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Segundo um estudo norueguês, quem frequenta eventos culturais, esportivos e religiosos é mais saudável e satisfeito com a vida

Quem participa de shows e concertos é mais feliz e mais saudável
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Quem participa de shows e concertos é mais feliz e mais saudável
Se você é o tipo de pessoa que gosta de frequentar concertos, galerias de arte e teatros, aí vai uma boa notícia: de acordo com um novo estudo norueguês sobre bem-estar e felicidade, você é provavelmente mais saudável e desfruta melhor da vida do que aqueles que não têm os mesmos hábitos.

Homens e mulheres participantes do estudo, que frequentavam eventos culturais, esportivos e religiosos, se mostraram mais saudáveis e satisfeitos com a vida do que os menos engajados em tais atividades.

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Os benefícios observados foram ainda maiores para os homens. Participantes de atividades culturais mostraram probabilidade 9% superior de gozar de boa saúde, enquanto que as mulheres que realizavam o mesmo tipo de atividade se mostraram 3% mais propensas a apresentar boa saúde.

Os homens que frequentavam eventos culturais também se mostraram 14% mais propensos a se sentirem satisfeitos com a vida, 13% menos propensos a sofrerem de ansiedade e 12% menos propensos a se sentirem deprimidos. Apesar de menos pronunciados, tais benefícios também foram observados nas mulheres.

“Aqueles que se engajaram em alguma das atividades, como espectadores ou participantes, se mostraram mais saudáveis e satisfeitos com a vida – também apresentando níveis mais baixos de depressão e ansiedade”, disse Koenraad Cuypers, pesquisador da Universidade de Ciência e Tecnologia da Noruega e autor do estudo.

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Os resultados do estudo não sofreram alterações mesmo quando os pesquisadores ajustaram alguns fatores que poderiam influenciá-los, como idade, doenças crônicas, exercícios, tabagismo, consumo de álcool, padrão sócio-econômico e Índice de Massa Corporal (IMC). Mesmo que a pesquisa não confirme que atividades culturais e esportivas levem a um maior bem-estar, os pesquisadores ressaltam que a mesma estabelece uma ligação entre eles.

Definir a felicidade não é tarefa fácil, mas pesquisadores da área de psicologia há anos vêm tentando defini-la para encontrar as melhores formas de alcançá-la. O novo estudo, publicado no periódico científico Journal of Epidemiology & Community Health, contou com a participação de mais de 50.000 noruegueses.

Frequentar museus, galerias de arte, concertos, cinemas, teatros, igrejas e eventos esportivos foram algumas das atividades analisadas no estudo. Praticar esportes, dançar, cantar, fazer exercícios físicos e participar de reuniões de associações – atividades de participação ativa – foram outros itens analisados.

A equipe de pesquisa constatou que aqueles que assistiam ou participavam ativamente em tais atividades se mostraram mais felizes e com melhor qualidade de vida. Dentre os que participavam de cinco ou mais atividades culturais por mais de seis meses, 91% relataram que se sentiam muito satisfeitos com a vida, em comparação aos 84% que participaram de apenas uma das atividades citadas.

No caso das mulheres, participar de clubes ou associações, cantar, dançar, frequentar teatros, fazer exercícios físicos, praticar esportes ou atividades ao ar livre foram hábitos associados a um bom nível de saúde.

Os homens mostraram uma ligação entre um nível de saúde bom ou ótimo e a participação em atividades religiosas, associações, atividades ao ar livre, dança, exercícios físicos e esportes.

Mas, qual a razão de tal ligação? Para Cuypers, é possível que tais atividades exerçam algum benefício no cérebro , na mente e no sistema imunológico. Para os pesquisadores envolvidos no estudo, e também para outros cientistas, pode ser que as atividades culturais exerçam um efeito benéfico sobre a saúde por reduzir o estresse.

Mas, também é possível que as pessoas mais saudáveis e mais felizes simplesmente saiam mais de cada, essa é a opinião de Shigehiro Oishi, professor de Psicologia da Universidade de Virginia (EUA).

“Por isso não podemos concluir a partir deste estudo que agora sabemos que atividades culturais fazem bem para a saúde e nos deixam felizes”, ele complementou.

Frequentar ou participar de atividades esportivas nem sempre é gratuito ou barato, e pode ser difícil convencer as pessoas a deixar o conforto do sofá. Mas, Cuypers diz que o estudo também sugere que encorajar as pessoas a se tornarem mais ativas também tem seu valor.

E, mesmo que a participação cultural talvez não exerça grande influência na saúde ou na felicidade de alguém, Cuypers diz que pequenas mudanças podem ter um efeito significante ao atingir um grande número de pessoas.

* Por Randy Dotinga

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