Tamanho do texto

Dos curativos nos amigos à direção de clínica oncológica, o médico Celso Massumoto relata histórias marcantes de sua trajetória

Celso Massumoto: desde pequeno já cuidava dos cortes e machucados dos amigos
Divulgação
Celso Massumoto: desde pequeno já cuidava dos cortes e machucados dos amigos
O pequeno Celso mal sabia escrever, mas já tinha certeza do que queria ser quando crescesse: médico.

Desde pequeno, era ele quem os amigos chamavam quando alguém se machucava durante a partida de futebol. E lá ia ele, feliz, fazer o curativo.

“Aos 6 anos, já sabia que queria ser médico. Sempre quis cuidar das pessoas, desde essa idade”, diz.

Hoje, com 25 anos de carreira, a maior parte deles como hematologista, Celso Massumoto é diretor de uma clínica especializada em tratamento do câncer , dirige a Casa Hope, entidade filantrópica que dá apoio a crianças e adolescentes portadores da doença, e atua como médico do hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

“É preciso tratar o câncer individualmente. Não é apenas tratar a doença, mas também cuidar de uma das funções básicas mais simples: reintegrar a pessoa à sociedade”, afirma.

Como muitos especialistas de sua área, Massumoto recebeu parte de seu treinamento como médico hematologista no Exterior. No Fred Hutchinson Cancer Research Center, em Seattle (EUA), protagonizou uma história da qual ri até hoje.

O então novo residente chegou para o plantão e se confundiu na hora de escolher o caminho para a ala onde deveria começar a trabalhar.

“As portas eram todas iguais e acabei abrindo a porta antifogo e acionando o alarme de incêndio. Os bombeiros chegaram e foi preciso evacuar o prédio”, lembra. Segundo ele, quinhentas pessoas, entre médicos e pacientes, foram obrigadas a deixar o local. Uma hora depois, todos voltavam para dentro do hospital. O episódio ficou gravado na memória do recém-formado.

Mas foi nesse mesmo hospital onde ele vivenciou uma das histórias mais marcantes do início de sua trajetória como médico. Um paciente sob seus cuidados começou a passar mal e teve um choque séptico.

“Só que nos EUA é preciso chamar a equipe de resgate em casos como esse, para que eles transfiram o paciente de uma ala para outra”, afirma. Celso ligou para o 911, número de emergência norte-americano, mas cinco minutos depois os paramédicos ainda não haviam chegado. Com a ajuda de uma enfermeira, ele levou a paciente à UTI.

“Graças a essa audácia, a paciente se restabeleceu. Nessas horas, cada minuto é essencial. Fui elogiado pelo diretor clínico porque a minha conduta, apesar de ir contra as regras, salvou uma vida”, conta.

“Foi um momento emocionante. Ficou a lição: temos que fazer sempre o que é melhor para o paciente”, diz.

Médico e pai

Celso também é diretor da casa Hope, instituição que dá auxílio a crianças e adolescentes com câncer. Em um dia de trabalho, precisou levar a filha mais velha e encontrou uma criança que havia feito a cirurgia de retirada de um olho. A filha não entendia porque uma criança com quase a mesma idade havia perdido um olho. Coube ao pai – e médico – tentar explicar o momento delicado.

“Não é fácil ver uma criança sem uma parte do corpo, é muito triste. Foi um momento difícil não só como médico, mas também como pai e ser humano”, diz.

Leia notícias de saúde

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.