Tamanho do texto

Cátia Moraes, 51 anos, resistiu ao estigma dos antidepressivos e hoje é defensora do consumo consciente e supervisionado

A escritora Cátia Moraes, 51, é autora do livro
Divulgação
A escritora Cátia Moraes, 51, é autora do livro "uso antidepressivos, graças a Deus" e diz que os medicamentos salvaram a sua vida. "Não virei um robô"
O pai alegre, apaixonado pela mãe, ativo e esportista, Cátia Moraes diz que foi roubado pela depressão.

“A doença acabou com aquela figura que eu tinha dentro de casa”, conta a hoje escritora de 51 anos.

“Eu tinha 14 anos, vi meu pai deteriorar na cama. Ele morreu aos 47 anos de acidente vascular cerebral (AVC), deixou em mim saudade e um verdadeiro pavor daquela doença.”

Consumo de antidepressivos cresce 49% em 4 anos

Saiba tudo sobre a depressão: origem, prevenção e tratamento

A ciência classifica como múltiplas as origens do transtorno depressivo e a genética está entre elas. O pavor de entrar para a estatística da depressão já era um indício de que Cátia Moraes seria uma portadora. A dificuldade em lidar com a ansiedade e o estresse trouxeram a confirmação do diagnóstico.

“Acho que sinto os sintomas da depressão desde adolescente mas foi só aos 37 anos que tive uma crise séria, que quase me matou. Fui fazer análise – e faço até hoje – mas precisei de três anos para me convencer e aceitar que eu precisava tomar antidepressivos para sobreviver normalmente.”

Faça o teste e veja se a ansiedade ameaça a sua saúde

“Nunca vi um remédio sofrer tanto preconceito quanto o antidepressivo. É associado à loucura e nós tememos ficar loucos. Então condenamos os remédios. Foi o que eu fiz”, acredita Cátia.

Em 2008, Cátia escreveu o livro para desmistificar o uso de antidepressivos. A editora é a Record
Divulgação
Em 2008, Cátia escreveu o livro para desmistificar o uso de antidepressivos. A editora é a Record
Mas por indicação do psiquiatra – especialidade que ela visitava semanalmente por causa da ansiedade que a sufocava, da dificuldade de levantar da cama e do desânimo que nunca ia embora – ela foi convencida a fazer uso contínuo de uma medicação.

“Quinze dias depois eu já era outra pessoa. Tinha um equilíbrio para dar o tamanho certo às coisas. Acreditei que podia parar com os medicamentos por conta própria. Abandonei as cartelas e três meses depois estava em crise novamente.”

Seu nível de estresse é nromal? Responda às perguntas e descubra

Desmistificar aquelas medicações fizeram com que a escritora produzisse, em 2008, o livro “Eu tomo antidepressivos, Graças a Deus!”, com depoimentos de médicos e pacientes.

“Ainda faço uso dos medicamentos diariamente, tenho acompanhamento médico e me sinto bem. Claro que fico triste, choro, isso não é depressão. Os medicamentos me salvaram. Não me tornaram um robô. Agora, eu sei lidar com as emoções.”

Outro lado da moeda: "Depois que eu tomei o primeiro remédio, nunca mais me libertei"

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.