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Projeto internacional selecionou para correr nos EUA 25 portadores de dispositivos que tratam condições crônicas

Diabético e corredor, o endocrinologista Júlio César comemora suas vitórias
Arquivo pessoal
Diabético e corredor, o endocrinologista Júlio César comemora suas vitórias
Criado há seis anos, o programa Global Heroes, iniciativa da Twin Cities In Motion e da Medtronic Foundation, nos EUA, seleciona corredores de todo o mundo que usem algum dispositivo médico para o tratamento de condições crônicas – como doenças cardíacas , diabetes , problemas de coluna, dores crônicas e distúrbios neurológicos – para participar da Maratona Medtronic Twin Cities (42 quilômetros) ou da Medtronic TC Mile 10 (corrida de 10 milhas / 16 quilômetros) em Minneapolis.

A proposta do projeto é homenagear pessoas que utilizam alguma tecnologia médica e mostrar que, mesmo assim, é possível se dedicar a um esporte e ter uma qualidade de vida melhor.

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Esse ano foram recrutados 25 atletas de 10 países, entre eles Austrália, Canadá, Suécia, Israel e Itália. A corrida será no final de setembro e, pela primeira vez, o Brasil terá seu representante.

Trata-se do médico endocrinologista Júlio César Batista Lucas, de 44 anos, diabético e usuário de bomba de insulina, aparelho que envia insulina a seu organismo 24 horas por dia. Portador de diabetes há 36 anos, Júlio conta que sempre praticou atividade física.

“Na infância jogava futebol, empinava pipa, andava de bicicleta. Na juventude comecei a nadar e correr. Não deixei de fazer nada por conta da doença. Só tomava cuidado para evitar a hipoglicemia (baixo nível de açúcar no sangue). Todo diabético teme esse quadro. É o que pode dificultar a prática esportiva.”

Com o uso popularizado da insulina, o controle melhorou, conta o médico. “Em 2009 passei do tratamento convencional (injetável) para o intensivo, com a utilização da bomba. Embora o diabetes nunca tenha me impedido de praticar esportes, o dispositivo trouxe muito mais segurança. Hoje, posso controlar melhor os meus níveis de glicose durante as atividades físicas e evitar as hipoglicemias”, explica o corredor.

A bomba de infusão de insulina é um aparelho, do tamanho de um pequeno celular, ligado ao corpo por um finíssimo cateter. A agulha é inserida na região subcutânea do abdômen ou da coxa, e deve ser substituída a cada três dias.

O dispositivo não mede a glicemia nem diz quanto de insulina deve ser usada. A dosagem continua sendo feita por meio do glicosímetro. Mas seu funcionamento é simples: libera a quantidade de insulina programada, 24 horas por dia, simulando o funcionamento do pâncreas de uma pessoa sem a doença.

Pedalar também está entre as atividades físicas do médico
Arquivo pessoal
Pedalar também está entre as atividades físicas do médico
Sobre a seleção para a corrida nos Estados Unidos, Júlio César só tem a comemorar. “Vou participar das 10 milhas e a expectativa é a melhor possível. Estaremos no outono americano, clima ideal para correr. E, dizem, é a prova urbana mais bonita do mundo”.

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uma maratona

A seleção dos Global Heroes é realizada pela Twin Cities In Motion, organização sem fins lucrativos, que realiza a corrida. A Medtronic Foundation ainda irá doar mil dólares em nome de cada corredor a uma associação de pacientes que educa e apoia as pessoas que vivem com a mesma condição do atleta.

“O objetivo do projeto é mostrar para as pessoas que mesmo sendo portadoras de uma doença crônica e usuárias de uma tecnologia médica, elas podem seguir com seus sonhos e viver uma vida ativa e plena”, explica Oscar Porto, diretor geral da Medtronic no Brasil.

“O Júlio César é um exemplo a ser seguido por muitos outros brasileiros. Estamos contentes por tê-lo como um Global Hero representante do nosso país nesse importante evento”.

Veja no infográfico: Como o corpo enfrenta a corrida
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