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Cinco dias após ter sido desconectado dos aparelhos, menino não resistiu; pais tentavam transferi-lo para Itália, onde até o papa havia se mobilizado

Alfie Evans não resistiu depois de os aparelhos que o mantinham respirando foram desligados
Reprodução/Facebook
Alfie Evans não resistiu depois de os aparelhos que o mantinham respirando foram desligados

Morreu neste sábado (28) o bebê britânico Alfie Evans, de 23 meses, que vivia com uma doença degenerativa . Sua história ficou conhecida quando seus pais tiveram que brigar judicialmente para que a criança fosse transferida para a Itália, onde seria tratada, já que a Justiça do Reino Unido decidiu desligar os aparelhos que o mantinham vivo.

A notícia foi divulgada pelo pai de Alfie Evans , Tom Evans, em sua conta no Facebook. “Meu gladiador ganhou seu escudo e suas asas às 2h30 [horário local]. Absolutamente desconsolados”, escreveu na rede social. O menino não resistiu cinco dias depois de os aparelhos terem sido desligados.

Nos últimos meses, a unidade de terapia intensiva (UTI) da ala neonatal do hospital onde o bebê estava internado, em Liverpool, havia virado sua casa. Desde seu sétimo mês a criança estava internada e dependia de aparelhos para respirar.

No entanto, a Justiça britânica havia decretado que os aparelhos fossem desligados e, desde então, os pais de Alfie estavam desesperados em busca de alternativas para que a criança sobrevivesse.

Diante da situação, a Itália surpreendeu e deu cidadania ao bebê britânico, que passou a ser "italiano". Além disso, se ofereceu para recebê-lo e já deixou um avião pronto para decolar a qualquer momento de Roma.

Caso o menino fosse transferido, ele seria levado ao hospital pediátrico Bambino Gesù, situado na "cidade eterna" e administrado pela Igreja Católica, que exerce forte influência na política local.

O papa Francisco defendeu a família de Alfie publicamente e disse que "o único dono da vida, do início ao fim natural, é Deus".

Entenda o caso

Assim como havia ocorrido no ano passado com o pequeno Charlie Gard , Alfie também tinha uma doença degenerativa que foi desenvolvida logo nos primeiros meses de vida. Ele nasceu em 9 de maio de 2016 e estava internado desde dezembro daquele ano.

Vítima de uma doença neurodegenerativa que está destruindo seu cérebro, ele sobrevivia por meio de respiração e alimentação por aparelhos. Não se sabe exatamente qual patologia afetava Alfie, mas suspeita-se de miopatia mitocondrial, a mesma condição de Charlie Gard.

Ainda sem saber de qual patologia se trata, uma perícia pedida pela Alta Corte de Justiça do Reino Unido constatou danos irreversíveis ao cérebro do menino e uma perda de mais da metade da "substância branca", responsável pela transmissão de informações no sistema nervoso.

Os médicos diziam que ele estava em estado "semivegetativo" e era incapaz de sobreviver sem auxílio de aparelhos. No entanto, o hospital Alder Hey chegou a desligar as máquinas no início desta semana, e Alfie conseguiu sobreviver por cerca de 10 horas, renovando as esperanças dos pais, Tom e Kate James. Os aparelhos foram reconectados, mas há cinco dias, foram desligados novamente.

Decisão judicial

A decisão foi tomada pela Justiça do Reino Unido, que autoriza o desligamento de aparelhos de pacientes que tenham passado um longo período em coma. Quando se trata de um menor de idade, a decisão cabe aos pais ou responsáveis pela criança. No entanto, se os médicos recomendarem o desligamento das máquinas e os genitores recusarem, um juiz pode intervir.

Os pais de Alfie tentaram de tudo para reverter a decisão em todas as instâncias da Justiça britânica e até na Corte Europeia de Direitos Humanos, mas todos os recursos foram negados. Então, eles estavam tentando conseguir autorização judicial para transferi-lo para a Itália.

Foi eutanásia?

Em teoria, não. A eutanásia é a prática de abreviar deliberadamente a vida de um paciente em estado terminal. Não é o que aconteceu com Alfie Evans. Em seu caso, foi uma "ortotanásia" (ou eutanásia passiva), ou seja, levar à morte natural por meio da suspensão de tratamentos paliativos. Nestas situações o paciente pode, por exemplo, ser levado para morrer em casa.

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