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A história da endocrinologista que driblou duas grandes dificuldades da relação médico-paciente

Entre tantas histórias diferentes vividas dentro do consultório, duas são as que mais marcaram a vida profissional da endocrinologista Claudia Cozer. O ponto comum entre elas é o fato dos pacientes terem se tornados assíduos frequentadores do consultório e da casa da médica.

Uma professora de inglês de São Paulo, de 33 anos, cujo nome a especialista prefere não revelar, chegou ao consultório pesando 180 quilos. “Ela tinha dificuldade para andar, precisava de duas cadeiras para sentar e estava enfrentando problemas com os pais. A mãe tinha Alzheimer e o pai estava com uma doença crônica. Com a falta de mobilidade, ficava difícil ajudar”, relata.

Ao analisar conjuntamente o histórico familiar e o quadro de obesidade da paciente (que estava 130 quilos acima do peso ideal), a sugestão da endocrinologista foi operar. Mas a professora não tinha convênio médico.

“Me solidarizei com o caso. Na época eu trabalhava no Hospital das Clínicas de São Paulo. Conversei com um amigo, cirurgião bariátrico, e operamos de graça”, revela.

Já no pós-operatório, caminhar e se mexer ficou mais fácil, permitindo que ela cuidasse dos pais. A professora, agradecida, passou a dar aulas de inglês para Claudia e seus filhos. Não demorou muito para as duas virarem amigas “daquelas que vão à casa uma da outra”, diz.

Oito anos depois da cirurgia, a professora emagreceu 120 quilos, faz esporte regularmente e é saudável. E quando vai ao consultório para um check-up, faz questão de pagar a consulta.

Difícil começo

Claudia sempre chega ao consultório carregando uma sacola, em que leva toalhas limpas, comida e outros itens. Um dia, atrasada, teve que lidar com o mau-humor de um paciente que esperava sua vez e supôs que ela estava no shopping. “Eu tenho vontade de quebrar a sua cara”, disparou ele, logo ao entrar. “Eu me controlei e respondi calmamente que não era possível ter uma relação médico-paciente dessa forma, mas ele insistiu em seguir com a consulta”, relembra.

Nesse primeiro contato, Claudia adotou um tom sério, foi técnica e objetiva, e explicou tudo em detalhes. O paciente retornou e foi tratado da mesma forma. Aos poucos, a confiança entre os dois aumentou, ele perdeu 15 quilos e hoje, seis anos depois, não deixa de ir ao consultório pelo menos uma vez ao ano.

“Com o passar do tempo, ele foi falando, tentando explicar o nervosismo daquele dia. Com carinho e compreensão, posso dizer que esse episódio foi superado. Hoje, rimos e levamos tudo isso na brincadeira”, explica Claudia. O paciente de quem as secretárias tinham medo virou amigo e cliente assíduo.

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