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Márcio Nakashima conta como a família sofre com o assassinato da irmã, a advogada Mércia

Advogada Mércia Nakashima desaparece no dia 23 de maio de 2010 após deixar a casa da avó. No dia 25, familiares comunicam a polícia e espalham cartazes
Divulgação
Advogada Mércia Nakashima desaparece no dia 23 de maio de 2010 após deixar a casa da avó. No dia 25, familiares comunicam a polícia e espalham cartazes
Dezenove dias de angústia sem saber o paradeiro de Mércia, a caçula de três irmãos. O corpo da advogada de 28 anos de São Paulo foi encontrado em um rio e, junto com ele, veio a certeza de que ela havia sido assassinada.

“E foi impossível pensar em cuidar da saúde neste período em que você perde a noção das horas e do espaço. Ainda é um misto de dor, revolta e também medo”, conta Márcio Nakashima, irmão de Mércia.

Entenda o caso Mércia Nakashima

O ex-namorado de Mércia, o também advogado Mizael Bispo, é o principal suspeito e está sendo julgado pelo crime esta semana. A revolta por não saber onde está Bispo, explica Márcio, caminha junto com o temor de cogitar que a violência pode fazer mais uma vítima no mesmo núcleo familiar.

“Já fomos ameaçados, mas não vou me abater”, repete o irmão da advogada.

Todas estas sensações castigam corpo e mente dos familiares, que ainda vivem um luto incompleto.

“Minha mãe, que nunca havia tomado comprimidos, já ficou internada por crises de hipertensão. A pressão dela chegou a 26 por 16”, conta Márcio.

“Minha irmã Cláudia também adoeceu. Teve crises renais e chegou a pesar 36 quilos. Mas tudo isso parece ficar em segundo plano. Se a Justiça fosse eficaz e rápida, se tivesse feito a sua parte, talvez a gente conseguisse ter alguma preocupação com a nossa saúde”, define Nakashima.

A violência, quando não mata, de fato adoece quem sobrevive . É para estas pessoas que ficam de fora das estatísticas de assassinatos, acidentes de trânsito e sequestros que os médicos defendem um tratamento integral e em rede, que esteja disponível tanto nas unidades básicas de saúde quanto nos hospitais mais especializados. Os sintomas nos sobreviventes podem de fato aparecer na forma de hipertensão, enxaqueca e dores físicas. As consequências psicológicas, se não tratadas, podem acompanhar quem fica pelo resto da vida.

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“Você esquece de comer, não pensa nas contraindicações de remédios, vive um dia depois do outro sem ter noção de que precisa de cuidados. A minha família está unida, mas destruída. O que nos fortalece é a vontade de fazer justiça. Também encontramos força nas pessoas que passam por situação semelhante e nos procuram. Já recebi várias ligações, de gente de todo País, procurando apoio e oferecendo solidariedade.”

Márcio Nakashima sabe da importância que é sobreviver. “Tenho um filho, tenho pessoas que dependem de mim. Preciso continuar a minha vida.”

Ele também reconhece a importância do acolhimento médico e da oferta de apoio para os que ficam. Mas sem pensar duas vezes, sabe que estaria mais tranquilo e com mais equilíbrio se o País encontrasse um remédio contra a impunidade.

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