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Neuropatia periférica

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Conteúdo exclusivo para o iG no Brasil e usado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos

Foto: ADAM

Sistema nervoso

Definição

A neuropatia periférica é um problema com os nervos que carregam as informações do cérebro e da medula espinhal para o resto do corpo. Isso pode produzir dor, perda de sensibilidade e incapacidade para controlar músculos.

  • "Periférico" se refere aos nervos longe do centro do corpo, distantes do cérebro e da medula espinhal (que são chamados de sistema nervoso central).
  • "Neuro" significa nervos.
  • "Patia" significa anormal.

 

Nomes alternativos

Neurite periférica

Causas, incidência e fatores de risco

Um conjunto de nervos periféricos retransmite as informações do sistema nervoso central para os músculos e outros órgãos. Um segundo conjunto retransmite as informações da pele, das articulações e de outros órgãos de volta ao sistema nervoso central.

Na neuropatia periférica, esses nervos não funcionam corretamente. Ela pode envolver danos em um único nervo ou grupo de nervos (mononeuropatia) ou pode afetar vários nervos (polineuropatia).

A neuropatia periférica não é uma doença distinta, mas a manifestação de muitas condições que danificam os nervos periféricos (tecidos nervosos que não sejam o cérebro nem a medula espinhal). Os sintomas dependem de se os nervos sensoriais (aqueles que transmitem informações sensoriais do corpo ao cérebro e medula espinhal) ou os nervos motores (os que transmitem impulsos nervosos do cérebro e medula espinhal ao corpo) são afetados.

Se os nervos sensoriais forem danificados, as sensações poderão ser reduzidas, ficarem ausentes ou anormais. Nervos motores danificados prejudicam movimentos ou funções. A neuropatia periférica pode ser causada por lesão direta ou indireta ou por uma causa sistêmica, como um transtorno metabólico.

Existem muitas razões para que os nervos não funcionem. Em muitos casos, a causa não é encontrada.

O dano nervoso pode ser causado por:

  • Doenças de família (hereditárias) como:
    • Doença de Charcot-Marie-Tooth
    • Ataxia de Friedreich
  • Doenças que afetam todo o corpo (distúrbios sistêmicos ou metabólicos) como:
  • Infecções ou inflamação, inclusive:
  • Exposição a substâncias venenosas como:
    • Cheirar cola ou inalar outros componentes tóxicos
    • Metais pesados (chumbo, arsênico e mercúrio são os mais comuns)
    • Químicos industriais – principalmente solventes
    • Óxido nitroso
  • Neuropatia secundária a medicamentos, sendo os mais comuns:
    • Cisplatina
    • Isoniazida
    • Paclitaxel (Taxol)
    • Piridoxina (vitamina B6)
    • Vincristina
  • Causas diversas:
    • Compressão de um nervo por estruturas vizinhas do corpo ou por gesso, férulas, órteses, muletas ou outros dispositivos
    • Diminuição do oxigênio e do fluxo sanguíneo (isquemia)
    • Exposição prolongada a baixas temperaturas
    • Pressão prolongada sobre um nervo (como em uma cirurgia longa)
    • Trauma em um nervo

A neuropatia periférica é muito comum. Como existem muitos tipos e causas de neuropatia e os médicos nem sempre estão de acordo com a definição, a incidência exata é desconhecida.

Algumas pessoas têm maior probabilidade de herdar uma neuropatia.

Sintomas

Os sintomas dependem do tipo de nervo afetado. Os três principais tipos de nervos são:

  • Os nervos que transmitem sensações (sensoriais)
  • Nervos que controlam os músculos (motores)
  • Nervos que transmitem informações para órgãos e glândulas (autônomos)

A neuropatia pode afetar qualquer um deles ou uma combinação dos três tipos de nervos. Os sintomas também dependem se a doença afeta um nervo, vários nervos ou o corpo todo. Quando o corpo inteiro é afetado, trata-se de uma polineuropatia.

Os nervos longos são lesados mais facilmente que os mais curtos, por isso é comum ter os primeiros ou piores sintomas nas pernas e nos pés do que nas mãos e nos braços.

ALTERAÇÕES NA SENSIBILIDADE

Danos nas fibras sensoriais resultam em:

  • Sensação de queimação
  • Alterações na sensibilidade
  • Incapacidade de determinar a posição da articulação, o que causa falta de coordenação
  • Dor no nervo
  • Formigamento ou dormência

Com muitas neuropatias, as alterações da sensibilidade começam nos dedos e se dirigem ao centro do corpo. Outras áreas são afetadas conforme a doença se agrava. O diabetes é uma causa comum de neuropatia sensorial.

