Tamanho do texto

Passar por situações de fortes emoções pode fazer o organismo produzir compostos que agem sobre o sistema cardiovascular, provocando infarto

Pacientes com alguma doença cardíaca devem ficar ainda mais atentos, pois estão mais propensos a morrer de emoção
shutterstock
Pacientes com alguma doença cardíaca devem ficar ainda mais atentos, pois estão mais propensos a morrer de emoção

Parece força de expressão dizer que alguém pode morrer de emoção, mas a possibilidade pode ser bastante plausível, considerando a maneira que o organismo reage quando é exposto a alguns sentimentos como raiva, nervosismo e excitação.

Leia também: Pareciam gases, mas era infarto: sinais são mais inespecíficos em mulheres

Tanto as sensações positivas, como um reencontro inesperado com alguém querido, ou negativas, como um assalto ou perda de um familiar, elevam o nível de estresse do organismo. Por isso, sim, é possível morrer de emoção .

O cardiologista Diego Garcia explica o motivo: essas situações promovem a liberação de catecolaminas, como a adrenalina, que agem sobre o sistema cardiovascular aumentando a pressão arterial e a frequência cardíaca, além de ampliar a força de contração do músculo do coração. Esse processo faz parte do mecanismo protetor natural do organismo, conhecido como mecanismo de luta ou fuga.

Na última quarta-feira (19), a apresentadora Xuxa Meneghel usou sua rede social para contar que um fã argentino, Hernan Mondragon, faleceu após encontrá-la no aeroporto de Ezieza, em Buenos Aires. Segundo a apresentadora, o fã se emocionou, começou a passar mal e não resistiu. De acordo com a sua assessoria de imprensa, Hernan já sofria com problemas cardíacos.

Leia também: Mulheres com ataques cardíacos sobrevivem mais quando atendidas por médicas

“O problema pode ocorrer porque alguns pacientes têm alguma cardiopatia prévia (artéria obstruída, arritmias, etc) e não sabem que são portadores, muitas das vezes por não sentirem nada. As emoções fortes agem como gatilho nessas situações, provocando um Infarto Agudo do Miocárdio ou arritmia que podem ser fatais” afirma o especialista. Pessoas que apresentam fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardíacas como obesidade, tabagismo e sedentarismo também estão entre o grupo de risco.

Um estudo publicado no The Lancet , realizado por pesquisadores ligados a Hasselt University, na Bélgica, listou os principais gatilhos que podem causar o infarto. Entre as 700 mil pessoas analisadas, as emoções positivam representaram 2,4% dos casos de infarto e as negativas 3,9%.

Leia também: Vacina que combate o colesterol poderá chegar ao mercado em seis anos

Morrer de emoção pode não ser muito comum, mas como não há maneira de controlar as sensações, é essencial estar sempre atento à saúde do coração. “Se tiver alguma doença cardiológica não deixe de tratá-la de forma adequada e seguir as recomendações do seu médico. Se ainda não tem, cuide para não ter praticando atividade física regular, se alimentando de forma saudável, realizando controle do peso, cessando tabagismo e gerenciando o estresse”, indica Diego.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.