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Empresa americana de biotecnologia recebeu aprovação para fazer testes com pacientes de hospital londrino

Ampolas de células-tronco em um banco de células no Reino Unido
Getty Images
Ampolas de células-tronco em um banco de células no Reino Unido
Uma empresa americana de biotecnologia anunciou esta quinta-feira (22) que começará em breve testes inéditos com células-tronco embrionárias humanas, no tratamento experimental de pessoas que sofrem de uma forma de cegueira juvenil.

A companhia Advanced Cell Technology (ACT), com sede em Massachusetts (EUA), informou que os testes serão feitos com 12 pacientes que sofrem da doença de Stargardt no Hospital de Olhos Moorfields, em Londres, e que outras instalações europeias estão nos planos futuros da empresa.

"Esta é a primeira vez que um teste com células-tronco embrionárias é aprovado em outra parte do mundo além dos Estados Unidos", disse Bob Lanza, diretor de gestão científica da ACT e pesquisador experiente de células-tronco embrionárias.

A aprovação para iniciar os testes europeus foi concedida pela Agência Regulatória de Medicamentos e produtos de Saúde e pelo Comitê Consultivo de Terapia Genética, ambos do Reino Unido, informou a ACT.

A mesma companhia foi a primeira a realizar um teste nos Estados Unidos com células-tronco embrionárias para tratar a doença de Stargardt em novembro de 2010, seguida em janeiro de um segundo teste do método em pacientes com degeneração macular senil.

Leia: Células-tronco são testadas em humanos para tratar cegueira

Até agora, apenas dois pacientes foram tratados no âmbito destes testes iniciais, que visam sobretudo a verificar se o tratamento é seguro antes de ver se e como funciona.

"Estamos muito satisfeitos com os resultados até agora. Estamos no processo de agendar os dois próximos pacientes para cada um dos dois testes (americanos)", disse Lanza à AFP.

O uso de células-tronco embrionárias humanas, que podem dar origem a qualquer célula do corpo humano, vem sendo defendido por cientistas como tendo um grande potencial regenerativo contra uma série de males, de lesões na medula espinhal ao mal de Parkinson, à cegueira e ao diabetes. No entanto, a tecnologia tem despertado objeções de críticos conservadores e religiosos, que dizem que ela deveria ser banida porque a extração de células envolve a destruição de embriões humanos.

O ex-presidente americano George W. Bush bloqueou o financiamento do governo às pesquisas com células-tronco embrionárias humanas para novas linhagens de células alegando razões religiosas, um veto que seu sucessor, Barack Obama, suspendeu em 2009. Uma extensa batalha legal se seguiu e em julho um juiz federal americano rejeitou uma ação judicial que havia bloqueado temporariamente o financiamento público a estas pesquisas. A medida foi celebrada pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, que destinaram cerca de US$ 40 milhões às pesquisas com células-tronco embrionárias em 2010 e reservaram outros US$125 milhões este ano, uma pequena parte de seu orçamento, de US$ 31 bilhões.

Enquanto isso, companhias privadas, como ACT e Geron, que no ano passado iniciou um teste nos EUA usando estas células para tratar a paralisia, têm sido capazes de evitar grande parte da controvérsia ao assegurarem seu próprio financiamento nos testes preliminares e atendendo às mais estritas regulamentações governamentais.

Outra grande preocupação que ronda estas pesquisas é a possibilidade de que as células-tronco gerem tumores, mas a ACT afirma não haver evidências disto demonstradas nos testes até agora. O método da ACT envolve o uso de células-tronco embrionárias derivadas de células do epitélio pigmentar da retina (EPR), ou seja, a camada pigmentada da retina.

As células são injetadas nos olhos de um paciente cujas células EPR estejam danificadas. Os pacientes que sofrem da doença de Stargardt, formalmente conhecida como distrofia macular de Stargardt, costumam ter visão embaçada, dificuldade de enxergar com pouca luz e, eventualmente, perdem totalmente a visão. A doença, que não tem cura, pode ser herdada quando os dois pais têm a mutação genética que a causa.

O tratamento em teste pela ACT funcionou em animais, gerando uma abundância de novas células RPE.Testes feitos em ratos demonstraram uma melhora de 100% no desempenho da visão e uma "função quase normal" também foi alcançada em camundongos, ambos sem efeitos colaterais, informou a ACT.

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Calcula-se que entre 80.000 e 100.000 pessoas nos Estados Unidos e na Europa sofram da doença de Stargardt, que é uma das formas mais comuns de cegueira juvenil no mundo e pode se manifestar a partir dos seis anos.

Se o tratamento funcionar em humanos, a ACT acredita que poderá levá-lo a um mercado muito mais amplo. Este pode incluir outras doenças da retina, como a degeneração macular, que afeta 30 milhões de pessoas nos Estados Unidos e na Europa e "representa um mercado global de US$ 25-30 bilhões, cuja demanda precisa ser efetivamente atendida", destacou a empresa em um comunicado.

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