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Adultos podem receber as doses? Quem já teve sarampo está imunizado? A poliomielite voltou mesmo? Saiba o que é fake news e o que é verídico

A vacina contra sarampo voltou a ser notícia em 2018, após dois surtos da doença no Brasil
Erasmo Salomão/ Ascom/ MS
A vacina contra sarampo voltou a ser notícia em 2018, após dois surtos da doença no Brasil

Até o ano passado, pouco se falava sobre a importância da vacina contra sarampo. Em 2016, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu que a doença havia sido erradicada das Américas e já não se ouvia falar de casos no Brasil desde 2014.

Leia também: Sarampo voltou? Quem deve se vacinar? Especialistas tiram dúvidas sobre a doença

A infecção não assustava os brasileiros há tempos, até que dois surtos eclodiram em território nacional no início deste ano e fizeram a vacina contra sarampo  voltar a ser fortemente recomendada pelo governo.

Diante deste cenário, a campanha de vacinação contra sarampo e poliomielite - outra doença que corre o risco de afetar novamente o Brasil - chegou a ser antecipada em alguns municípios, e as notícias sobre as duas enfermidades passaram a se espalhar com rapidez entre a população.

Porém, nem toda informação divulgada em panfletos, blogs e, principalmente, nas redes sociais é verdadeira. Muitas vezes, as chamadas fake news atrapalham o trabalho sério realizado pelas entidades de saúde, colocando em jogo ações que serviriam para combater doenças.

Pensando nisso, o Ministério da Saúde chegou a colocar em prática, junto a Secretaria de Comunicação da Presidência da República, ações de comunicação para combater as notícias falsas e minimizar os prejuízos causados à população pelo compartilhamento de conteúdos equivocados sobre os efeitos das vacinas contra sarampo e pólio.

Para reforçar esse trabalho, a reportagem do iG decidiu desvendar o que é mito e verdade acerca do que já foi divulgado a respeito das duas infecções. Confira:

Mitos e verdades sobre sarampo e pólio

Segundo o Ministério da Saúde, a vacina contra sarampo é a única maneira de prevenir a doença
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Segundo o Ministério da Saúde, a vacina contra sarampo é a única maneira de prevenir a doença


1. "A volta do sarampo está ligada à crise na Venezuela"

Verdade . De acordo com o documento elaborado pelo Ministério da Saúde, os surtos da doença estão relacionados à importação. “Isso ficou comprovado pelo genótipo do vírus (D8) que foi identificado, que é o mesmo que circula na Venezuela”, diz a nota da pasta.

Devido à crise política e econômica, o governo da Venezuela deixou de vacinar a população e, ao receber imigrantes, o Brasil também passou a ficar exposto ao vírus.

Contudo, não é justo atribuir toda a culpa do retorno da doença à imigração, conforme pontua o secretário da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm), Juarez Cunha. Afinal, o surto poderia ter sido controlado com a vacina, disponível gratuitamente na rede pública do País.

“Além da situação na Venezuela, o sarampo já tinha surtos registrados na Europa desde 2016. Com as quedas das coberturas vacinais e com doenças já eliminadas se aproximando do Brasil, o risco de surtos fica muito maior”, disse.

2. "A vacina contra sarampo é o único meio de evitar a doença"

Verdade. Segundo informações do Ministério da Saúde, a imunização é a única maneira de prevenir a doença. As doses são indicadas uma aos 12 meses de idade e a outra aos 15 meses.

3. "A poliomielite voltou"

Falso . Até o momento, não há indícios de um retorno da pólio. Segundo o secretário da SBIm, o último caso da doença no Brasil foi em 1989. Contudo, o especialista alerta sobre o problema que a falsa sensação de que a doença não oferece perigo pode causar.

“Apesar de ser uma doença eliminada nas Américas desde 1994, a poliomielite continua existindo no mundo. Com toda a facilidade de locomoção entre países, as chances de uma pessoa se contaminar e espalhar o vírus no Brasil existe e, se não houver cobertura vacinal, o risco fica iminente”, explica Juarez.

Um relatório divulgado em julho deste ano pelo Governo Federal mostrou que 312 cidades brasileiras  correm alto risco por estarem com cobertura vacinal abaixo dos 50%.

O levantamento aponta ainda que todos os estados brasileiros possuem municípios que são considerados lugares de risco, com exceção de Rondônia, Espírito Santo e do Distrito Federal. Só em São Paulo, 44 cidades estão em alerta da doença. Municípios da Bahia e do Maranhão são os que menos imunizaram seus moradores nos últimos anos, com apenas 15% de cobertura vacinal.

4. "Adultos não pegam sarampo nem pólio"

Falso . Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, o risco é maior para crianças pequenas não vacinadas. Mulheres grávidas não imunizadas também estão em risco. No entanto, qualquer pessoa não imunizada pode se infectar.

5. "Só se pega sarampo uma vez na vida"

Verdadeiro . Quando uma pessoa contrai a infecção, o organismo desenvolve anticorpos que impedem uma nova contaminação. O mesmo acontece com catapora, rubéola e outras doenças.

6. "Adultos que já se vacinaram contra sarampo devem receber reforço”

Falso . Quem conseguir comprovar a vacinação contra o sarampo não precisa receber a vacina novamente.

Além disso, indivíduos com história pregressa de sarampo, caxumba e rubéola também são considerados imunizados contra as doenças, mas é preciso certeza do diagnóstico. Na dúvida, é melhor buscar a vacinação.

