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Antes, Índice de Massa Corpórea (IMC) mínimo era 35. Agora, a taxa caiu para 30

Nos EUA, não é preciso ser mais tão obeso pera fazer a cirurgia de redução de estômago
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Nos EUA, não é preciso ser mais tão obeso pera fazer a cirurgia de redução de estômago
As pessoas já não precisam ser mais tão obesas para fazer a cirurgia bariátrica.

O FDA (agência norte-america que regula medicamentos e alimentos) aprovou nesta semana a utilização de uma banda gástrica (produzida pelo laboratório Allergan, o mesmo fabricante do botox) para reduzir o estômago de alguns pacientes que estão apenas obesos e não na categoria obeso mórbido, como era exigido antes.

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A Allergan estima que mais de 26 milhões de americanos poderiam ser beneficiados agora por esta cirurgia, quase o dobro dos 15 milhões que eram enquadrados pelo critério antigo.

Apesar da autorização, ao laboratório Allergan não conseguiu tudo que pediu. O FDA autorizou a cirurgia apenas em pacientes menos obesos que têm doenças associadas, como hipertensão e diabetes , e não para pessoas que têm obesidade mas estão saudáveis.

“A liberação da cirurgia é limitada para as pessoas que têm maior risco de complicação por causa da obesidade”, afirmou Karen Riley, porta-voz do FDA.

A Allergan afirmou que ficou satisfeita mesmo assim.

Mudanças

Até agora, a banda gástrica era aprovada para pessoas com Índice de Massa Corpórea – IMC - (número resultante do peso em quilos dividido pela altura ao quadrado) igual ou maior a 40. Se o paciente tivesse alguma doença associada à obesidade, o IMC exigido era de 35.

A Allergan propôs reduzir para 35 a exigência de IMC para obesos saudáveis e 30 para quem tiver alguma complicação de saúde. O FDA concordou reduzir para 30 o IMC mínimo de quem tem hipertensão ou diabetes, mas manteve a taxa de 40 para obesos saudáveis.

O índice 30 é considerado baixo para obesidade. Pelas regras antigas, uma pessoa de 1,50 metro de altura com diabetes teria de pesar quase 90 quilos para estar apta para a cirurgia. Agora, a redução de estômago já pode ser feita com pouco mais de 70 quilos.

Alguns especialistas acreditam que o afrouxamento dos critérios para fazer a cirurgia de redução de estômago, combinado à escassez de drogas para emagrecer, vai fazer com que pessoas menos obesas recorram à operação bariátrica.

Há alguns meses, o FDA se recusou a aprovar três comprimidos voltados para o emagrecimento e exigiu a retirada de um dos medicamentos mais antigos usados para perder peso, o Meridia. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também iniciou um movimento para proibir as drogas para emagrecer, como a sibutramina .

O método

A banda gástrica da Allergan é indicada apenas para pessoas que não conseguem perder peso, mesmo fazendo dietas, exercícios ou usando medicamentos. Chamada de Lap-Band, ela consiste em uma anel de silicone inflável, colocado ao redor da parte superior do estômago. O anel restringe a quantidade de comida que a pessoa consegue comer e ainda aumenta a sensação de saciedade.

No estudo apresentado Allergan, os pacientes perderam uma média de 18% do seu peso após um ano da cirurgia. O laboratório concordou em acompanhar os pacientes em que o estudo por mais cinco anos.

No Brasil, a cirurgia de redução do estômago para pessoas menos obesas não é autorizada e só é aplicada em projetos de pesquisas realizados por universidades. O Hospital das Clínicas de São Paulo, ligado à Universidade de São Paulo (USP) é um dos que pesquisa os efeitos da bariátrica em pessoas menos obesas. O Conselho Federal de Medicina também montou uma comissão para avaliar se é possível fazer redução de estômago em pessoas diabéticas que têm sobrepeso . Ainda não há um parecer final.

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