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Quem tem jornadas de trabalho mais longas tem risco aumentado de desenvolver problemas cardiovasculares

Acúmulo: horas extras aumentam o risco de ter doenças cardíacas
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Acúmulo: horas extras aumentam o risco de ter doenças cardíacas
Pessoas que trabalham regularmente por longas horas podem aumentar significativamente seu risco de desenvolver doenças cardíacas, principal causa de morte no mundo, afirmam cientistas britânicos.

Segundo os pesquisadores, um estudo de longo prazo mostrou que trabalhar mais de 11 horas por dia aumentou o risco de doença cardíaca em 67% em comparação com a jornada de trabalho padrão – de sete a oito horas por dia.

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As descobertas sugerem que as informações sobre horário de trabalho – usadas com outros fatores, como pressão alta , diabetes e tabagismo – podem ajudar os médicos a estipular o risco de um paciente de doença cardíaca.

No entanto, os autores do estudo não souberam precisar se longas horas de trabalho contribuem diretamente para o risco de doença cardíaca, ou se agem como um "marcador" de outros fatores que podem prejudicar a saúde do coração – como hábitos alimentares pouco saudáveis, falta de exercício ou depressão .

"Este estudo pode nos fazer pensar duas vezes sobre o velho ditado ‘trabalho duro não mata ninguém’ " disse Stephen Holgate, do Medical Research Council do Reino Unido, que co-financiou a pesquisa.

O estudo, publicado na revista Annals of Internal Medicine, seguiu quase 7.100 trabalhadores britânicos durante 11 anos.

"Dias de trabalho longos estão associados a um notável aumento no risco de doença cardíaca", disse Mika Kivimaki, da Universidade Britain's College London, que liderou a pesquisa. Ele disse que os achados podem funcionar como um “choque de realidade” para quem trabalha demais.

"Considerando que incluir uma pergunta sobre as horas de trabalho do paciente na consulta médica é simples e útil, a pesquisa indica que ela deveria se tornar um padrão nas consultas", disse ele.

As doenças cardiovasculares, como ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs) matam cerca de 17,1 milhões de vidas por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Bilhões de dólares são gastos anualmente em dispositivos médicos e medicamentos para tratá-los.

Os resultados deste estudo corroboram pesquisas anteriores que mostram uma ligação importante entre a duração da jornada de trabalho e doenças cardíacas. Mas os pesquisadores afirmam que os trabalhadores não precisam ficar alarmados, dizem os autores do estudo.

"A evidência atual sobre prevenção enfatiza a importância de focar no risco total em vez de fatores de risco individuais", disse à Reuters Health Kivimaki.

"As pessoas que trabalham muitas horas devem ser particularmente cuidadosas em seguir uma alimentação saudável, fazer exercícios o suficiente e manter a pressão sanguínea, os níveis de colesterol e de açúcar no sangue dentro de limites saudáveis."

A pesquisa utilizou dados de um estudo chamado de Whitehall II, que tem seguido a saúde e o bem-estar de mais de 10.000 trabalhadores do serviço público na Grã-Bretanha desde 1985. Para este estudo, homens e mulheres que trabalharam em tempo integral e não tinham nenhuma doença cardíaca foram selecionados, somando 7.095 participantes.

Os pesquisadores coletaram dados sobre os fatores de risco cardíaco, como idade, pressão arterial, colesterol, tabagismo e diabetes e também pediram que os participantes relatassem quantas horas trabalhavam, em média – incluindo o trabalho durante o dia e trabalho levado para casa – em um dia útil.

Durante os 11 anos de estudo, 192 participantes tiveram ataques cardíacos. Aqueles que trabalharam 11 horas ou mais por dia eram 67% mais propensos a ter um ataque cardíaco do que aqueles com menos horas de trabalho.

* Por Kate Kelland

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