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Entenda como o "Procedimento Jatene" conseguiu dar uma nova chance ao pequeno Francis Joseph, que foi operado com apenas algumas horas de vida

Cirurgião que operou o bebê usou o
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Cirurgião que operou o bebê usou o "Procedimento Jatene" e afirma que a criança está bem e se recuperando

Um bebê de mãe filipina, nascido na parte oriental de Jerusalém, cuja população é majoritariamente árabe, teve sua vida salva graças a uma técnica desenvolvida por Adib Jatene, um cirurgião brasileiro de origem árabe, conhecido por criar um procedimento que leva o seu sobrenome: “Procedimento Jatene”.

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A notícia se espalhou e foi publicada no site The Times of Israel quando o bebê Francis, filho de Nina Joseph, de 41 anos, foi operado por médicos que acreditavam que ele não sobreviveria. Isso porque o próprio Jatene não poderia estar lá, já que o cirurgião faleceu em 2014. No entanto, como legado, ele deixou sua técnica que deu pequeno uma nova chance.

Francis nasceu com transposição dos grandes vasos (TGV), uma cardiopatia congênita que significa que os vasos não são conectados corretamente ao coração. No caso em questão, as aberturas para as câmaras do órgão também estavam mal formadas e bloqueavam o sangue para ser bombeado corretamente.

Nessas situações, a cirurgia precisa colocar as artérias aorta e pulmonar na posição certa, para possibilitar que o sangue passe pelo pulmão para ser oxigenado e seja distribuído normalmente pelo corpo da criança, incluindo os órgãos vitais. A primeira vez que Jatene conseguiu ter sucesso com essa técnica foi em 1975.

Caso a criança não seja tratada nas primeiras semanas de vida, as chances de morte são iminentes. Quando Francis veio ao mundo, os médicos contam que a criança apresentava problemas de respiração, pulso fraco e pele azulada pela falta de oxigênio.

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Procedimento

Nascido no hospital do Crescente Vermelho, o equivalente à versão árabe da Cruz Vermelha, o bebê precisou ser transferido para uma unidade com equipamentos necessários e mais expertise para executar o procedimento.

Segundo o especialista em cardiologia pediátrica Julius Golender, que cuidou do caso no hospital Hadassah, referência em Jerusalém, o primeiro passo foi realizar uma cateterização cardíaca para possibilitar que o sangue rico em oxigênio fluísse dos pulmões para o resto do organismo, antes mesmo de transferir a criança ao novo hospital.

No momento da cirurgia, a equipe desconectou as artérias e veias e depois reconectaram novamente na posição adequada. A operação foi realizada por Eldad Erez, cirurgião cardiotorácico, que ficou pouco mais de cinco horas operando o bebê.

Com um resultado positivo, a criança teve seu peito costurado apenas dois dias depois do nascimento, já que era esperado um eventual inchaço na região, procedimento padrão na técnica do médico brasileiro. Em poucas semanas Nina pôde voltar com seu filho para casa.

De acordo com os médicos que participaram do caso, o bebê está “em boas condições, ativo e sorridente”. Mas a mãe preferiu dizer que foi um milagre.

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