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Diretor da entidade afirma que teste clínico é mais eficaz para detectar câncer de próstata do que o de sangue

Exame ainda desperta receio em muitos homens
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Exame ainda desperta receio em muitos homens
Um grupo de trabalho formado por especialistas em saúde masculina dos Estados Unidos divulgou, no final da semana passada, uma nova recomendação para mapear o câncer de próstata .

Segundo o painel elaborado pelos técnicos do US Preventive Services Task Force (Força Tarefa de Saúde Preventiva que norteia o governo americano) com base nas análises de mais de um milhão de pacientes atendidos, os homens saudáveis com menos de 75 anos não precisam fazer o teste de sangue, conhecido como PSA, que sugere a presença da doença ao avaliar a quantidade de uma proteína no organismo.

Saiba mais sobre o PSA

De acordo com a publicação, o PSA não é eficaz para o diagnóstico precoce e ainda pode acarretar tratamentos e cirurgias em excesso já que “a maioria dos cânceres detectados não exigiria tratamento, mas ainda sim 90% dos homens com alterações são submetidos às técnicas invasivas.”

O iG Saúde entrevistou o diretor do Instituto Nacional do Câncer (Inca) do Brasil, Luiz Antonio Santini, para saber se as recomendações brasileiras serão alteradas com a nova publicação. Santini afirmou que os achados internacionais só reforçam as práticas já adotadas por aqui.

“PSA aumentado não é sinônimo de câncer de próstata”. Ainda conforme Santini, o “exame de toque retal é muito mais fidedigno e deve fazer parte das consultas clínicas de rotina para homens com mais de 50 anos" disse. Confira a entrevista.

iG: As novas recomendações norte-americanas sobre o PSA alteram a prática brasileira?
Santini: Elas só reforçam a nossa recomendação já em prática. O PSA não é específico para detectar o câncer de próstata. Ele simplesmente indica que a próstata está aumentada e isso pode ser por causa de uma lesão maligna ou benigna. Por isso, o teste não é uma boa ferramenta de rastreamento da doença. Um outro fator é que, mesmo quando o PSA detecta um câncer, na maioria das vezes, o homem vai ser rastreado aos 50 anos e morrer, de outra causa, muitos anos depois de detectado o tumor e não por causa deste câncer.

iG: Isto significa que o PSA é um exame obsoleto?
Santini:
Não. Significa que o PSA deve ser uma recomendação particular e não universal. O homem precisa fazer consultas periódicas com o urologista e é o médico que pode avaliar, caso a caso, a necessidade do PSA com base no quadro clínico de cada paciente. Diferentemente do tumor de mama, que obrigatoriamente precisa ser tratado, o tumo de próstata nem sempre exige intervenção ou operação. Fazer disso uma recomendação universal pode acarretar um excesso de tratamentos, que trariam efeitos colaterais não necessários, como uma possível sequela de impotência ou incontinência urinária. A decisão pelo PSA cabe a cada médico e seu paciente.

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iG: E com relação ao exame de toque retal, há alguma dúvida?
Santini:
Não há discussão sobre o toque retal e nem dúvidas. Ele faz parte do exame físico que deve ser aplicado em homens com mais de 50 anos. O toque retal é muito mais específico do que o PSA, já que uma próstata endurecida apalpada é mais fidedigna para mostrar presença de doenças que vão além do câncer de próstata. É por meio do toque retal que são detectados quadros agudos, como uma apendicite, um tumor na porção baixa do intestino ou até câncer anal. Até mesmo as mulheres, em alguns casos, precisam passar pelo toque quando o exame vaginal não consegue mapear as doenças.

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