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Procedimentos novos ou arriscados demais colocam a vida em risco e podem deixar marcas para o resto da vida

Médicos afirmam que é mais seguro fazer plásticas em hospitais
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Médicos afirmam que é mais seguro fazer plásticas em hospitais
A falta de evidência científica para a realização de alguns procedimentos cirúrgicos tem sido alvo de preocupação entre especialistas em cirurgia plástica.

O implante de próteses mamárias em adolescentes, a mesoterapia (injeções contra celulite e gordura localizada) e os implantes nos bíceps fizeram parte dos debates que aconteceram na 31ª Jornada Paulista de Cirurgia Plástica, que se encerra neste sábado (4).

Existem basicamente dois problemas que preocupam os médicos. Primeiro, algumas cirurgias são recentes e há poucos trabalhos científicos para embasá-las. Segundo, existem procedimentos perigosos demais ou ineficientes, mas que continuam sendo praticados.

“É o caso da mesoterapia com fosfatidilcolina”, aponta Carlos Alberto Komatsu, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), regional São Paulo. O tratamento consiste em injeções da substância nas regiões do corpo que tenham celulite ou gordura localizada.

Os resultados são visíveis. O medicamento dissolve a gordura localizada, permitindo que ela seja metabolizada pelo fígado. Contudo, existe o risco da gordura acumular no órgão e prejudicar o seu funcionamento.

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“Muitas complicações já foram notificadas, como necroses na pele”, afirma o médico. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não tem registro do medicamento, que é originalmente indicado contra embolia gordurosa do coração .

A mesoterapia pode ser realizada com outras substâncias que, embora mais seguras, são menos eficientes. Komatsu recomenda aos interessados no procedimento que verifiquem a substância a ser usada e jamais utilizem fosfatidilcolina. “Uma lipoaspiração também pode ser considerada. Ela oferece resultados melhores”, sugere.

Perigo para o rosto

Outro alvo de discussões são os enxertos de PMMA (polimetilmetacrilato) para aliviar marcas de expressão no rosto. “Eles são permitidos apenas em casos muito específicos, como em pacientes afetados pela aids ”, aponta o cirurgião plástico João Prado Neto, ex-presidente da SBCP (regional São Paulo). Nos demais, o produto é proibido por questões de segurança.

"Tenho uma paciente que perdeu parte do nariz e, mesmo depois da restauração, ficou marcada”, conta o médico.

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O problema é que o PMMA é muito mais barato e durador do que os enxertos de ácido hialurônico, material considerado mais seguro para o procedimento. “Enquanto 1 ml de PMMA custa R$ 40, a mesma quantidade de ácido custa dez vezes mais. E o ácido é absorvido em um ano, já o PMMA pode durar até três décadas”, compara Prado Neto.

Silicone para os braços

Outro ponto destacado por Komatsu são os implantes de silicone nos braços. A técnica é usada para fazer homens parecerem mais musculosos ou para mulheres acabarem com a flacidez na região do tríceps – a famigerada flacidez do "tchauzinho".

“Esse tipo de cirurgia ainda está no começo. Existem poucos trabalhos científicos”, ressalta Komatsu. O implante é realizado com próteses originalmente desenvolvidas para a região da panturrilha, só que em menor tamanho.

Além da falta de evidência, o procedimento é questionado por ser uma espécie de atalho para a beleza. “A pessoa pode combater a flacidez ou ficar mais musculosa com dieta e exercícios”, afirma o cirurgião plástico Cássio Vieira, membro da SBCP.

“A cirurgia plástica deve ser o último recurso, afinal ela envolve um risco como qualquer cirurgia”, ressalta Komatsu.

Os médicos também discutem os cuidados especiais ao lidar com implantes de mama em adolescentes. O corpo delas ainda está em desenvolvimento e os seios podem crescer, o que tornaria um implante desnecessário ou precipitado.

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Além disso, existe o aspecto emocional. A experiência clínica de alguns médicos confirma que as adolescentes estão mais sujeitas a mudarem de opinião e, portanto, correm um risco maior de rejeitar o resultado de um eventual procedimento.

Por fim, os especialistas alertam para a necessidade das cirurgias serem realizadas em hospitais, onde haja unidade de tratamento intensivo (UTI), e também que sejam feitas apenas por especialistas.

“A formação em cirurgia plástica requer três anos de cirurgia geral e outros dois em cirurgia plástica. É prudente não optar por médicos de outras especialidades que fazem um workshop e resolvem operar”, adverte Komatsu.

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