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Exame conhecido como PCR em tempo real é mais sensível e aumentou em 85% o número de diagnósticos da doença

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A incorporação de um novo exame na rede pública de saúde promete diminuir os diagnósticos incorretos de meningite bacteriana. É o que mostra um estudo publicado recentemente na revista científica PLoS One por pesquisadores brasileiros e americanos.

A tecnologia - conhecida como PCR em tempo real - possui uma enorme sensibilidade. Na amostra de liquor da medula espinhal, bastam oito ou dez bactérias, que podem estar mortas, para que o resultado do exame dê positivo. Os pesquisadores compararam o desempenho da estratégia ao tradicional método de cultura da bactéria em laboratório para posterior identificação com processos bioquímicos.

Segundo o trabalho, com a adoção do novo exame, houve um aumento de 85% no número de diagnósticos de meningite causada pela bactéria Neisseria meningitidis. Para a bactéria Streptococcus pneumoniae, o aumento foi de 52%. Elas são responsáveis, respectivamente, por 63% e 33% dos casos de meningite bacteriana em São Paulo. A melhora de diagnósticos para Haemophilus influenzae foi mais discreta, porém também significativa: 20%.

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A razão para uma diferença tão grande entre os dois métodos está no consumo de antibióticos, afirma Claudio Sacchi, coautor do estudo e pesquisador do Instituto Adolfo Lutz (IAL), órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde. Muitas vezes, quando o liquor é colhido para exame, a pessoa já tomou antibióticos com ação bactericida (que mata as bactérias) ou bacteriostática (que impede sua reprodução). “Os microrganismos não estão mais aptos para serem cultivados em laboratório”, explica Sacchi. Desta forma, muitos exames dão um falso resultado negativo.

Outra vantagem do PCR em tempo real é a rapidez. Depois de três horas de processamento, sai o resultado. O método da cultura em laboratório pode levar até 48 horas para oferecer um diagnóstico. Participaram do estudo nove hospitais paulistanos e três de Campinas (SP). As amostras coletadas de casos suspeitos da doença eram enviadas ao IAL, em São Paulo, ou para a sede regional do órgão em Campinas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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