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Pesquisa mostra que porres eventuais trazem mais risco cardíaco do que doses moderadas diárias

Pesquisa mostra que bebedeira eventual também traz risco cardíaco
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Pesquisa mostra que bebedeira eventual também traz risco cardíaco

A ressaca e o arrependimento não são as únicas consequências negativas trazidas pela bebedeira de final de semana. O coração corre riscos importantes, alerta uma pesquisa feita pela Escola de Medicina de Toulouse, na França.

O famoso “pé na jaca” mostrou-se até mais perigosos do que o hábito de beber diariamente pequenas doses. Para chegar aos resultados, os médicos avaliaram por dez anos mais de 11 mil homens de meia-idade (entre 45 e 60 anos), selecionados por relatarem beber aos menos uma vez por semana .

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Do primeiro gole ao primeiro porre

Deste total, 2.405 eram moradores de Belfast, na Irlanda, que culturalmente bebem "pesado" – jargão na medicina que indica mais de cinco doses por ocasião em que a pessoa decide beber. Outros 7.373 pesquisados eram da França, em que o padrão de consumo alcoólico cultural também é alto, mas prevalece o padrão moderado, de uma dose por dia.

O grupo dos franceses até bebeu mais do que o de irlandeses – uma média geral de 32 gramas por dia contra 22,1 gramas diárias. Mas a segunda turma sofreu muito mais problemas cardíacos, mesmo descontando fatores como predisposição genética e obesidade.

Os dados foram divulgados na edição de novembro de 2010 do British Medical Journal, uma das publicações mais importantes do meio científico. Os “bebedores pesados” em Belfast somaram 9,4% dos entrevistados e entre os franceses esta parcela caiu para 0,5%. Nos irlandeses, a média de doenças cardíacas por 1.000 habitantes ficou em 5,63 pontos, duas vezes maior do que a taxa de 2,78 registrada entre os participantes da França.

Padrão brasileiro

Os novos achados servem de alerta para a população brasileira já que as pesquisas nacionais evidenciam que o padrão de consumo no Brasil é mais semelhante ao da Irlanda do que ao da França.

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Em um levantamento nacional realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em todas as capitais, os pesquisadores concluíram que 40% da população masculina e 18% da feminina já beberam ao estilo “pesado”.

Quanto mais nova for a pessoa, mais recorrente é este estilo de consumo. Até mesmo os menores de 18 anos têm este hábito. Em uma pesquisa feita com 3 mil estudantes do ensino fundamental (1ª a 8ª série) de escolas particulares foi identificado que um em cada três (33%) já consumiu álcool de forma exagerada (mais de cinco latas de cerveja por exemplo) em uma mesma ocasião .

Colesterol de etanol

O beber "pesado" já foi apontado como gatilho de violência doméstica e no trânsito, responsável por acidentes que custam ao País R$ 390 por minuto, levando em conta apenas as internações dos acidentados que misturaram álcool de direção .

Agora os novos dados encontrados pela pesquisa francesa indicam que, além das causas externas, os porres também agravam problemas crônicos de saúde.

Os mecanismos que fazem grandes quantidades de álcool, ingeridas em uma única ocasião, serem tão letais para o músculo cardíaco ainda são pesquisados pelos médicos, mas já existem algumas evidências sobre essa atuação. A avaliação dos cientistas é de que quando o etanol é metabolizado, pode agredir as veias e atrapalhar a circulação, agindo de forma semelhante ao colesterol.

Na pesquisa feita pela Universidade francesa, por exemplo, os autores constataram que os “bebedores pesados” tinham a pressão mais alta nas segundas e terças-feiras, um indício de que a alta dosagem etílica também afeta a pressão, uma das origens dos infartos e acidentes vasculares cerebrais.

“A indústria do álcool aproveita cada oportunidade para imbuir no consumo uma imagem positiva, enfatizando seus efeitos benéficos. Mas as pessoas também precisam ser informadas sobre as consequências para a saúde de beber pesado”, escreveram os autores na conclusão do estudo.

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