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Pesquisa mostrou que médicas estão mais aptas para investigarem melhor os sintomas da condição quando se trata de outras mulheres do que médicos

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Especialistas acreditam que médicas são mais propensas a "pensar fora da caixa" para encontrar soluções em casos de ataque cardíaco

Se você é mulher e algum dia tiver um ataque cardíaco, é melhor pedir ao hospital para ser atendida por uma médica. O conselho pode parecer incomum, mas de acordo com um novo estudo publicado na revista científica americana Proceedings da National Academy of Sciences, essa opção pode salvar sua vida.

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Uma revisão de quase 582 mil casos de ataque cardíaco  durante quase 20 anos na Flórida confirmou uma teoria antiga: médicas proporcionam retornos mais eficientes a pacientes do sexo feminino.

Os pesquisadores que participaram do estudo acreditam que essa resposta mais eficaz se dá porque as médicas são mais propensas a "pensar fora da caixa" para encontrar soluções para os pacientes que não parecem ter os sintomas mais evidentes - algo que acontece frequentemente com as mulheres, principalmente no caso de infarto .

Já os médicos do sexo masculino tendem a procurar apenas os sintomas clássicos que afetam os homens.

Para um dos líderes do estudo, o professor Seth Carnahan, da Universidade de Washington, em Missouri, nos Estados Unidos, mesmo se tratando de especialistas altamente treinados, a correspondência de gênero entre o médico e o paciente é bastante significativa.

“Nosso trabalho corrobora com pesquisas anteriores, mostrando que as médicas tendem a produzir melhores resultados para os pacientes do que os médicos do sexo masculino. O que estamos apresentando de novidade é o benefício de ter uma médica para uma paciente do sexo feminino", analisou.

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Atendimento de ataque cardíaco e desigualdade de gênero

Muitas vezes, mulheres não apresentam os sintomas mais evidentes de um ataque cardíaco, o que dificulta o diagnóstico
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Muitas vezes, mulheres não apresentam os sintomas mais evidentes de um ataque cardíaco, o que dificulta o diagnóstico

Uma revisão das internações do Serviço de Urgência em casos de ataques cardíacos entre 1991 e 2010 permitiu que os pesquisadores mensurassem fatores importantes como idade, raça e histórico médico dos pacientes, qualidade do hospital e muito mais.

Mesmo considerando esses fatores, descobriu-se que os pacientes do sexo feminino tinham menor probabilidade de sobreviver aos ataques cardíacos do que os pacientes do sexo masculino e que as diferenças de gênero nas taxas de sobrevivência eram mais altas quando se tratavam de atendimentos feitos por médicos do sexo masculino.

Para os pacientes tratados por médicos do sexo feminino, a desigualdade de gênero nas taxas de sobrevivência foi de cerca de 0,2%. Em outras palavras, 11,8% dos homens morreram, enquanto cerca de 12% das mulheres.

No entanto, quando se analisa os pacientes tratados por médicos do sexo masculino, a desigualdade de gênero na sobrevivência mais do que triplicou, passando para 0,7%. Nesse caso, 12,6% dos homens morreram em comparação com 13,3% das mulheres.

Esses fatores atenuantes "sugerem que ter programas de treinamento que sejam mais neutros em termos de gênero, ou mostrar como homens e mulheres podem apresentar sintomas de maneira diferente, poderia melhorar os resultados para pacientes do sexo feminino", apontou Carnahan.

A professora da Harvard Business School, Laura Huang, que também participou do estudo, acrescentou que esses resultados sugerem uma “razão pela qual a desigualdade de gênero na mortalidade por ataque cardíaco persiste”.

"A maioria dos médicos é do sexo masculino e os médicos do sexo masculino parecem ter problemas para tratar pacientes do sexo feminino. O fato de que a concordância de gênero [isto é, homens tratando homens ou mulheres tratando mulheres] se correlaciona com se um paciente sobrevive a um infarto tem implicações sérias."

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Uma variável omitida no estudo foi a descoberta anterior por outros pesquisadores de que as médicas tendem a ter um desempenho melhor do que os médicos do sexo masculino em uma ampla variedade de doenças, não só no atendimento de casos de ataques cardíacos.

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