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Procedimentos que foram liberados pela agência na última semana apresentaram resultados significativos na sobrevida de pacientes

Novos tratamentos para o câncer incluem procedimentos para pacientes com tumor no rim e na próstata
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Novos tratamentos para o câncer incluem procedimentos para pacientes com tumor no rim e na próstata

Na última semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou três novos tratamentos para o câncer. Dois deles são destinados a pacientes com câncer nos rins e outro para câncer de próstata.

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Um dos novos tratamentos para o câncer nos rins é destinado a quem for diagnosticado com carcinoma de células renais. Esses pacientes devem contar com uma nova indicação terapêutica, resultado da combinação de dois produtos biológicos usados em tratamentos oncológicos.

Os medicamentos são o Opdivo (nivolumabe) e o Yervoy (ipilimumabe), que integram o rol de novas opções de terapias para o combate ao câncer , denominadas imunoterapias.

A nova indicação aprovada pela Anvisa é direcionada para o tratamento de primeira linha em pacientes adultos com carcinoma de células renais de risco intermediário ou alto.

Anteriormente, o Opdivo já havia sido aprovado para o tratamento de carcinoma de células renais avançado, após terapia prévia antiangiogênica (segunda linha de tratamento).

De acordo com informações do portal do Hospital Sírio-Libanês, o câncer de rim é o terceiro mais frequente do aparelho geniturinário (sistema de órgãos formado pelo rim, ureter e bexiga) e representa aproximadamente 3% das doenças malignas de adultos.

Uma estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), publicada no portal do Instituto Oncoguia, mostra que em 2018 o Brasil deverá registrar 6,2 mil novos casos de câncer do rim.

A agência também aprovou o registro de um novo medicamento para o tratamento de carcinoma de células renais (CCR) avançado. O produto é o Cabometyx (levomalato de cabozantinibe), que será comercializado na forma farmacêutica de comprimido revestido, nas concentrações de 20 mg, 40 mg e 60 mg.

O remédio, segundo a Anvisa, é indicado para adultos não tratados previamente (primeira linha) e para pacientes que já passaram por outro tratamento (segunda linha).

A agência informou que a aprovação do Cabometyx para casos não tratados previamente foi feita com base em um estudo internacional que mostrou que o componente cabozantinibe provocava benefício clínico significativo na sobrevida livre de progressão da doença, com um aumento de sobrevida de 5,6 meses para 8,2 meses.

"Também foi verificado um resultado positivo na taxa de resposta objetiva, que passou de 18% para 46% em relação ao tratamento padrão com sunitinibe, em pacientes com CCR avançado, de risco intermediário ou baixo, não tratados previamente. Essa taxa é calculada com base na proporção de pacientes com redução do tamanho do tumor em uma dimensão predefinida e por um período de tempo mínimo", escreveu a Anvisa.

Para pacientes com câncer de próstata , foi aprovado o registro do medicamento Erleada (apalutamida), que será comercializado na forma farmacêutica de comprimido revestido, na concentração de 60 miligramas (mg).

De acordo com a agência, o remédio, com dose de 240 mg (quatro comprimidos revestidos de 60 mg), em combinação com terapia de privação androgênica (castração medicamentosa ou cirúrgica), é indicado para o tratamento de pacientes adultos com câncer de próstata não metastático resistente à castração.

Novos tratamentos para o câncer de próstata

Novos tratamentos para o câncer de próstata podem ajudar a aumentar a qualidade de vida dos pacientes
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Novos tratamentos para o câncer de próstata podem ajudar a aumentar a qualidade de vida dos pacientes

Essa não é a única novidade no tratamento de homens com câncer de próstata . Antes, esses pacientes costumavam ser submetidos a 40 sessões de radioterapia para realizar o tratamento da doença. Com uma terapia chamada hipofracionamento moderado, é possível que esse número seja reduzido pela metade. No entanto, uma nova técnica que está começando a ser utilizada por hospitais brasileiros tem permitido diminuir a quantidade para apenas cinco.

As primeiras iniciativas da radioterapia ultra hipofracionada já é oferecida no tratamento do câncer de próstata há alguns meses no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo e no Mãe de Deus, em Porto Alegre. O A. C. Camargo Cancer Center adotou a abordagem em dois casos em julho.

O procedimento é baseado em altas doses de radiação sobre o tumor, o que permite menos aplicações do que as técnicas convencionais. Conhecida também como hipofracionamento extremo ou SBRT, a terapia já é usada para tratar alguns outros tipos de câncer, como o de pulmão, por exemplo.

Além de permitir que as sessões diminuam, a abordagem também torna as sessões mais rápidas: o tempo, que costuma ser de 25 minutos, cai para oito.

Alguns estudos mostraram que a abordagem deve ficar restrita a pacientes com câncer de próstata, de risco baixo ou intermediário. Já os homens com problemas crônicos no trato urinário não devem procurar o tratamento, pois há risco de efeitos colaterais, como ardor e aumento da frequência urinária.

Apesar de ter sido bem aceito após dez estudos clínicos com alto nível de evidência, conduzidos em grandes centros de pesquisa, que comprovaram a eficácia da técnica, o modelo ainda está longe de ser acessível.

A popularização depende da disposição de aparelhos e modelos de remuneração com uma tecnologia que permita monitorar a localização precisa do tumor.

  • Como identificar o câncer de próstata?

Um dos maiores problemas da doença é que ela só tem chances reais de cura se diagnosticada na fase inicial, quando ainda não apresenta sintomas. Por isso, é de extrema importância que o homem faça o acompanhamento médico para realização do exame do toque retal e a medição dos níveis do PSA, o Antígeno Prostático Específico, substância produzida pelas células da glândula prostática - que são os procedimentos disponíveis até o momento.

A doença é silenciosa, mais um motivo para dificultar o diagnóstico, mas quando apresenta sintomas, eles podem ser sangramento na via urinária e dor. Quando isso acontece, geralmente o tumor já está em fase avançada.

Enquanto os homens em geral devem iniciar os exames periódicos a partir dos 50 anos, aqueles com histórico familiar, negros e obesos devem começar com 45, já que, estatisticamente, têm uma incidência maior de câncer de próstata.

O problema também é mais prevalente nas populações que ingerem uma quantidade maior de gordura animal. “A população americana tem mais câncer de próstata do que a japonesa. E um dado interessante é que, quando o japonês migra para os Estados Unidos, a segunda geração acaba tendo a mesma incidência da doença da população americana, porque essa geração adquire os costumes alimentares dos Estados Unidos.”

  • Como é feito o tratamento?

Primeiro, o especialista avalia o grau de agressividade do câncer. Caso seja pouco agressivo, o paciente passará apenas por um acompanhamento chamado vigilância ativa, sem nenhum tipo de tratamento específico, que só deve ocorrer se o tumor progredir.

Já os tipos de câncer de próstata mais agressivos exigem a cirurgia para a remoção da próstata e a radioterapia, que é um tratamento que foca na região onde está o tumor.

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Entre as opções de novos tratamentos para o câncer de próstata estão o IGRT (radioterapia guiada por imagem), com pouca oferta no Brasil e sem ressarcimento pelo SUS e pelas operadoras. O Calypso, recém-instalado pelo Sírio Libanês, também trabalha com a emissão de sinais que proporcionam uma radiação certeira no tumor.


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