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Corredora e disciplinada, Ligia Folco viu seu coração parar por conta de estresse e genética. E precisou de longas férias

Vida regrada, mas estressante deixou o coração da gerente por um fio. Hoje ela dedica mais tempo ao filho e ao lazer
Arquivo pessoal
Vida regrada, mas estressante deixou o coração da gerente por um fio. Hoje ela dedica mais tempo ao filho e ao lazer
Foi no dia 25 de dezembro de 2010, depois de um longo almoço de Natal que Ligia Folco, gerente de joalheria, infartou . Aos 42 anos e distante dos principais fatores de risco, o diagnóstico do médico após o mal estar súbito foi recebido com negação e descrença. “Tomei um susto, tinha certeza de que ele estava errado, não fazia sentido. Sempre fui cuidadosa com a minha alimentação, e praticava atividade física diariamente.”

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Sem colesterol alto, diabetes, obesidade ou sedentarismo, Ligia foi obrigada a rever os principais pontos de sua vida e encontrar os gatilhos da doença. Além da herança familiar, a rotina estressante de trabalho e o pouco tempo para cuidar e ser presente na educação do filho único, hoje com 13 anos, justificaram a pane cardíaca.

Sem seqüelas, após o cateterismo e ainda fragilizada com o incidente, a gerente obrigou-se a tirar dois meses de férias. Viajou para o litoral paulista com a família e teve mais tempo para estabelecer as mudanças necessárias na rotina.

“Não tinha muito o que mudar na minha vida. Era difícil acreditar que meu coração pudesse parar. O meu treinador de corrida, na época, ficou chocado. Também não entendeu por que isso foi acontecer comigo.”

Quando um dos principais fatores de risco é o estresse, exigir uma mudança comportamental do paciente é uma tarefa ainda mais delicada. Para esses pacientes, o medo de sofrer um novo infarto tende a ser maior.

“Não me descuido, mas não tem como fugir do estresse. Quando tenho um dia muito pesado, fico com receio. Os sintomas a gente só identifica depois. Procuro espiro respirar fundo, beber um copo de água e esvaziar a mente.”

O quadro de Ligia foge à regra, mas também impõe mudanças. Embora não tão radicais e visíveis, estabelecer limites é o melhor remédio para blindar o coração.

“Não posso parar de trabalhar, mas com o tempo, fui impondo certas restrições, limites. Hoje não aceito mais empregos em joalherias dentro de shoppings. O salário por vezes compensa, mas a carga-horária é muito pesada.”

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