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A dor pode ser interpretada de diferentes formas. Saiba o que levar em conta para buscar tratamento adequado

Cada um reage à dor de uma maneira, mas o sinal não deve ser ignorado
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Cada um reage à dor de uma maneira, mas o sinal não deve ser ignorado
Considerada o quinto sinal vital, a dor é um alerta que o corpo dá quando algo não vai bem.

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Ela é resultado de um complexo sistema de transmissão neurológica que ajudou a espécie humana a sobreviver às diferentes condições e aos perigos a que estava submetida Por exemplo: ao colocar a mão no fogo, o homem aprendeu a reagir diante do desconforto provocado pela chama, evitando maiores lesões. Ou seja, sentir dor sempre foi útil para a sobrevivência da espécie. Sentir dor é normal – o que não é normal é sentir dor por muito tempo.

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“Após três meses com o incômodo, a dor deixa de ser um sintoma e pode se tornar a própria doença”, alerta o neurocirurgião Alexandre Amaral, membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Funcional e diretor médico do Centro Multidisciplinar da Dor, do Rio de Janeiro.

“Dor é subjetiva – já que cada pessoa tem uma relação única com ela –, mas não é psicológica. Bancar o forte, ignorando-a, não é o melhor caminho”, completa Roberto Heymann, reumatologista chefe do Ambulatório de Fibromialgia e assistente doutor da disciplina de reumatologia da Unifesp.

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A pesquisa Fibromialgia: além da dor , realizada pelo Instituto Harris Interactive a pedido da Pfizer no Brasil, México e Venezuela, com 904 participantes (604 médicos e 300 pacientes), revelou que as pessoas levam muito tempo para procurar ajuda médica ao experimentarem os primeiros sintomas de fibromialgia – quadro de dor crônica e difusa. Por aqui, os pacientes demoram mais de dois anos. Os venezuelanos adiam por menos tempo o problema e procuram auxílio após quase oito meses de incômodos.

Os motivos que levam a essa postergação variam: no Brasil e no México, a maioria pensa que os sintomas desapareciam sozinhos. Os venezuelanos acreditam, principalmente, que conseguiriam resolver o problema por conta própria.

A seguir os especialistas desvendam os mitos acerca desse desconforto que compromete a qualidade de vida.

Só existe um tipo de dor
MITO
. A dor pode ser classificada por sua duração e intensidade. Em geral é dividida em aguda e crônica. A aguda é justamente aquela que serve de alerta ao organismo. Costuma ser localizada e geralmente é decorrente de um episódio de esforço excessivo, queda, acidente ou má postura. Já a dor crônica é incapacitante e não tem utilidade ao organismo. Inicia de forma lenta e dura mais do que três meses. A causa muitas vezes não é identificada.

Dor avaliada no início responde mais rapidamente ao tratamento
VERDADE
. “Ela deve ser tratada o mais precocemente possível, com medicamentos corretos e na dose adequada. É errado tomar remédio somente quando a dor ultrapassou o limite do suportável”, diz Heymann.

Toda dor pode ser tratada com analgésicos isentos de prescrição
MITO
. Existem diferentes classes de analgésicos para o tratamento das diferentes ocorrências de dor. Alguns dos medicamentos isentos de prescrição integram a classe dos Aines – anti-inflamatórios não hormonais – e são voltados para o alívio de dores agudas. Para as crônicas, há medicamentos de outras classes terapêuticas.

Existem diferentes classes de medicamentos para o tratamento dos diferentes tipos de dor
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Existem diferentes classes de medicamentos para o tratamento dos diferentes tipos de dor
O uso abusivo de analgésico ou anti-inflamatório pode piorar o quadro de dor
VERDADE
. A automedicação e o excesso de remédios podem levar ao agravamento da saúde do paciente. “Pode acontecer a cronificação da dor. Além disso, o uso abusivo aumenta os riscos de sangramento gastrointestinal e de morte por lesões hepáticas”, reforça Amaral.

Dor é um mal sem cura. Devo me acostumar a ela
MITO
. Especialistas alertam que ela não deve ser negligenciada. Atualmente existem diversos tratamentos, desde medicamentos até cirurgias e técnicas alternativas, como massagens e acupuntura, entre outros recursos.

“Uma equipe multidisciplinar, formada por médico, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e psicólogo, é capaz de definir o melhor tratamento e levar ao maior alívio possível do desconforto do paciente”, diz Amaral.

Posso ignorar a dor. Uma hora ela passa
MITO
. Deve-se investigar as causas do incômodo. Pesquisas apontam que a dor pode ser incapacitante, sendo uma das principais causas de falta ao trabalho e perda de produtividade. Ou seja, ignorá-la compromete a rotina e a qualidade de vida.

A dor piora com o envelhecimento
MITO
. “Nem todo mundo que envelhece sente dor ou sente mais dor. Mas quanto mais velhos ficamos, mais desgaste ocorre em músculos, ossos e articulações, podendo levar a desconfortos. Várias doenças também se tornam frequentes, podendo gerar quadros dolorosos”, explica Heymann.

Dor exige repouso
DEPENDE
. É preciso conhecer a causa da sua dor. O exercício na presença da dor aguda, na maioria das vezes, é contraindicado, pois pode piorar a lesão e aumentar o desconforto. “Se for uma dor muscular a região machucada deve ser poupada”, diz Heymann. Porém, o exercício costuma ajudar a controlar a dor e a aumentar a força, a flexibilidade e o condicionamento físico.

“Quanto menos movimento, mais atrofiado fica o paciente, o que pode cronificar suas dores. Estimulamos o exercício até para quem tem síndrome fibromiálgica. Claro que respeitamos a capacidade, a condição e os limites do paciente”, completa o médico do Centro Multidisciplinar da Dor.

Dores musculares e de cabeça são as mais comuns
VERDADE
. Segundo o estudo O Mapa da Dor no Brasil essas são as dores que mais acometem os brasileiros – afetam 92% e 64% das pessoas, respectivamente, pelo menos alguma vez na vida.

Hábitos de vida saudável podem prevenir e ajudar a lidar melhor com as dores
VERDADE
. Hábitos de sono saudáveis; dieta equilibrada; manter o peso sob controle; prática regular de atividade física; cuidados com a postura no dia a dia são atitudes que devem ser incorporadas na rotina para prevenir as dores e ajudar quando o quadro já está instalado. O estado emocional da pessoa também influencia na maneira de lidar com a dor.

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