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A dor no ombro, ou síndrome do ombro doloroso, é uma condição muito comum e que pode surgir em pessoas de diferentes idades, independente do sexo ou condição social. O problema pode ter origem em qualquer uma das várias estruturas que formam o ombro, a articulação de maior mobilidade do corpo humano. Porém, em cerca de 40% dos casos, as dores são causadas por lesões crônicas dos tendões, as chamadas tendinopatias.

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dor no ombro
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Saiba o que é tendinopatia, quais as causas da condição e quando é hora de fazer cirurgia

As causas são variadas, entre elas encurtamento muscular, falhas posturais e de alongamento, formato do osso acrômio. Desse modo, o problema costuma aparecer em pessoas que trabalham com movimentos repetitivos dos braços acima da linha dos ­ombros, como pintores de parede e cabeleireiras. Também é comum que atletas de esportes como tênis, natação, vôlei, handebol e pólo aquático tenham tendinopatias .

Apesar de poder acontecer com qualquer um, a dor no ombro geralmente aparece quando a meia-idade se aproxima. Isso acontece pelo desgaste natural dos tendões. Assim, as tendinopatias relacionadas ao envelhecimento dos tendões atingem aproximadamente 2% da população mundial.

“Em crianças e jovens, a ocorrência é bem mais rara e quase sempre está relacionada à prática esportiva”, informa o Dr. Benno Ejnismann, ortopedista do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).

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Outra característica é que a dor quase sempre é vaga, podendo irradiar para o braço e pescoço. Além disso, ela aumenta com a repetição de movimentos. Também é comum que a dor se intensifique durante a noite, com a pessoa deitada, independentemente da posição.

Dor no ombro é mais frequente na meia-idade

No estágio I da tendinopatia , que em geral acomete jovens pela prática de atividade esportiva. Por isso, o tratamento clínico, com repouso do ombro, aplicação de gelo e analgesia costuma ser eficaz na maioria dos casos. Em pacientes jovens, é recomendável a realização de exames complementares para diagnóstico diferencial de tendinite calcárea (deposição de cálcio dentro dos tendões), mais frequente nessa faixa etária.

Já entre pessoas de 40 aos 50 anos, são mais comuns as tendinopatias do tipo II. Elas são resultantes de fibroses de processos anteriores, tornando indicado o tratamento fisioterápico e medicamentoso com anti-inflamatórios. “Nesse estágio, a indicação de cirurgia não chega a 40% dos casos”, explica o Dr. Benno.

A partir dos 50 anos de idade, cresce a incidência de rupturas parciais e totais de um ou mais tendões. São as tendinopatias do tipo III. Mesmo nessas situações a conduta clínica pode ser eficiente em grande parte dos casos.

“A cirurgia torna-se a conduta recomendada quando a lesão atinge mais de 50% da espessura do tendão e não há boa resposta ao tratamento clínico”, diz o Dr. Breno Schor, ortopedista do HIAE. Segundo ele, se não for adequadamente tratada, as tendinopatias nesse estágio tendem a evoluir para problemas mais graves, como a artrose, doença que provoca dores, perda de força muscular e limitação de movimentos.

A cirurgia torna-se a conduta recomendada quando a lesão atinge mais de 50% da espessura do tendão e não há boa resposta ao tratamento clínico.

Cirurgia

Para esses casos, é indicado a artroscopia, intervenção cirúrgica minimamente invasiva. Esse é o recurso mais utilizado para a reparação dos tendões . Com a evolução da técnica, o procedimento vem se tornando cada vez mais cômodo para o paciente.

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Três ou quatro incisões com 4 a 5 milímetros cada possibilitam ao cirurgião recolocar e fixar o tendão no ponto em que se soltou, remover as lesões e os processos inflamatórios. Em geral, o procedimento dura cerca de uma hora, e o tempo de internação não costuma superar um dia.

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