Estudo mostra que eles representam 54% dos mortos após picada do mosquito transmissor

Dengue: diabéticos correm mais risco
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Dengue: diabéticos correm mais risco
O mosquito da dengue, o Aedes aegypti , não escolhe vítimas e pode estar no quintal de qualquer pessoa, seja em uma casa de alto padrão com piscina mal cuidada ou em um barraco sem água encanada à beira de um córrego.

Os alvos “democráticos” do Aedes causaram estrago no ano passado. Segundo relatório divulgado pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) foram 1.163 mortes por dengue registradas em toda a América Latina e 1,8 milhões de casos confirmados. O Brasil, diz a publicação, foi um dos países que mais concentrou registros.

Esta quarta-feira, dia 16, foi escolhida como Dia Nacional de Mobilização Contra a Dengue e, apesar do alerta geral feito pelo Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, um novo estudo conduzido pelo governo brasileiro mostra que alguns grupos da população correm mais risco com a visita do inseto transmissor da doença: os diabéticos e hipertensos.

Os dados da pesquisa – ainda em andamento – foram colhidos nos Estados São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia, selecionados por terem um alto índice de casos de dengue e maior risco de epidemia de infecções .

Independentemente do local onde mora, o paciente com diabetes tem características que não só facilitam a infecção pelo vírus, como aumentam a gravidade após o quadro instalado, justificativas para que eles correspondam por mais da metade dos mortos por dengue, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Saulo Cavalcanti.

“As defesas orgânicas do diabético são mais frágeis, o que facilita a ocorrência de qualquer doença infecciosa”, explica ele – um estudo internacional comprovou que portadores de diabetes têm três vezes mais risco de ter tuberculose , por exemplo.

“Como as artérias destes pacientes têm o fluxo de sangue diminuído, as células que combateriam uma nova infecção são menos eficientes, o que faz a glicose subir, a insulina baixar, o diabetes descompensar e a doença infecciosa ficar mais grave”, completa. As mesmas explicações servem para os hipertensos serem mais frágeis à dengue.

Descontrolado e invisível

Duas características do diabetes no Brasil aumentam a vulnerabilidade à dengue em quem tem a doença. A primeira, conforme atestou um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é que 76% dos diabéticos não conseguem controlar a doença mesmo fazendo uso de medicação e dieta. O diabetes descompensado faz com que as infecções fiquem ainda mais graves.

Um outro fator é que uma parcela significativa da população nem sabe que é portadora do problema metabólico e pode não tomar os devidos cuidados caso apresente um dos sinais da dengue. Além dos 7,6 milhões de brasileiros que comprovadamente convivem com o diagnóstico de diabetes, a estimativa é que quatro em dez pessoas não imaginam que têm a doença.

Além dos “invisíveis para as estatísticas”, um levantamento feito pela Secretaria de Estado do Saúde do Ceará mostrou que 13% da população local eram pré-diabéticos ou seja, já tinham dois ou mais fatores de risco para desenvolver a doença (colesterol, hipertensão e obesidade são os principais), deveriam fazer o controle do problema, mas não povoavam os números oficiais de diabéticos nacionais.

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