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Especialista lança desafio: quer uma música brasileira para ritmar as massagens cardíacas. Nos EUA, trilha é do Bee Gees

O cardiologista do Instituto do Coração e da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sérgio Timerman, é entusiasta de uma técnica medicinal que salva vidas e pode ser feita por qualquer pessoa, até uma criança. Agora ele lança um desafio: quer encontrar uma trilha sonora perfeita para ritmar e disseminar a prática da massagem cardíaca.

Estas compressões na região do tórax, diz o médico, são as chaves para fazer com que uma pessoa sobreviva a uma parada no coração. Na cidade de São Paulo, mostram os dados, 95% não sobrevivem.

O segredo é comprimir 100 vezes por minuto o peito da vítima, procedimento que pode ser feito até o resgate especializado chegar. Por este motivo, Timerman faz treinamentos constantes de suas equipes, desde o faxineiro do hospital até o médico mais gabaritado. Ele também coordena cursos em estações do metrô e trens de São Paulo para qualquer interessado.

“Precisamos montar um time de ressuscitação e, assim, vamos salvar muitas pessoas”, diz ao mostrar evidências de que os treinamentos da população não médica surtem efeito.

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Em Chicago, nos EUA, por exemplo, tem como média geral de sobrevivência às paradas cardíacas o índice de 5%. Já nos aeroportos – que passaram por programa de capacitação de socorro – a taxa sobe para 60%. Em Las Vegas, o mesmo fenômeno é atestado: 10% a média da cidade contra 70% dentro dos cassinos.

É também uma outra “sacada” dos médicos norte-americanos que Sérgio Timerman quer trazer para a realidade brasileira. Naquele país e em vários outros que têm como idioma oficial o inglês, a música do Bee Gees Staying Alive (Ah, ah, ah, Staying alive, staying alive) dá o ritmo perfeito para as massagens cardíacas, garantindo as necesárias 100 compressões por minuto. A tradução do hit dos anos 70 é ainda mais sugestiva: em inglês, "Staying alive" significa sobrevivendo.

“Seria muito importante encontrar uma música brasileira que tivesse o mesmo efeito sonoro da do Bee Gees. É claro que o treinamento é importante, mas se alguém tiver uma parada cardíaca ao seu lado e você nunca foi treinado, é melhor fazer as compressões sem treino do que não fazer nada”, orienta.

Em busca da batida perfeita, Timerman pede ajuda de músicos e de toda a população. Quem tiver sugestões, é só mandar.

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