DIFICULDADES DE MOVIMENTO

Os danos nos nervos que chegam até os músculos interferem no controle muscular e podem causar fraqueza. Outros sintomas relacionados aos músculos incluem:

  • Dificuldade para respirar ou engolir
  • Dificuldade ou incapacidade de mover uma parte do corpo (paralisia)
  • Quedas (por enroscar as pernas ou tropeçar nos dedos)
  • Falta de destreza (como não conseguir abotoar uma camisa)
  • Falta de controle muscular
  • Perda de tecido muscular (atrofia muscular)
  • Contrações ou câimbras musculares

SINTOMAS AUTÔNOMOS

Os nervos autônomos regulam as funções involuntárias ou semivoluntárias, como o controle interno dos órgãos e a pressão sanguínea. Os danos aos nervos autônomos podem causar:

  • Inchaço abdominal
  • Vista embaçada
  • Constipação
  • Diminuição na transpiração
  • Diarreia
  • Tontura que ocorre ao se levantar ou desmaio devido a uma queda de pressão arterial
  • Sensação de saciedade depois de comer pouco (saciedade precoce)
  • Intolerância ao calor com esforço
  • Esvaziamento incompleto da bexiga
  • Impotência
  • Náuseas ou vômitos após as refeições
  • Hesitância urinária (demorar muito tempo para começar a urinar)
  • Incontinência urinária
  • Perda de peso não intencional

Exames e testes

Um histórico detalhado ajudará seu médico a determinar a causa da neuropatia. Um exame do cérebro e do sistema nervoso (neurológico) pode revelar problemas com o movimento, a sensibilidade ou o funcionamento dos órgãos. Você também pode ter alterações nos reflexos e na massa muscular.

Os exames de sangue podem ser feitos para detectar doenças como diabetes, deficiências vitamínicas, problemas na tireoide ou outras doenças.

Os exames que encontram e ajudam a classificar neuropatias abrangem:

  • Eletromiograma (EMG) – um registro da atividade elétrica nos músculos
  • Testes de velocidade da condução nervosa (VCN) – registro da velocidade na qual os sinais se deslocam ao longo dos nervos
  • Biópsia do nervo – retirada de uma pequena mostra do nervo para observá-la por meio do microscópio

Tratamento

O tratamento envolve:

  • Tratar a causa (como o diabetes ou o excesso de álcool)
  • Controlar os sintomas
  • Ajudar o paciente a ganhar a independência máxima e a capacidade de autocuidado
  • Repor qualquer vitamina ou outra deficiência na dieta
  • Interromper a lesão do nervo (por exemplo, em casos de neuropatia por compressão, como na síndrome do túnel carpal)

Seu médico pode recomendar fisioterapia, terapia ocupacional ou intervenções ortopédicas. Por exemplo:

  • Exercícios e retreinamento podem ser usados para aumentar a força e o controle muscular.
  • Cadeiras de rodas, órteses e férulas podem ajudar a melhorar o movimento ou a capacidade de usar o membro afetado.
  • A cirurgia pode ser necessária para interromper a lesão no nervo, como na síndrome do túnel carpal.

A segurança é uma consideração importante para pessoas com neuropatia. A falta de controle muscular e a redução na sensibilidade aumentam o risco de quedas e outras lesões. Você pode não perceber uma possível origem de danos porque não pode senti-la. Por exemplo, você pode não perceber se a água da banheira estiver quente demais. Por esse motivo, as pessoas com sensibilidade reduzida devem checar diariamente os pés ou outras áreas afetadas para ver se existem machucados, feridas abertas ou outras lesões que podem não ter notado.

As medidas de segurança para as pessoas com dificuldade de movimento incluem:

  • Instalar corrimãos
  • Remover obstáculos do piso, como tapetes soltos

As medidas de segurança para pessoas com sensibilidade reduzida incluem:

  • Instalar iluminação adequada (inclusive lâmpadas noturnas)
  • Experimentar a temperatura da água antes do banho
  • Usar sapatos protetores (fechados e sem salto)

Cheque os sapatos frequentemente para ver se há pedras ou partes ásperas que possam machucar o pé.

