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Taxa de incidência da doença é maior em regiões com extrema desigualdade na distribuição de renda; entenda como a tuberculose pode ser prevenida

Para realizar o estudo, os pesquisadores analisaram 137.698 casos de tuberculose
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Para realizar o estudo, os pesquisadores analisaram 137.698 casos de tuberculose

Casos de tuberculose são mais comuns nos municípios com extrema desigualdade na distribuição de renda. A diferença pode ser percebida tanto na população prisional , que representam cerca de 10,5% dos registros da doença no País, como na população em geral.

Em localidades com boa distribuição de renda, os casos de tuberculose são menos frequentes, conforme foi apontado a pesquisa de doutorado de Daniele Maria Pelissari e do professor Fredi Alexander Diaz Quijano, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP).

O trabalho relaciona a doença com as condições socioeconômicas da população. Segundo o estudo, nas cidades com maior desigualdade a população não encarcerada também está submetida a condições de fragilidade econômica e vulnerabilidade social, o que determina a incidência da tuberculose.

Já nas cidades com melhor condição socioeconômica, as prisões concentram ainda grande número de doentes porque têm condições mais vulneráveis.

“Identificamos que a importância relativa da exposição às prisões sobre a incidência da tuberculose varia segundo as condições socioeconômicas dos municípios. Isso significa que estratégias focalizadas para o fim da tuberculose devem considerar o contexto socioeconômico”, explicou Daniele.

Nas cidades com extrema desigualdade de distribuição de renda, a incidência da tuberculose na população prisional é de 1041,2 pessoas por 100 mil pessoas privadas de liberdade ao ano. Entre a população não prisional, a incidência é de 67,5 pessoas por 100 mil pessoas ao ano.

Já nos municípios com boa distribuição de renda, a incidência de tuberculose na população prisional é de 795,5 pessoas por 100 mil pessoas privadas de liberdade ao ano.

A incidência de tuberculose na população não prisional é de 35,6 pessoas por 100 mil pessoas ao ano.

“A população em geral está bem assistida economicamente, então ela não adoece de uma doença relacionada à pobreza. Quem vai adoecer é quem está na prisão porque as condições são muito precárias”, disse Daniele sobre moradores de cidades com menor desigualdade.

Taxa de incidência de casos de tuberculose

Em 2016, 4.426 casos de tuberculose evoluíram para morte, conforme informou o Ministério da Saúde
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Em 2016, 4.426 casos de tuberculose evoluíram para morte, conforme informou o Ministério da Saúde

No estudo, os pesquisadores avaliaram a associação entre a exposição às prisões, a taxa de incidência de tuberculose e sua interação com a desigualdade da distribuição de renda nos municípios de 2013 a 2015.

Foram analisadas 137.698 pessoas com tuberculose, das quais 10,7% eram privadas de liberdade em 954 cidades que em 2014 tinham pelo menos uma unidade prisional.

Os resultados, segundo a pesquisadora, podem nortear as ações contra a doença de acordo com a situação socioeconômica.

“Por exemplo, intervenções focadas na população prisional teriam um impacto substancial na incidência de tuberculose em cidades com boa distribuição de renda, pois aí a ocorrência da doença está mais concentrada em populações mais vulneráveis”, disse.

No entanto, nos locais com extrema desigualdade na distribuição de renda, as estratégias focalizadas para reduzir os efeitos de fatores socioeconômicos também devem ser priorizadas, segundo Daniele, “pois a população não encarcerada desses municípios também está em condições de vulnerabilidade”.

No estudo, os pesquisadores avaliaram a associação entre a exposição às prisões, a taxa de incidência de tuberculose e sua interação com a desigualdade da distribuição de renda nos municípios de 2013 a 2015.

Foram analisadas 137.698 pessoas com tuberculose, das quais 10,7% eram privadas de liberdade em 954 cidades que em 2014 tinham pelo menos uma unidade prisional.

