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Macie Greening foi diagnosticada com mesotelioma, tipo de condição que, normalmente, aparece depois de décadas respirando fibras de amianto

Diagnosticada com mesotelioma, a jovem ainda tem esperanças de conseguir um tratamento para prolongar a expectativa de vida
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Diagnosticada com mesotelioma, a jovem ainda tem esperanças de conseguir um tratamento para prolongar a expectativa de vida

Mesmo diante do cenário pouco colorido como o de um quarto de hospital, Macie Greening continua encantando os pais e familiares com seu jeito engraçado e alegre. Esse é o ambiente em que a menina, de apenas 14 anos, passa a maioria do tempo desde que foi diagnosticada como sendo uma das pessoas mais jovens do mundo a desenvolverem um câncer provocado por amianto, o mesotelioma.

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O tumor maligno e bastante agressivo, se dá, geralmente, quando a pessoa passa a respirar as fibras do amianto. No entanto, as doenças relacionadas ao amianto podem levar anos para se manifestarem, o que torna o caso de mesotelioma em Macie ainda mais raro.

De acordo com os pais da jovem, os médicos a classificaram como uma entre as nove crianças a serem diagnosticadas com a doença. Segundo eles, no mundo todo, apenas 20 adolescentes e crianças desenvolveram este tumor.

Já o site Asbestos.com , que leva o nome de outro termo usado como sinônimo de amianto, afirma que cerca de 300 casos deste tipo de câncer foram registrados em adultos jovens, crianças e bebês até então.

Assim, a causa dos casos em pessoas jovens ainda não foi identificada. Apesar o caso de Macie ter sido investigado, os médicos também não conseguiram descobrir o que teria desencadeado o tumor, já que o mesotelioma geralmente leva décadas para aparecer.

A doença não tem cura. Segundo os pais, a garota passou por quatro rodadas de quimioterapia para combater a forma rara da enfermidade, mas não obteve sucesso.

De acordo com a Oncoguia, no melhor dos cenários, a média de sobrevida de pacientes com esse tipo de tumor é de 21 meses para quem vive com a condição em estágio inicial.

Contudo, a família de Macie, que é de Cullompton em Devon, no Reino Unido, está se mobilizando para que ela possa realizar um teste clínico de drogas, que poderia aumentar suas chances de sobrevivência.

Além disso, amigos e entes queridos próximos à menina esperam levantar 15 mil libras para permitir que a adolescente, que adora se fantasiar de "princesa", faça uma viagem dos sonhos para o parque de diversões da Disney.

Em sua página de angariação de fundos os familiares escrevem que não se sabe o que acontecerá no futuro, mas que Macie “é uma verdadeira inspiração para todos".

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O que é mesotelioma?

Na maioria dos casos, não há cura para o mesotelioma; contudo, tratamentos podem diminuir os sintomas
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Na maioria dos casos, não há cura para o mesotelioma; contudo, tratamentos podem diminuir os sintomas

O mesotelioma é um tipo de câncer que se desenvolve no revestimento que cobre o superfície interna de alguns órgãos do corpo. É geralmente associada à exposição ao  amianto , um grupo de minerais feitos de pequenas fibras que costumavam ser amplamente utilizadas na construção.

As fibras microscópicas podem entrar facilmente nos pulmões, onde ficam presas, danificando-as com o tempo. Como resultado, o mesotelioma geralmente começa nos pulmões.

O uso do amianto foi completamente banido em 1999 no Reino Unido. Mas materiais contendo amianto ainda podem ser encontrados em muitos prédios antigos.

Não se sabe ao certo quantas crianças são diagnosticadas com a doença, mas os números mostram que nenhuma delas recebeu as notícias devastadoras no Reino Unido entre 2013 e 2015.

Na maioria dos casos, a condição afeta pessoas com idades entre 60 e 80 anos e os homens são mais afetados do que as mulheres.

Infelizmente, raramente é possível curar a enfermidade, embora o tratamento seja capaz de ajudar a controlar os sintomas, que tendem a desenvolver gradualmente ao longo do tempo.

Uso do amianto no Brasil

No Brasil, o uso de amianto foi proibido por ser uma substância cancerígena e causar doenças como mesotelioma
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No Brasil, o uso de amianto foi proibido por ser uma substância cancerígena e causar doenças como mesotelioma

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em setembro do ano passado, que fica  proibido o uso do amianto do tipo crisotila, usado na fabricação de telhas e caixas d’água. A decisão dos ministros foi tomada para resolver a dúvida jurídica que surgiu após a decisão da Corte que declarou a inconstitucionalidade de um artigo da Lei Federal 9.055/1995, que permitia o uso controlado do material.

De acordo com a decisão desta quarta, não poderá ocorrer a extração, a industrialização e a comercialização do amianto em nenhum estado do país. Mas ainda não foi discutido como a decisão será cumprida pelas mineradoras e talvez a questão tenha que ser discutida pelo Congresso.

Em agosto, ao julgar anteriormente a questão , cinco ministros votaram pela derrubada da lei nacional, porém, seriam necessários seis votos para que a norma fosse considerada inconstitucional, mantendo o uso do material.

Mas vários estados do país proibiam o amianto e empresários do setor também entravam, há anos, com ações no STF pelo fim dessas legislações estaduais. No julgamento da ação pelo fim da lei de São Paulo, também em agosto, o pedido foi negado e, por 8 votos a 2, ficou decidido ainda que a lei federal era inconstitucional e que cada estado poderia legislar sobre o assunto.

Assim, surgiu um vácuo jurídico, pois uma decisão mantia a comercialização e extração e outra tornava essas atividades proibidas em estados onde a substância já era vetada. Goiás, por exemplo, onde está localizada uma das principais minas de amianto, em Minaçu (GO), continuava autorizada a usar o amianto.

Ao longo de dez anos, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) entravam com ações contra as leis estaduais. A confederação sustentava que os estados não poderiam legislar sobre a proibição do amianto por tratar-se de matéria de competência da União. Segundo a defesa da entidade, os trabalhadores não têm contato com o pó do amianto.

De acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e outras entidades que defendem o banimento do amianto, apesar dos benefícios da substância para a economia nacional – geração de empregos, exportação, barateamento de materiais de construção -, estudos comprovam que a substância é cancerígena, provocando doenças como o mesotelioma , e causa danos ao meio ambiente.

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