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Líder de afastamento no trabalho, a dor pode ser sintoma de várias doenças. Leia aqui as possíveis causas para dores nas costas e como lidar com elas

Diversos problemas de saúde podem estar por trás de uma dor nas costas. A experiência dolorida é a líder de causas de afastamento no trabalho , conforme levantamento feito pelo iG Saúde  no banco de dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 80% da população mundial sofre com  dor nas costas . Por aqui, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) estima que cerca de 27 milhões de brasileiros com mais de 18 anos têm problemas no local.

E a explicação para tanta gente com dor na coluna não é simples. De acordo com os especialistas, além de traumas físicos, a obesidade, a osteoporose, os tumores e a artrite são só alguns exemplos que podem resultar no problema.

Dor nas costas afeta 80% da população mundial
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Dor nas costas afeta 80% da população mundial




Traumas e maus hábitos

Quando a dor nas costas é resultante de um trauma (quedas, batidas, acidentes de carro), a dor é intensa e aguda, e tende a passar em alguns dias, com auxílio de medicamentos prescritos pelos médicos.

Mas, por vezes, devido aos maus hábitos, o corpo cobra essa fratura em longo prazo. Ou seja, os anos que passamos sentados de forma inadequada e despreocupada em frente ao computador, por exemplo, podem resultar em uma dor que aumentará a intensidade com o passar do tempo e durará meses.

Por isso, é preciso atenção à postura no dia a dia, que deve ser corrigida, conforme explica a Universidade do Estado de Minas Gerais, em um estudo publicado. O primeiro ponto a ser ajeitado é a posição do monitor ou notebook, que deve ficar na altura nos olhos. Dessa forma, a pessoa consegue trabalhar olhando para frente, sem que seja necessário abaixar a cabeça para ver a tela.

Na hora em que for se sentar, é necessário formar um ângulo de 90° entre o joelho e a perna e, com isso, os pés devem encostar no chão. Especialistas recomendam não cruzar as pernas. A coluna, por sua vez, precisa ficar ereta, com as costas corretamente apoiadas no encosto da cadeira. 

Ilustração mostra como deve ser a postura ao se sentar na frente do computador
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Ilustração mostra como deve ser a postura ao se sentar na frente do computador


Envelhecimento, osteoporose e estresse

O envelhecimento natural do corpo também pode trazer, como sequela, a dor nas costas. Os ossos da coluna vertebral e a cartilagem entre uma vértebra e outra (que protegem do atrito) ficam desgastados. Isso provoca sintomas doloridos e a melhor forma de evitar é fazer exercícios físicos com regularidade, inclusive após os 60 anos, sempre com orientação de um profissional.

Esse processo de desgaste ósseo pode ser acelerado pelo estresse, já que, de acordo com a Comissão de Coluna da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, as costas são um órgão de choque. As experiências estressantes, portanto, desencadeiam liberação de hormônios como a adrenalina, provocando tensão nos músculos. O corpo reage com dor.

Além do passar dos anos e do estresse, a osteoporose - provocada por fatores genéticos e por falhas na alimentação - também está associada à dor nas costas (além das pernas).

Leia também: Osteoporose: saiba como prevenir e tratar a doença 

Após a menopausa, as mulheres são as vítimas mais numerosas deste mal, devido à alteração hormonal típica do período, em que os níveis de estrogênio diminuem, deixando os ossos mais frágeis. A prevenção também é possível por meio de atividades físicas e, além dela, a Academia Brasileira de Nutrição orienta um consumo adequado de cálcio, um dos nutrientes com maior efeito protetor aos ossos e às dores.

Obesidade

O excesso de peso pode afetar as costas em cheio. A parte do corpo responsável pela sustentação do esqueleto fica sobrecarregada pelos quilos extras e, como consequência, “reclama” em forma de dor. Calcular o Índice de Massa Corporal (IMC) permite identificar se o peso está saudável.

O cálculo é simples: basta dividir o peso por (altura X altura). Uma pessoa, por exemplo, que pesa 70 kg e tem 1,60m de altura está com IMC em 27,34 – o que corresponde a sobrepeso/pré-obesidade. É importante ficar atento ao resultado para procurar um profissional que irá indicar os melhores tratamentos para as dores que venha a sentir.

Conheça os níveis:

  • Abaixo do peso: < 18,5
  • Peso normal: 18,6 - 24,9
  • Sobrepeso/pré-obesidade: 25,0 - 29,9
  • Obesidade Grau I: 30,0 - 34,9
  • Obesidade Grau II: 35,0 - 39,9
  • Obesidade Grau III: Acima de 40

Para prevenir esta condição, a dieta balanceada é a melhor forma. Conforme explica a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), incluir verduras, legumes e frutas na alimentação é essencial. Ao mesmo tempo, é importante reduzir o consumo de alimentos com sal, açúcar e gordura em excesso.

Praticar exercício físico também é necessário. Pequenas atitudes no dia a dia, como trocar o elevador por escada e subir a pé, já ajudam o corpo a se movimentar. A caminhada é uma boa opção para deixar o sedentarismo de lado e começar uma atividade. Além disso, é indicado sempre manter uma garrafa de água por perto para não esquecer de se hidratar.

Ter uma alimentação saudável e praticar exercícios físicos ajudam a prevenir a obesidade
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Ter uma alimentação saudável e praticar exercícios físicos ajudam a prevenir a obesidade



Carregar peso

Outro ponto alertado pelos ortopedistas é o excesso de peso carregado nas bolsas e mochilas que, da mesma forma, acarretam prejuízos. O modo como são carregados também influenciam.

Em crianças e adolescentes, é comum o uso de mochilas para ir à escola. O ortopedista Dr. Bruno Fontes, de Belo Horizonte, informa que o peso do acessório não deve ultrapassar de 10% a 15% ao do corpo. Vale destacar também que o item precisa, necessariamente, ser carregado pelas duas alças e não em apenas um dos ombros. Para não precisar se preocupar, os modelos de rodinha são bem-vindos.

No caso da bolsa, o especialista explica que ela deve permanecer na altura da curva da região lombar. Se ela estiver posicionada acima ou abaixo disso, a postura da pessoa será prejudicada e, como resultado, irá sentir dor.

Traumas psicológicos

Os pesquisadores da Sociedade Brasileira de Estado da Dor (SBED) começaram a pesquisar a influência de traumas psicológicos nas dores. Violência urbana, doenças na família, desilusões amorosas podem acarretar o efeito colateral das dores nas costas.

Artrite, tumores e outras doenças

Outro ponto que merece destaque é que a dor nas costas pode ser um aviso de outros problemas de saúde não diretamente ligado aos ossos. Um problema renal, por exemplo, pode ser confundido inicialmente com dores nas costas

A artrite, que não está necessariamente ligada ao envelhecimento, também é outra doença relacionada. Da mesma forma, as hérnias podem ser as causadoras da dor.

Em casos mais raros, tumores nos ossos também podem ser as causas primárias da dor nas costas e, por isso, a recomendação os especialistas é não negligenciar este sintoma se ele tiver duração superior a sete dias.

Leia também: Sofre com dores nas costas? O problema pode ser maior que isso; entenda

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