Os resultados, segundo a pesquisadora, podem nortear as ações contra a doença de acordo com a situação socioeconômica.

“Por exemplo, intervenções focadas na população prisional teriam um impacto substancial na incidência de tuberculose em cidades com boa distribuição de renda, pois aí a ocorrência da doença está mais concentrada em populações mais vulneráveis”, disse.

No entanto, nos locais com extrema desigualdade na distribuição de renda, as estratégias focalizadas para reduzir os efeitos de fatores socioeconômicos também devem ser priorizadas, segundo Daniele, “pois a população não encarcerada desses municípios também está em condições de vulnerabilidade”.

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Em 2016, foram registrados 4.426 óbitos por tuberculose, resultando em um coeficiente de mortalidade igual a 2,1 óbitos a cada 100 mil habitantes, que apresentou queda média anual de 2,0% de 2007 a 2016.

No ano passado, o Ministério da Saúde lançou o Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública, que ratifica o compromisso com a Organização Mundial de Saúde (OMS) de reduzir a incidência da doença na população mundial, que hoje é de aproximadamente 100 casos para cada 100 mil habitantes.

A meta é chegar, até o ano de 2035, a menos de 10 casos por 100 mil habitantes. Juntamente com a redução da incidência, o Brasil também assume o compromisso de reduzir o coeficiente de mortalidade para menos de 1 óbito por 100 mil habitantes.

Sintomas, diagnóstico e prevenção

Casos de tuberculose podem ser identificados por dores no peito, febre e tosse
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Casos de tuberculose podem ser identificados por dores no peito, febre e tosse

A infecção acontece quando uma pessoa inala múltiplas vezes a bactéria, a qual é transmitida através das secreções respiratórias de pessoas que têm a Tuberculose Pulmonar, principalmente pela tosse, espirros e fala. Portanto, é necessário um contato próximo e prolongado com alguma pessoa que tenha a doença ativa. Quanto mais fechado, pouco ventilado e arejado o ambiente, maior a chance de contágio.

De acordo com Maurício Ota, médico radiologista da Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI), o principal sintoma da tuberculose pulmonar é a tosse seca ou produtiva, persistente por três semanas ou mais.

“Outros sintomas incluem febre baixa vespertina, sudorese noturna, emagrecimento, cansaço ou fadiga. A forma extrapulmonar ocorre mais comumente em pessoas que apresentam comprometimento imunológico como HIV positivo ou AIDS”, explica o especialista em radiologia do tórax e abdômen.

O diagnóstico é realizado pela avaliação médica da história e exame físico do indivíduo e auxílio da radiografia de tórax e de testes de diagnósticos realizados em amostras da secreção respiratória para detecção da bactéria (baciloscopia e cultura do escarro).

“Nesse momento com os dados clínicos e dos exames, o médico fará a diferenciação da doença com outras doenças pulmonares semelhantes. Se não for possível o diagnóstico neste ponto, outros exames deverão ser realizados. No caso de suspeita de tuberculose em outros órgãos, outros tipos de exames são realizados, como biópsias”, explica Carneiro.

A prevenção da doença se dá a partir de diversas frentes de ação. A primeira delas é o diagnóstico e tratamento das pessoas doentes o mais rápido possível, pois quanto mais rápido o início do tratamento menor a possibilidade transmissão para outras pessoas.

Outra medida importante é a pesquisa ativa dos contatos dos doentes, ou seja, investigar a presença da bactéria em pessoas que tiveram contato prolongado com o doente (familiares, colegas de trabalho, etc.), instituindo o tratamento precoce na infecção latente, prevenindo que essas pessoas desenvolvam a doença também.

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“A vacinação contra tuberculose previne somente de formas graves da doença, e aparentemente não contribui para a redução das taxas de casos de tuberculose pulmonar”, finaliza Maria Cristina Marquez Carneiro.

*Com informações da Agência Brasil

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