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Vítima de um acidente com amputação traumática, suas chances de caminhar eram zero. Ele chorou de emoção ao ver as pernas de volta

O jovem submetido no domingo passado ao primeiro transplante duplo de pernas no mundo está "clinicamente muito bem" e poderá caminhar em seis ou sete meses, afirmou nesta terça-feira seu cirurgião, o espanhol Pedro Cavadas.

"O paciente - um homem entre 20 e 30 anos - está acordado desde segunda-feira e chorou quando viu as pernas", declarou em entrevista coletiva Cavadas, explicando que a intervenção cirúrgica durou cerca de dez horas.

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O jovem sofreu, em consequência de um acidente, uma amputação traumática de ambas pernas acima do joelho: na direita acima do fêmur e na esquerda, no terço discal desse osso.

Segundo Cavadas, o paciente estava "relegado a uma cadeira de rodas" e suas possibilidades de caminhar "eram zero", uma vez que não podia utilizar próteses por motivos técnicos e anatômicos. "Então consideramos a possibilidade de fazer a cirurgia e, após pedir as solicitações correspondentes, a Organização Nacional de Transplante deu o parecer favorável", disse Cavadas, acrescentando que um ano se passou até encontrarem um doador adequado.

O cirurgião, de 46 anos, recomendou cautela, mas destacou que o paciente está ansioso para sair da UTI. Segundo Cavadas, agora começa a fase marcada por "um esforço reabilitador descomunal ao longo dos anos, que terminará com um paciente caminhando".

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De acordo com as previsões dos médicos, o jovem deve ser capaz de movimentar os joelhos em três semanas, será capaz de caminhar na piscina em dois meses e, mais um mês depois, poderá aguentar seu próprio peso. "Se tudo acontecer como planejamos, em seis ou sete meses poderá estar caminhando", afirmou o cirurgião.

O médico ressaltou que a mecânica é muito similar a de qualquer transplante, com uma parte cirúrgica "muito trabalhosa" e uma limitação de tempo que exige grande coordenação.

Embora esteja considerando outros casos para realizar outra cirurgia desse tipo, Cavadas considerou que seria "razoável esperar pelo menos um ano para ver como este paciente evolui", já que é a primeira operação destas características realizada no mundo.

Segundo o cirurgião, esta intervenção é "um tratamento que pode melhorar a situação de um amputado duplo acima dos joelhos, jovem, que não pode receber próteses e que entenda e aceite os riscos de um transplante".

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