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Condição afeta 2% da população mundial e pode causar grande impacto negativo no convívio social do indivíduo; tratamentos devem ser feitos a partir de um diagnóstico e seguir a orientação de um dermatologista

Sudorese excessiva sem motivo aparente pode ser sinal de hiperidrose, doença que pode afetar até durante repouso
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Sudorese excessiva sem motivo aparente pode ser sinal de hiperidrose, doença que pode afetar até durante repouso

Suar é normal. Apesar de não ser muito confortável, a sudorese é uma resposta natural do organismo e pode surgir durante a prática de atividades físicas ou em momentos de raiva, nervosismo e estresse. Além disso, o suor ajuda a manter a temperatura do corpo, é por isso que a reação acontece quando está muito calor.

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Mas quando a sudorese passa a ser excessiva e surge sem a presença desses fatores, pode ser um sinal de hiperidrose. O distúrbio atinge 2% da população mundial, e diferentes regiões do corpo podem ser acometidas, como axilas, palmas das mãos, rosto, cabeça, plantas dos pés e virilha.

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, isso acontece porque as glândulas sudoríparas dos pacientes são hiperfuncionantes. “A hiperidrose pode decorrer de diferentes causas, como fatores emocionais, hereditários ou doenças”, afirma a entidade.

Apesar de ser uma condição benigna, pode desencadear problemas relacionados à autoestima, prejudicar a qualidade de vida do paciente e, em casos mais graves, compromete o convívio social, levando ao isolamento.

“A hiperidrose pode afetar todos os aspectos da vida de uma pessoa”, alerta o cirurgião torácico do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, Mario Ghefter.

De acordo com o especialista, a produção demasiada de suor ocorre devido a uma disfunção ainda sem causa conhecida, mas que envolve o sistema nervoso simpático, emitindo mensagens erradas ou exageradas para as glândulas sudoríparas.

Apesar de ainda não haver um exame específico para identificação da doença, o cirurgião ressalta que o diagnóstico é feito através da observação do paciente. “Quando chegam ao consultório, as pessoas já reclamam da quantidade elevada de suor produzido e, principalmente, em momentos que não deveriam suar, como nos dias de frio”, complementa Ghefter.

Sem ligação genética evidente e sem causa conhecida, a hiperidrose primária pode se desenvolver em qualquer momento da vida, sendo mais comum ter início na infância e adolescência.

Segundo o cirurgião, é importante não confundir a hiperidrose primária com outras formas de hiperidrose, ditas secundárias, onde uma doença de base tem como um de seus componentes a sudorese excessiva e em geral é difusa. “Por exemplo, nota-se em algumas doenças, como tireoide e obesidade mórbida. Por essa razão, deve ser feito sempre uma investigação minuciosa das causas”.

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Tratamentos para sudorese excessiva

Cada caso de hiperidrose deve ser avaliado individualmente para indicação de um tratamento para a sudorese excessiva
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Cada caso de hiperidrose deve ser avaliado individualmente para indicação de um tratamento para a sudorese excessiva

Como tratamento paliativo, o especialista recomenda o uso de antitranspirantes especiais, medicamentos para ansiedade, injeção de toxina botulínica (Botox), cremes manipulados, iontoforese (pequenos choques aplicados na região) e remédios à base de oxibutinina, entre outros.

Para um resultado mais eficaz e potencialmente definitivo, o indicado é o procedimento cirúrgico para retirada ou secção do nervo simpático. “Os resultados são imediatos e com satisfação de mais de 99%”, finaliza.

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A SBD reforça que antes de optar por um tipo de tratamento, é preciso determinar a causa da condição, diagnosticando alguma doença ou uso de medicação. A sociedade define algumas das medidas usadas para o controle da condição. Conheça:

  • Antitranspirantes: sudorese excessiva pode ser controlada com fortes antitranspirantes.
  • Medicamentos: drogas anticolinérgicas ajudam a impedir a estimulação das glândulas sudoríparas, mas, embora eficazes para alguns pacientes, são pouco receitadas. Os efeitos colaterais incluem boca seca, tonturas e problemas com a micção. Os betabloqueadores ou benzodiazepínicos podem ajudar a reduzir a transpiração relacionada ao estresse.
  • Iontoforese: procedimento que usa eletricidade para “desligar” temporariamente a glândula do suor e é mais eficaz para a transpiração das mãos e dos pés. As mãos e os pés são colocados em água e, em seguida, liga-se uma leve corrente elétrica. Esta é gradualmente aumentada até que o paciente sinta uma sensação de formigamento. A terapia dura entre 10 e 20 minutos, e requer várias sessões. Os efeitos colaterais, embora raros, incluem bolhas e rachaduras da pele.
  • Toxina botulínica tipo A: toxina botulínica purificada pode ser injetada na axila, nas mãos ou nos pés para bloquear temporariamente a sudorese, sendo seu principal inconveniente a dor na aplicação.
  • Simpatectomia torácica endoscópica (STE): em casos graves, que não respondem aos tratamentos clínicos, pode-se recomendar um procedimento cirúrgico executado por cirurgião tóraxico ou vascular. Este procedimento desliga o sinal que avisa ao corpo para suar excessivamente. Sua melhor indicação é para os casos nos quais as palmas das mãos ou plantas dos pés são acometidas. A principal complicação é começar a suar em outras áreas do corpo, o que chamamos de hiperidrose compensatória.
  • Curetagem e liposucção: em alguns casos de hiperidrose axilar pode ser feita uma “raspagem”, ou mesmo uma liposucção das glândulas sudoríparas e da gordura que está abaixo da pele da axila, aliviando, desta forma, a sudorese .