pode ser assintomático – e, por isso, a importância da prevenção. Entretanto, alguns pacientes podem apresentar manifestações clínicas. 

“As mais frequentes são caroço pulsátil na barriga, dor lombar e sinais de isquemia nos pés (postos arroxeados nos pés por falta de circulação, devido aos fragmentos de trombos que se desprendem do aneurisma e obstruem as artérias periféricas)”, expõe o radiologista Roberto Blasbalg, que também atua na  Alta Diagnósticos. 

Detectar a doença em estágio inicial é fundamental para que o tratamento ocorra rapidamente. Caso o aneurisma se rompa, o paciente terá um sangramento dentro da barriga. Isso pode levar à morte antes mesmo de conseguir chegar ao hospital para realizar o atendimento médico de emergência. 

Por se tratar de um problema grave, o presidente da SBACV explica que, para evitar que isso aconteça, é de extrema importância realizar exames de rotina. “O diagnóstico é feito por um exame físico realizado por um especialista na área e, em seguida, confirmado pelo exame de ultrassonografia”, diz. É possível, ainda, detectar pela tomografia computadorizada e por meio  da ressonância magnética.

Tratamentos disponíveis e as chances de sobrevivência 

O procedimento cirúrgico é uma opção para tratar o aneurisma de aorta abdominal; ruptura pode matar
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O procedimento cirúrgico é uma opção para tratar o aneurisma de aorta abdominal; ruptura pode matar

Após a confirmação da doença, chega a hora de tratá-la. Para tanto, são necessários alguns fatores, como as condições clínicas do paciente, além do tamanho e localização do aneurisma. Os de pequenas dimensões, principalmente os menores que quatro centímetros, podem ser acompanhados por meio dos exames de imagem e devem ser monitorados em relação ao crescimento.

Já os pacientes que estão com o aneurisma com diâmetro maior que cinco centímetros e com taxa maior de evolução maior que 0,5 centímetro em seis meses são indicados a realizar cirurgia. O procedimento convencional consiste na substituição do segmento aórtico dilatado por uma prótese tubular ou bifurcada.

“É uma cirurgia de grande porte, feita por uma incisão abdominal. Tem como grande vantagem a longa duração de seus resultados com poucas complicações tardias”, diz Kuroki.

Outra alternativa é o tratamento endovascular, que consiste no implante de uma prótese aórtica introduzida pelas artérias femorais, sem incisões abdominais. A implantação é monitorada por meio da radioscopia em tempo real.

“A vantagem é proporcionar menor taxa de complicações e mortalidade operatória comparada com a técnica convencional, além de menos tempo de internação e recuperação”, completa Blasbalg. 

Como já explicado, o risco de óbito é muito grande com a ruptura. Isso significa que, quanto maior o diâmetro do aneurisma, as chances de rompimento aumentam. Dados da SBACV revelam que, em 12 meses, os riscos são: 

  • 3 a 3,9 cm - 0%
  • 4 a 4,9 cm - 1%
  • 5 a 5,9 cm - 1 a 11%
  • 6 a 6,9 cm - 10 a 22%
  • Mais de 7 cm - 30 a 33%

Para evitar complicações, é necessário seguir o tratamento indicado pelo especialista. “A metade das mortes devido à ruptura do aneurisma de aorta abdominal ocorre antes de chegar ao hospital e, os que chegam ao local com vida, de 30 a 50% morrem por causa da operação de emergência. A mortalidade geral alcança mais de 80% dos doentes”, finaliza Blasbalg.

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