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Estudo aponta “sentimentos bons” como causa de 2,4% dos infartos mundiais

Pesquisa mostra que emoções positivas bruscas podem fazer mal ao coração
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Pesquisa mostra que emoções positivas bruscas podem fazer mal ao coração
A felicidade exagerada e a tristeza profunda, no início, afetam o coração de forma muito parecida.

“As duas provocam descarga de hormônios, aceleram os batimentos cardíacos e elevam a pressão arterial", explica a psicóloga especializada em pacientes cardíacos, Ana Lúcia Martins e Silva. Em quem já tem predisposição à doença, ambas podem ser o ponto de partida de um infarto.

Veja como o infarto dentro do corpo

De fato, as sensações positivas e negativas foram colocadas no mesmo grupo de perigo cardíaco, segundo estudo publicado, em fevereiro, no The Lancet – um dos principais veículos científicos do mundo.

Os pesquisadores fizeram uma revisão de 36 pesquisas, envolvendo mais de 700 mil pessoas, e apontaram que ambas estão entre os 10 principais gatilhos de infarto mundiais. Segundo o ranking, as emoções negativas são responsáveis por 3,9% dos casos. Já as positivas, 2,4%. No mesmo ensaio, o trânsito foi considerado o principal vilão do coração, como motivo de 7,6% das panes cardíacas. Veja o ranking aqui

“Toda emoção, de qualquer tipo, mexe com o sistema nervoso central”, explica o médico Elias Knobel, que coordena a Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Albert Einstein e é autor do livro Coração...É emoção (Ed. Atheneu). “Mas não podemos afirmar, por exemplo, que a felicidade extremada é a causa do infarto. Ela, provavelmente, agrava uma situação de risco cardíaco que já existe”, completa o médico.

A psicóloga Ana Lúcia acrescenta que até a síndrome do coração partido – referente aos casos de pacientes que ficaram com o coração doente especialmente por fatores emocionais - não necessariamente são desencadeados por sensações ruins. “O principal estudo feito sobre síndrome de coração partido (publicado em 2005 no veículo especializado do New England) trouxe como um dos casos analisados uma senhora (de 73 anos) que teve o problema cardíaco por causa de uma festa surpresa.”

E agora?

Os especialistas alertam que as sensações positivas são muito mais perigosas quando bruscas ou intempestivas. Não seriam tão danosas, caso o receptor de tal sensação tivesse o músculo cardíaco fortalecido por hábitos saudáveis, boa alimentação e exercícios físicos.

O médico Knobel ressalta que ninguém precisa ter as sensações boas. A tática é inversa. “Felicidade faz bem para tudo e para qualquer doença, mas sozinha não resolve muita coisa”, diz. “Sempre é bom alertar que hipertensos felizes ou obesos felizes podem ter problemas”, alerta.

Andrea Castelli, responsável pelo gerenciamento de doenças crônicas de um grupo empresarial, traz outras informações favoráveis às sensações positivas. “O tempo de exposição ao sentimento também é determinante para acarretar danos cardíacos. E as pessoas têm mais dificuldade para se livrar da tristeza, da angústia e da frustração”, explica a especialista. “A descarga de hormônios trazida pela alegria ou paixão, por exemplo, não dura tanto tempo para trazer tantos malefícios.”

A própria pesquisa que relacionou as emoções positivas a 2,4% dos infartos mundiais ponderou que, isoladas, as sensações não são perigosas mas pontuaram no ranking por acometerem um número significativo da população, bem mais do que a cocaína, por exemplo.

Pendem a favor da felicidade, alegria e otimismo também os últimos ensaios científicos que mostram que estes sentimentos protegem a saúde das pessoas , porque impulsionam o sistema imunológico. Já diriam os versos de Vinícius de Moraes, é melhor ser alegre que ser triste.

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