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Observar os ciclos de sono e vigília garante maior eficácia do medicamento

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Nem duas vezes por dia, nem de oito em oito horas. O horário preciso em que o paciente toma um remédio pode determinar o sucesso do tratamento.

É o que defende a cronofarmacologia, ramo da ciência que estuda justamente qual é o melhor momento do dia para um paciente tomar cada medicamento.

“Vários estudos mostram que, se tomados na hora certa, alguns remédios vão ser potencializados, enquanto os efeitos colaterais serão menores”, diz a biomédica Regina Pekelmann Markus, professora do Laboratório de Cronofarmacologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), um dos pioneiros do País.

Dar mais atenção aos horários é importante porque as atividades do organismo variam ao longo do dia, de acordo com o chamado ciclo circadiano. Se ele está desregulado, pode até gerar doenças . Esse ritmo orgânico, por sua vez, é orquestrado pelo hormônio melatonina, essencial para regular o sono e produzido exclusivamente à noite, na ausência de luz. Em outras palavras, o corpo usa a variação entre o dia e a noite para ajustar o seu próprio relógio biológico.

É o ciclo circadiano que determina, por exemplo, que a pressão arterial atinja seu pico e a frequência cardíaca aumente um pouco antes do despertar: tudo isso porque ocorrem descargas dos hormônios adrenalina e cortisol nesse horário, ajudando o corpo a se preparar para ficar alerta. Assim, o melhor horário para tomar remédios contra hipertensão – doença que afeta quase 25% da população brasileira – é pouco antes de dormir.

No Brasil, a cronofarmacologia tem sido pesquisada há cerca de dez anos e o Conselho Federal de Farmácia está fazendo um levantamento sobre os estudos nacionais ligados ao tema.

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Alguns remédios já começaram a trazer na bula, inclusive, indicações precisas sobre o horário adequado de administração, prática consolidada nos Estados Unidos. As informações são do Jornal da Tarde.

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