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Pequeno dicionário dos tratamentos de câncer

Conhecer as técnicas que ajudam a enfrentar a doença facilita o tratamento. Métodos vão além da quimioterapia

Yara Achôa, iG São Paulo

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Foto: Thinkstock Photos Ampliar

Graças a novos equipamentos e sistemas computadorizados, as técnicas de combate ao câncer estão mais precisas

Câncer ainda é uma doença que assusta. Muitas vezes o diagnóstico é associado a uma sentença de morte e os tratamentos a verdadeiras torturas, com sequelas físicas e emocionais.

Felizmente a medicina evolui a cada dia, com objetivo de combater ao máximo os tumores e oferecer mais conforto e segurança aos pacientes.

Com o aumento da expectativa de vida, a doença avançou e já é a segunda causa de morte dos brasileiros.

Diretor responsável pelo Centro Integrado de Oncologia do Hospital Nossa Senhora de Lourdes, de São Paulo, o radio-oncologista Robson Ferrigno explica a seguir quais são as técnicas não cirúrgicas de tratamento de câncer. Conhecê-las certamente ajuda a diminuir os medos e contribui para o sucesso dos tratamentos.

Quimioterapia

É um tratamento realizado por meio de um ou mais medicamentos com capacidade de destruir as células tumorais. É considerado como sistêmico porque atinge todo o organismo.

Quimioterapia oral e injetável

Dependendo da situação clínica, a quimioterapia pode ser realizada com a ingestão oral de comprimidos ou por via venosa, dissolvida em soro. “Essa última é mais frequente, porém, vem aumentando a disponibilidade de alguns quimioterápicos novos por via oral”, explica o médico Robson Ferrigno.

Quimioterapia ambulatorial

Ocorre quando o tempo de infusão de soro com quimioterápicos é curto (em torno de duas horas) e o paciente tem condições clínicas de ir ao ambulatório para receber a medicação. Se o tempo de infusão for muito longo, às vezes durante alguns dias, e o paciente não estiver clinicamente bem, a técnica é realizada com o paciente internado.

Radioterapia

Ao lado da cirurgia e da quimioterapia, é uma das três principais modalidades técnicas de combate ao câncer. É um tratamento localizado e feito por meio da aplicação de radiação ionizante na região do corpo afetada pela doença. Quanto mais concentrada a dose de radiação no tumor e menor nos tecidos normais vizinhos, menores as possibilidades de complicações e melhor é o resultado.

Leia mais: Doses personalizadas de radioterapia

Nos últimos anos houve substancial desenvolvimento de novas técnicas de radioterapia. “A mais antiga é a convencional, que irradia um volume grande de tecidos normais porque o planejamento é feito pela delimitação na pele do paciente sem sabermos ao certo quais estruturas internas do corpo a radiação está atingindo. Graças a novos equipamentos e sistemas computadorizados, técnicas de maior precisão, tais como a radioterapia conformada e a de intensidade modulada (IMRT), começaram a ser utilizadas na prática médica com melhores resultados de tratamento”, diz o especialista.

A Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) lançou recentemente um livro com as recomendações técnicas de radioterapia, baseadas em evidências científicas, para cada tipo de câncer.

Radioterapia conformada

Esta técnica foi desenvolvida para que a área de tratamento com radioterapia pudesse ser visualizada e fosse possível avaliar a distribuição da dose no organismo. Para tanto, o planejamento da dose é feito em um exame de imagem do paciente, mais frequentemente uma tomografia computadorizada que, ao ser exportada em um computador, permite ao médico determinar a área que deve receber a radiação e as regiões que devem ser protegidas.

Com isso, tem-se a informação das estruturas internas atingidas pela radiação e com qual intensidade. A radioterapia conformada, por ser mais segura para o paciente, é a técnica mais recomendada pela SBRT para todas as situações clínicas.

Radioterapia de intensidade modulada (IMRT)

A sigla é inglesa e significa “Intensity Modulated Radiation Therapy”. Como o nome diz, é uma técnica com capacidade de modular a intensidade da radiação que vai atingir cada órgão ou área acometida pela doença.

Isso é possível graças a alguns acessórios que são incorporados à máquina de radioterapia, no caso um acelerador linear de partículas, e programas de computador que passam informações para o aparelho para que filtros sejam colocados na frente do feixe de radiação e assim ela seja dirigida de forma mais concentrada. Com isso, pode-se aumentar a dose de radiação no tumor e diminuí-la nos tecidos normais.

É a melhor técnica de distribuição de dose de radiação disponível no mundo e bastante útil em regiões onde o tumor está muito próximo a estruturas que devem ser protegidas. É a forma de radioterapia com menor toxicidade para o paciente.

Atualmente, a IMRT é indicada para tratamento de tumores de próstata, de cabeça e pescoço, de cérebro, de pulmão, de tumores abdominais e pélvicos e de outras situações que necessitam de uma adequada distribuição de dose.

Braquiterapia

É uma modalidade de radioterapia que consiste na colocação de um material radioativo no interior ou próximo de um tumor que necessita receber altas doses de radiação. O material radiativo, geralmente pequeno, pode ficar permanentemente implantado ou ser colocado e retirado após liberação da dose necessária. O tipo de braquiterapia depende da situação clínica. Essa técnica é realizada em vários tipos de tumor, como de colo uterino, endométrio, próstata, esôfago, mama, cabeça e pescoço, partes moles e pulmão.

Braquiterapia de sementes para próstata

É um tipo de braquiterapia que consiste na introdução de sementes de Iodo-125, um material radioativo do tamanho de um grão de arroz, no interior da próstata, onde ficará implantado permanentemente. É utilizada para curar tumor localizado de próstata.

Radiocirurgia e radioterapia estereotática fracionada

Tratam-se de técnicas sofisticadas de precisão para atingir alvos no interior do cérebro com altas doses de radiação. Isso é possível graças aos recursos de fixação da cabeça e liberação da radiação dirigida por computador.

Hormonioterapia

Alguns tipos de câncer, como de mama e próstata, são estimulados por hormônios. Para tratar esses tumores, utilizam-se drogas que bloqueiam a ação do hormônio sobre a doença. No caso do câncer de mama, recorre-se ao bloqueador do hormônio feminino estrogênio, caso o tumor manifeste receptor para o mesmo.

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No caso do câncer de próstata, bloqueia-se a ação da testosterona, o que pode ser feito com a retirada dos testículos (orquiectomia) ou por castração química, por meio de medicações. Esses bloqueios hormonais são chamados de hormonioterapia.

Iodoterapia

São injeções endovenosas de um material radioativo líquido, no caso o Iodo-131, para tratamento de câncer de tireóide, uma vez que esses tumores captam iodo. É um tratamento realizado por especialistas em Medicina Nuclear e não por especialistas em radioterapia.

Quando a cirurgia é necessária?

Vários tipos de tumores necessitam que a doença macroscópica seja retirada para um controle efetivo. A decisão vai depender do tipo de câncer e do estágio em que ele se encontra. São exemplos da obrigatoriedade da cirurgia tumores iniciais de mama, de próstata, de cabeça e pescoço, de pulmão, de estômago, de reto, de endométrio entre outros.

Conheça os principais tipos de câncer na Enciclopédia da Saúde

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