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A doença que atinge a cantora pode ser causada por vírus ou bactérias, inspira cuidados, mas não é grave como a meningite C

Ivete Sangalo cancelou shows para tratar uma meningite classificada como benigna
Divulgação
Ivete Sangalo cancelou shows para tratar uma meningite classificada como benigna
A simples citação do nome meningite na notícia da internação da cantora Ivete Sangalo ontem (4), em Salvador, deixou muita gente preocupada, especialmente porque casos da forma mais perigosa da doença, a meningite meningocócica, vem pipocando pela Bahia desde setembro deste ano .

Saiba mais sobre a meningite meningocócica

O boletim médico divulgado hoje (5) pelo hospital em que está internada a cantora já informou que esse diagnóstico preocupante foi descartado e que Ivete tem uma variante "benigna" da doença. Saiba mais sobre ela.

A meningite é causada pela inflamação das meninges – membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal.

“Qualquer que seja o agente causador da inflamação das meninges, os sintomas costumam ser dor de cabeça, náuseas e febre e rigidez na nuca”, explica Rodrigo Angerami, infectologista do Hospital das Clínicas da Unicamp e membro da diretoria da Sociedade Paulista de Infectologia. Os quadros virais são mais leves e, nesses casos, a meningite pode ser denonimada “benigna”.

“Significa que provavelmente a doença não trará complicações”, diz o especialista da Unicamp.

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A meningite viral geralmente não apresenta risco de transmissão de pessoa para pessoa. Portanto, o paciente não necessita de isolamento. Seu contágio se dá por meio de água e alimentos contaminados. Já a meningite bacteriana – causada principalmente pelos meningococos, pneumococos ou hemófilos – é altamente contagiosa e geralmente grave, sendo a doença meningocócica a mais séria delas.

“Causada pela Neisseria meningitidis, essa meningite pode levar à inflamação nas meninges e, também, infecção generalizada (meningococcemia)”, diz Ricardo Cunha, diretor de vacinas do Delboni Auriemo Medicina Diagnóstica.

A transmissão se dá pelo contato de saliva ou gotículas de saliva da pessoa doente com os órgãos respiratórios de uma pessoa saudável, levando a bactéria para o sistema circulatório aproximadamente cinco dias após o contágio.

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Como crianças de até seis anos de idade ainda não têm seus sistemas imunológicos completamente amadurecidos, estão mais vulneráveis à enfermidade. Idosos e pessoas com o sistema imunológico debilitado também fazem parte do grupo de maior suscetibilidade.

“Vale lembrar que alguns casos de meningite bacteriana podem não ser graves, assim como casos virais podem evoluir com complicações”, reforça Angerami.

Para a confirmação diagnóstica das meningites são feitos alguns exames. “Para determinar a presença de meningite e verificar o agente causador, retira-se um líquido da espinha, denominado líquido cefalorraquidiano”, informa Cunha.

Leia também: Novo exame aumenta precisão de diagnóstico de meningite bacteriana

Em caso de meningite viral, o paciente fica internado por alguns dias para avaliação de sua evolução clínica e para controlar os sintomas da doença. Na bacteriana é indicado o uso de antibióticos específicos e o doente fica no hospital durante todo o período de tratamento.

A prevenção de alguns tipos de meningites pode ser feita por meio de vacinação. “É importante ressaltar a necessidade de procurar precocemente avaliação médica caso apareçam sintomas da doença”, diz Angerami. Grávidas com quadro de meningite, mesmo que na forma branda viral, necessitam de cuidados e acompanhamento médico, pois há risco da doença gerar complicações na gravidez .

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