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Simone Anjos dos Santos, de 41 anos, é suspeita de quebrar os cateteres dos bebês que estavam nas incubadoras da UTI neonatal; imagens das câmeras de segurança mostram a enfermeira agindo, mas ela nega as acusações

Enfermeira suspeita de tentar matar recém-nascidos no Rio de Janeiro é investigada pela Delegacia da Criança e Adolescente Vítima
Reprodução
Enfermeira suspeita de tentar matar recém-nascidos no Rio de Janeiro é investigada pela Delegacia da Criança e Adolescente Vítima

Uma enfermeira de 41 anos foi presa na quarta-feira (2), indiciada por tentar matar quatro recém-nascidos em um hospital particular de Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Os bebês estavam em terapia infusional na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal dos Hospital Real D’Or, em Padre Miguel. A enfermeira  Simone Anjos dos Santos é acusada de cortar os cateteres dos recém-nascidos nas incubadoras, colocando a vida das crianças em risco. No entanto, os bebês sobreviveram.

Ela foi detida pela Polícia Civil da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV) quando estava em sua casa, em Santa Cruz. Apesar de não ter falado com a imprensa, Simone nega as acusações.

A suspeita é de que, depois de quebrar os cateteres, ela prendia os equipamentos à porta que fechava as incubadoras. “Segundo apuração inicial, os bebês foram expostos aos riscos iminentes de hipoglicemia e de contraírem infecção de corrente sanguínea relacionada ao cateter, que levariam a morte. Foram identificadas pelo menos 4 crianças vítimas”, informou em a Polícia Civil do Rio de Janeiro em sua conta no Twitter.

De acordo com a corporação, as investigações continuam em andamento. O caso, investigado pela delegada titular da DCAV, Juliana Emerique, é baseado em gravações de câmeras de segurança que mostram Angélica  manipulando as incubadoras.

Nas imagens, Simone aparece tocando, sem luvas, um dos bebês em uma incubadora que, de acordo com a delegada, não era de sua responsabilidade. Logo depois, outra enfermeira percebe a criança agitada e vê que o cateter foi rompido.

Investigações

Ao perceber que os cateteres foram quebrados, uma sindicância foi instaurada no hospital. O ocorrido foi entre 14 e 31 de janeiro, e Simone foi indicada como autora, de acordo com depoimentos e imagens. Então, ela foi demitida por justa causa e o hospital notificou a Polícia Cívil.

Um mês após o início das investigações, a enfermeira teve o mandado de prisão preventiva expedido pela 4ª Vara Criminal da Comarca da Capital do Rio de Janeiro.

Ainda não se sabe o que motivou os crimes. O próximo passo agora será ouvir familiares das crianças e testemunhas. A busca por outras vítimas também será iniciada.

A Rede D'Or informou, por meio de um comunicado, "que não houve qualquer dano ou consequência aos pacientes em decorrência do reportado. O hospital possui e segue continuamente rígidos protocolos de segurança, tendo imediatamente e de modo preventivo afastado a profissional em questão e em seguida comunicado a situação alegada às autoridades policiais competentes para a devida averiguação e providências. "

Já o Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren-RJ) declarou que irá enviar uma equipe ao Hospital Real D'Or para coletar provas. O Coren-RJ ainda afirmou que abrirá um "procedimento de admissibilidade, seguido de processo ético". Veja na íntegra o comunicado divulgado pelo conselho:

"A presidência do Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro – COREN-RJ – informa que está apurando, através dos seus setores de Ética e Fiscalização, a ocorrência que aponta uma profissional da enfermagem como tendo, supostamente, praticado atos criminosos contra bebês, em um hospital particular na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Os atos, caso se confirmem verdadeiros, contrariam, na sua totalidade, a natureza da profissão por ela abraçada, que é voltada para o exercício da assistência e cuidados à vida humana. Fiscais do Coren-RJ já se dirigem à unidade hospitalar onde teria ocorrido o ato, a fim de realizar a devida apuração e coleta de provas. Após, será aberto procedimento de admissibilidade, seguido de processo ético. A profissional terá garantido o seu direito de defesa e do contraditório".

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