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Mobilização para encontrar medula compatível aumentou o número de doadores e gerou outras seis doações

Jeniffer, ainda sem cabelos, durante campanha por doação de medula óssea
Reprodução
Jeniffer, ainda sem cabelos, durante campanha por doação de medula óssea
Jennifer Jones Austin trabalha como advogada e defensora infantil no Brooklyn, NY, e se dedica a proteger crianças em situação de risco. Parece mesmo apropriado que, na hora em que mais precisou, sua vida tenha sido salva graças a duas crianças recém-nascidas.

Em setembro de 2009, Jeniffer ficou subitamente doente. No início, os sintomas (fadiga e febre) lembravam uma gripe, mas depois de alguns dias a situação piorou. “Eu acordei e não podia ver”, lembra. “Estava cega.”

A advogada deu entrada no hospital e passou por uma bateria de testes. O diagnóstico veio logo: ela tinha uma forma rápida de leucemia e suas chances de sobreviver eram pequenas.

“Conforme os médicos diziam como seria o tratamento com quimioterapia, comecei a respirar superficialmente”, conta. “Não conseguia respirar por conta própria.” Novos testes revelaram que a leucemia já havia chegado aos pulmões e interferia em sua capacidade de respirar.

“Os médicos pensaram que eu ia morrer”, relembra. “Fui para a UTI na sexta-feira e eles disseram à minha família que provavelmente eu não sobreviveria ao fim de semana.” Jennifer ficou em coma induzido por 10 dias enquanto os médicos tratavam o câncer com quimioterapia agressiva.

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Quando acordou, outra má notícia: ela precisava de um transplante de medula óssea o mais rápido possível. “Eles tinham certeza que o câncer voltaria se eu não fizesse um transplante”, disse ela.

Mas Austin é afro-americana, o que tornava difícil encontrar um doador compatível. O irmão e duas irmãs eram suas melhores apostas e foram submetidos a testes. “Eles todos combinavam entre si, mas não comigo”, relembra.

O próximo passo foi tentar junto ao Programa Nacional de Doadores de Medula Óssea, que mantém um cadastro de pessoas dispostas a doar medula. O registro, no entanto, não continha nenhuma combinação.

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Sua família resolveu entrar em ação. Eles fizeram uma campanha na mídia, nas redes sociais e em igrejas pedindo que afro-americanos de todo o país se registrassem como doadores de medula na esperança de encontrar alguém correspondente.

“Mais de 13.000 pessoas se cadastraram em menos de 13 semanas,” disse Austin. Esse foi o maior número de doadores já adicionado por uma única família e o maior número de doadores afro-americanos já registrados em um único ano. Mas mesmo com todos esses esforços, não foi encontrado um doador compatível.

No entanto, havia uma alternativa. O Programa Nacional de Doadores de Medula identificou duas doações de sangue de cordão umbilical como provavelmente compatíveis com ela. O material recolhido do cordão está se tornando uma alternativa à doação de medula óssea para pessoas de origem étnica, porque essas células não precisam ser tão semelhantes.

“Eu tinha ouvido falar das células-tronco como uma questão controversa”, disse Austin. “Não estava ciente do fato de que o sangue do cordão estava sendo usado como transplante de medula óssea.”

O transplante em si, realizado em fevereiro de 2010, foi bastante fácil. Por meio de um acesso intra-venoso as células-tronco fluiram em seu corpo. No entanto, a preparação para receber as células foi descrita por ela como “um processo muito cansativo.”

“Para o corpo receber e aceitar o processo, eles têm de vencer seu corpo”, disse ela. Os médicos usaram quimioterapia agressiva e radiação para matar as células cancerígenas remanescentes e reduzir o sistema imunológico e, em seguida, fizeram o transplante.

“Depois disso, passei 40 dias no hospital em confinamento. Não podia sair da sala.”

A recuperação foi lenta. “Levei cerca de seis meses para ser capaz de andar um quarteirão e meio sem me cansar e antes eu era símbolo de boa saúde”, disse ela. “Comia muito bem, me exercitava regularmente, não era obesa.”

Mas hoje ela se sente muito bem. “Só percebo que ainda tenho um caminho a percorrer quando tento subir um lance de escada e estou cansada quando chego ao topo”, disse. “Ou quando estou parada por 15 minutos, olhando para uma obra de arte em um museu, e meu corpo começa a se cansar. Se essa é a extensão dos efeitos, acho que estou pronta para seguir em frente.”

E embora o esforço nacional para salvar a vida de Austin não a tenha beneficiado diretamente, outras pessoas foram ajudadas. “Cerca de seis pessoas disseram ter se registrado por conta da minha situação e foram chamadas para serem doadores de outros doentes”, relata.

Dada a sua profissão e vocação, Austin vê as doações que salvaram sua vida como algo próximo à intervenção divina. “A ironia de tudo isso é que, no final, quando eu precisava de alguém para me ajudar, o Senhor colocou o sangue do cordão umbilical de dois pequenos para mim", disse ela. "Eu não estaria aqui hoje, compartilhando a minha história, se não fosse por essas crianças.”

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