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Roque Marcos Savioli sempre teve um olhar diferenciado para o coração feminino. Hoje ele é um especialista no assunto

O coração feminino exige cuidados especiais. A dor pode ser emocional
Thinkstock/Getty Images
O coração feminino exige cuidados especiais. A dor pode ser emocional
“Qual foi a última vez que você fez algo por você?”, costuma questionar o cardiologista Roque Marcos Savioli à suas pacientes. Isso porque, como constata em sua experiência nos consultórios, as mulheres estão envolvidas em tantas funções hoje em dia que esquecem de si.

“Falta se colocar limites. Elas assumem muitas responsabilidades, cuidam de muita gente, se cobram demais. O coração sofre com isso”.

Vários estudos analisam o coração feminino de forma diferente ao do homem. E há tempos o cardiologista percebe esse movimento. Mas foi alguns anos atrás, em uma de suas palestras sobre saúde do coração, que ele definiu seu foco de vez.

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“Era um domingo de agosto, frio e chuvoso. Esperava uma plateia mínima. De repente me deparei com mais de mil mulheres, de todas as idades, ávidas por informações. Percebi, então, que deveria continuar com esse propósito de melhorar a qualidade de vida delas”.

Na prática clínica diária ele diz que observa o que os trabalhos científicos apontam: há mais preocupação com a saúde cardiovascular do homem do que com a da mulher.

O cardiologista Roque Marcos Savioli: sensibilidade para saber o que se passa com o coração feminino
Divulgação
O cardiologista Roque Marcos Savioli: sensibilidade para saber o que se passa com o coração feminino
“A mulher não se cuida tão bem quanto o homem quando o assunto é o coração”, revela. Acontece que a maior causa de morte entre mulheres são as doenças cardiovasculares, ou seja, o infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC) .

Por inúmeros fatores ela também demora muito para pedir ajuda. “A mulher está sempre pensando primeiro nos filhos, no marido, no trabalho... E é mais tolerante à dor”.

O cardiologista ilustra com a história de uma de suas pacientes: “Ela acordou com uma dorzinha e achou que era problema de estômago, não ligou. Depois viu o marido dormindo, ficou com dó de acordá-lo para pedir ajuda. Quando finalmente foi para o hospital, estava infartando”.

Do alto de sua experiência de 37 anos de profissão, Roque Savioli escreveu mais de uma dezena de livros, sendo o mais recente "Um Coração de Mulher" (Editora Canção Nova), no qual aborda os aspectos fisiológicos, emocionais e espirituais que envolvem o coração humano.

“Na maioria das vezes, a pessoa chega ao consultório sem doença alguma. Eu preciso ter a sensibilidade para entender que o que pode estar doendo é o emocional”, diz.

Confissões

O médico conta que ele próprio realiza o eletrocardiograma em suas pacientes – quando poderia deixar que um de seus assistentes o fizesse. “Quando elas deitam ali no divã, para o exame, as histórias vão surgindo”.

Em se tratando de saúde do coração, o médico também considera importantes aspectos como a fé e a espiritualidade – “que não necessariamente tem a ver com religião”. E gosta de lembrar o caso de Dona Carmem, uma senhora que o procurou beirando os 90 anos.

“Ela chegou ao meu consultório após ter lido meu livro Milagres que a Medicina Não Contou. Tinha acompanhamento médico, mas sua parte cardiológica estava sem os devidos cuidados.

Assim que a vi, senti que aquela senhora tinha algo de especial, pois ficou patente na minha lembrança o seu bom humor e o seu bem-estar, apesar do coração fraco e das limitações que a idade lhe impusera. Tive de solicitar, em caráter de urgência, uma internação para que pudéssemos implantar um marca-passo para normalizar seu quadro”.

Uma das coisas que mais o impressionou em Dona Carmem foi a alegria de viver, a inteligência e principalmente a fé.

“Por pior que fosse o momento, por próximo que ela estivesse da morte, sempre esteve firme em sua fé. Em uma outra ocasião a atendi queixando-se de dores no peito que a fizeram imaginar um infarto. Após tranquilizá-la, mostrando que as dores eram de origem muscular, ela me chamou de lado e sussurrou em meu ouvido: ‘doutor Roque, pensei que já estava indo dar um abraço em Jesus’”.

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