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80% dos que usaram remédio para epilepsia ficaram abstêmios ou se tornaram bebedores moderados. Estudo deve ser ampliado

Uma droga desenvolvida para tratar espasmos nervosos conseguiu superar um importante teste preliminar em um projeto com vistas a ver se ela é capaz também de curar o alcoolismo, afirmaram médicos franceses em estudo publicado nesta terça-feira (20).

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O baclofen – nome laboratorial de um medicamento comercializado como Kemstro, Lioresal e Gablofen – passou com sucesso em um teste preliminar, realizado com um pequeno grupo de alcoólatras, um resultado que abre o caminho para testes clínicos formais, afirmaram os cientistas.

A história do medicamento remonta a 50 anos. Ele foi originalmente projetado para tratar a epilepsia, antes de ser licenciado para tratar a espasticidade, mas os cientistas agora estão interesssados em usá-lo para aliviar a abstinência do álcool.

Em 2008, o livro 'O Último Copo', do cardiologista Olivier Ameisen, despertou interesse, pois no texto o médico afirmou ter se tratado do alcoolismo com altas doses de Baclofen.

O novo teste foi realizado com 132 bebedores contumazes que ingeriram baclofen em altas doses durante um ano: 80% ficaram abstêmios ou se tornaram bebedores moderados. Comparativamente, duas drogas comumente usadas para tratar alcoólicos, naltrexona e a acamprosato, tiveram uma taxa de sucesso entre 20% e 25%. Os efeitos colaterais incluíram fadiga, sonolência, insônia, tontura e problemas digestivos.

O principal autor da pesquisa, Philippe Jaury, da Universidade de Paris-Descartes, disse que o resultado abriu as portas para testes clínicos com duração de um ano, cujo início deve começar em maio, em que 320 alcoólicos seriam divididos em dois grupos.

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Uma parte receberá baclofen, com doses que aumentariam gradativamente até que os sintomas de abstinência desapareçam, enquanto a outra receberá um placebo.

O sistema de saúde francês financia 750 mil euros (US$ 469.000) do custo de 1,2 milhão de euros (US$ 1,45 milhão) do teste e um doador não identificado paga o restante, explicou Jaury à AFP. O estudo é publicado no periódico especializado Alcohol and Alcoholism.

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