As pessoas com neuropatia têm maior probabilidade de sofrer novas lesões dos nervos em pontos de pressão como os joelhos e os cotovelos. Elas devem evitar colocar pressão nessas áreas durante muito tempo, como se apoiar sobre os cotovelos, cruzar as pernas ou permanecer em posições similares.

Pode ser necessário tomar analgésicos de venda livre ou prescritos para controlar a dor causada pela neuropatia periférica. Os anticonvulsivos (fenitoína, carbamazepina, gabapentina e pregabalina), antidepressivos tricíclicos (amitriptilina e nortriptilina) ou outros medicamentos (duloxetina) podem ajudar a reduzir a dor. Use a menor quantidade possível para evitar efeitos colaterais.

Ajustar a posição, usar estruturas para manter os lençóis longe das partes sensíveis do corpo ou outras medidas para ajudar a reduzir a dor.

Os sintomas de dano nos nervos autônomos podem responder mal ao tratamento ou ser difíceis de tratar. As seguintes medidas podem ajudar:

  • Usar meias elásticas e dormir com a cabeça elevada podem ajudar a tratar a pressão arterial baixa que ocorre ao se levantar (hipotensão postural). A fludrocortisona ou os medicamentos similares também podem ser úteis.
  • Tomar medicamentos que aumentem a motilidade gástrica (como a metoclopramida), fazer refeições pequenas e frequentes, dormir com a cabeça elevada ou outras medidas podem ajudar.
  • Extrair a urina manualmente (pressionando a bexiga com as mãos), realizar cateterização intermitente ou tomar medicamentos como o betanecol pode ajudar as pessoas com problemas de bexiga.
  • Tratar impotência, diarreia, constipação ou outros sintomas conforme necessário.

Foto: ADAM

Sistema nervoso central: formado pelo cérebro e pela medula espinhal. O sistema nervoso periférico inclui todos os nervos periféricos

Evolução (prognóstico)

O prognóstico depende da causa da neuropatia periférica. Nos casos em que a doença pode ser detectada e tratada, o prognóstico pode ser excelente.

Entretanto, em neuropatias graves, a lesão nervosa pode ser permanente, mesmo que a causa seja tratada.

Para a maioria das neuropatias hereditárias, não há cura. Algumas dessas doenças são inofensivas. Outras pioram rapidamente e podem levar a complicações graves e permanentes.

Complicações

A incapacidade de sentir ou notar lesões pode levar à infecção ou dano à área afetada do corpo, incluindo:

  • Deformações
  • Perda de massa de tecido
  • Cicatrização deficiente
  • Cicatrizes
  • Erosão do tecido

Outras possíveis complicações:

  • Baixa autoestima
  • Dificuldade para respirar
  • Dificuldade para engolir
  • Ritmo cardíaco irregular (arritmia)
  • Necessidade de amputação
  • Perda parcial ou completa dos movimentos ou do controle dos movimentos
  • Perda parcial ou completa da sensibilidade
  • Problemas de relacionamento causados pela impotência

Ligando para o médico

Consulte um médico se tiver sintomas de neuropatia periférica. Em todos os casos, o diagnóstico e tratamento precoces aumentam a probabilidade de controlar os sintomas.

A dor nervosa, como a causada pela neuropatia periférica, pode ser difícil de controlar. Se sua dor for grave, um especialista em dor poderá sugerir abordagens úteis.

Os sintomas de emergência incluem:

  • Dificuldade para respirar
  • Dificuldade para deglutir
  • Desmaios
  • Batimentos cardíacos rápidos ou irregulares

Prevenção

Se você for submetido a um procedimento cirúrgico longo ou não puder se mover por um longo período, tome as medidas apropriadas (como proteger as partes mais vulneráveis do corpo) antes para reduzir o risco de problemas nervosos. Evite permanecer um longo período em uma mesma posição (por exemplo, depois de beber muito álcool) ou fazer certos movimentos repetitivos (no caso da síndrome do túnel carpal).

Reduza o risco de neuropatia:

  • Bebendo álcool com moderação
  • Seguindo uma dieta balanceada
  • Mantendo o diabetes e outros problemas médicos controlados, se for o seu caso

Referências

Shy ME. Peripheral neuropathies. In: Goldman L, Ausiello D, eds. Cecil Medicine. 23rd ed. Philadelphia, Pa: Saunders Elsevier; 2007:chap 446.

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