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Após receber a notícia de que teria apenas mais três meses de vida, enfermeira decidiu pedir ajuda para comprar remédio que não estava disponível no sistema de saúde pública e agora está em remissão da doença

Câncer terminal Laura Harris
Reprodução/Facebook
Câncer terminal Laura Harris

Ao ser diagnosticada com câncer terminal, a enfermeira Laura Harris, de 43 anos, que mora em Devon, na Inglaterra, escutou dos médicos de que ela teria apenas três meses de vida por conta de um tumor no intestino.

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Ao buscar tratamentos alternativos para o então estágio de câncer terminal , ela foi indicada a tomar um remédio que poderia salvar sua vida. No entanto, o medicamento não era financiado pelo National Health Service (NHS), como é chamado o sistema público de saúde da Inglaterra.

O Bevacizumab passou a ser negado pelo serviço depois que o Instituto Nacional de Saúde e Excelência Clínica (NICE) declarou, em 2010, que a droga não seria financiada pelo NHS porque os benefícios "não justificavam os custos".

Contudo, testes mostraram que o Bevacizumab, também conhecido por Avastin, pode parar a progressão do câncer por uma média de três meses. Em alguns casos de câncer de intestino, o medicamento prolonga a expectativa de vida em até três anos.

Harris então decidiu pedir ajuda na internet. Ela criou uma página de arrecadação de fundos destinada a arrecadar o equivalente a pouco mais de R$ 100 mil para conseguir a droga e fazer o tratamento.

O que a enfermeira não contava era que sua história ficaria conhecida e ela conseguiria doações de todos os lugares do mundo, quase ultrapassando a marca dos R$ 500 mil, o suficiente para cinco doses do remédio.

Com o dinheiro, foi possível pagar por três doses do tratamento que, juntamente da quimioterapia, colaborou para que em seu último exame não apontasse nenhuma evidência da doença ativa - o que ela descreveu como um tipo de remissão.

“Eu tenho ótimas notícias para dividir com todos vocês que compartilharam ou doaram para o meu GoFundMe [página de arrecadação na internet] para que eu pudesse pagar por um tratamento. Fiz uma varredura enquanto estava no hospital e não há evidência de doença ativa em nenhum lugar. Agora vou continuar esse tratamento o maior tempo possível. Obrigado por salvarem minha vida”, escreveu Harris em sua página do Facebook.

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Câncer terminal e outros problemas pedem doações na internet

Internautas de todo o mundo recorrem cada vez mais à internet para angariar fundos para pagar cirurgias ou tratamentos médicos. A mania ganhou força nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, onde sites de doação como IndieGoGo ou JustGiving promovem a arrecadação de dinheiro para diferentes causas.

Um dos usuários que buscaram este recurso foi o americano Chris Faddis, depois de descobrir que seu plano de saúde não pagaria todas as despesas do tratamento de sua mulher, Angela, 31 anos, diagnosticada com câncer do colo do útero em estágio avançado.

Em 2011, Por meio de um anúncio postado no IndieGoGo, para receber doações, ele começou a campanha "Salve uma vida: apoie o tratamento do câncer em estágio avançado de Angela Faddis".

Já na primeira semana, conseguiu arrecadar metade da meta de US$ 30 mil. Após 45 dias, o casal recebeu US$ 35,7 mil de 339 pessoas, entre anônimos e conhecidos, que fizeram doações de US$ 5 a US$ 1,6 mil.

"O que estamos pedindo é uma ajuda para a nossa necessidade imediata", disse Faddis na página oficial da campanha.

"Seu dinheiro não irá para encontrar uma cura para o câncer, mas para tentar curar o câncer da minha esposa".

O sucesso da campanha dos Faddis mostrou que a captação de fundos online, o crowdsourcing, estava começando a se espalhar para a custosa área dos tratamentos de saúde e hoje já é uma prática comum na internet, principalmente na Europa.

"Acredito que este tipo de iniciativa possa também fazer sucesso no Brasil", disse à BBC Brasil a diretora de marketing do IndieGoGo, Erica Labovitz. De acordo com ela, dezenas de campanhas orientadas para a área da saúde tem aparecido no IndieGoGo nos últimos meses. Os motivos são variados, desde pequenas despesas médicas até transplantes.

Dinheiro para o parto

Diferente dos Faddis, o jovem casal de Los Angeles Nicolas e Delondra Williams não estava enfrentando nenhum problema de saúde sério quando decidiu pedir doações na internet. Eles esperavam arrecadar US$ 4 mil para ajudar com as despesas do parto do primeiro filho. Como eles não tinham plano de saúde na época, o dinheiro serviu para cobrir as visitas médicas, exames, ultrassons e vitaminas.

"Quando ouvimos pela primeira vez sobre todos os custos e vimos o quanto eram limitados os nossos recursos, Delondra começou a chorar", lembra Nicolas, ao justificar a decisão de começar a campanha online.

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"Nós não tínhamos certeza como iríamos pagar o que acreditávamos ser o melhor para o cuidado do nosso filho."

Iniciar uma campanha nesses sites de arrecadação de fundos, seja para ajudar casos de câncer terminal , parto ou outro tipo de tratamento de saúde é gratuito. Mas o site leva alguma porcentagem do dinheiro arrecadado.

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