“Só não vai tomar a vacina quem tiver certeza que já foi vacinado ou teve a doença. E essa certeza é comprovada pelo comprovante na carteira vacinal ou exames que atestam sarampo. Se a pessoa não tiver, melhor ser imunizado. Só a história de que teve a doença ou recebeu a vacina não vale”, pontuou o especialista da SBIm.

7. "Adultos não podem tomar a vacina contra sarampo”

Falso . Apesar de a campanha ser voltada para o público infantil, adultos e adolescentes que não receberam a vacina podem buscar a proteção nos postos de saúde gratuitamente.

“Se a pessoa perdeu o comprovante da vacina e não tem certeza se tomou, o ideal é buscar a imunização. Não tem problema fazer doses a mais, caso a administração já tenha sido feita antes”, garante Juarez.

Para os adolescentes e adultos de até 49 anos há duas recomendações: segundo o Ministério da Saúde, pessoas de 10 a 29 anos devem receber duas doses da tríplice viral, enquanto pessoas de 30 a 49 anos só recebem uma dose da tríplice viral.

8. "Idosos e gestantes não podem se vacinar contra sarampo"

Verdade . Segundo o Ministério da Saúde, mesmo se a pessoa com mais de 50 anos não tenha certeza se tomou ou não a imunização, não há necessidade de recorrer à proteção. “Entende-se que, na infância dessas pessoas, como não tinha vacina, a chance delas terem tido a doença é grande, por isso não é preciso receber a dose”, avalia Cunha.

Já em relação às grávidas, a recomendação do Ministério da Saúde é que elas devem esperar para serem vacinadas após o parto.

Para quem está se planejando engravidar, é ideal ter certeza de que está protegida. Nesses casos, um exame de sangue pode dizer se a pessoa já está imune à doença. Se não estiver, a vacina pode ser tomada um mês antes da gravidez.

Vacina contra sarampo e contra pólio

Adultos também podem receber a vacina contra sarampo gratuitamente em postos de saúde
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Adultos também podem receber a vacina contra sarampo gratuitamente em postos de saúde

A poliomielite é prevenida por duas vacinas: a Vacina Oral Poliomielite (VOP), administrada oralmente aos dois, quatro e seis meses de vida, com reforços entre 15 e 18 meses, e entre quatro e cinco anos; além dela, há a Vacina Inativada Poliomielite (VIP), que é injetada aos 15 meses e outra aos quatro anos de idade.

Se seguir a rotina do Programa Nacional de Imunizações, crianças de 12 meses a menores de cinco anos recebem uma dose da tríplice viral. Depois, aos 12 meses e outra ainda aos 15 meses de idade da tetra viral. Ambas estão disponíveis gratuitamente nos postos de saúde e protegem contra o sarampo.

Já as crianças de cinco anos a nove anos, que perderam a oportunidade de serem vacinadas anteriormente, acabam recebendo duas doses da vacina tríplice viral, com um intervalo de um a dois meses.

Para quem já foi vacinado, o segundo secretário da SBIm faz um alerta: “Até o ano 2000, fazia-se a vacina em crianças de nove meses. Mas o ideal é que a criança seja imunizada após os 12 meses, ou seja, quem foi protegido antes de um ano de idade deve buscar a vacina na rede pública, pois não é considerado adequadamente imune”.

Campanha de vacinação no Brasil

Vacina contra sarampo e pólio é disponibilizada até dia 14 de setembro pela Campanha Nacional de Vacinação
Erasmo Salomão/Ascom/MS
Vacina contra sarampo e pólio é disponibilizada até dia 14 de setembro pela Campanha Nacional de Vacinação

Quem ainda não recebeu a vacina contra sarampo e pólio deve procurar os postos de saúde o quanto antes para regularizar a caderneta de vacinação. Apesar de a Campanha Nacional de Vacinação contra Pólio e Sarampo ter sido prorrogada até 14 de setembro , as doses são encontradas o ano todo nas unidades.

"Estamos dando mais uma oportunidade para que essas crianças sejam vacinadas contra a pólio e o sarampo . Vinte estados ainda não atingiram a meta da campanha. É preciso que os gestores de saúde, bem como pais e responsáveis, se conscientizem da importância da vacinação contra essas doenças", declarou o ministro da Saúde, Gilberto Occhi.

"Para estarmos protegidos contra a pólio e sarampo, é preciso atingir a meta de 95% nacionalmente”, completou o ministro, referindo-se ao público-alvo da campanha, que são crianças entre um e quatro anos e 11 meses.

Até agora, a meta foi atingida em apenas sete estados. São eles: Amapá, Santa Catarina, Pernambuco, Rondônia, Espírito Santo, Sergipe e Maranhão.

Já as outras unidades federativas e municípios que não conseguiram chegar neste percentual deverão manter a campanha de vacinação por mais 15 dias. A média de vacinação nacional contra sarampo e pólio está em 88%.

Segundo dados do governo, mais de 1,3 milhão de crianças não recebeu o reforço dessas vacinas. A recomendação é que estados e municípios façam busca ativa para garantir que o público-alvo da campanha seja vacinado.

Entre os estados, o Rio de Janeiro continua com o menor índice de vacinação, seguido por Roraima, Pará, Piauí, Distrito Federal, Acre, Bahia, Rio Grande do Sul, São Paulo, Alagoas, Rio Grande do Norte e Amazonas.

Em todo o País, foram aplicadas mais de 19,7 milhões de doses das vacinas (cerca de 9,8 milhões de cada). 

Vale lembrar que a campanha deste ano é indiscriminada e, por isso, todas as crianças nessa faixa etária devem receber a vacina contra sarampo , independente da situação vacinal.

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